Simples ou Simplorio

Acabo de voltar do Brasil mais uma vez.  Viajei de SP para o noroeste do Parana, para o Rio, Brasilia, Ceara, e BH.  Ha variacoes mas o Brasil eh bastante uniforme.  Ao longo dos ultimos 50 anos, houve realmente integracao nacional.  Os sotaques regionais ja nao sao tao nitidos e os shopping sao quase que 100% uniformes.  O capitalismo e o correspondente consumismo mais as franquias (pequenas, medias, e grandes) levam a uniformidade e previsibilidade.  O Chili Beans que voce encontra em Fortaleza eh identico a de Maringa.  Assim o Brasil eh simples, previsivel e ate chato.

Inclusive, com todo o crescimento demografico e expansao economica, os desejos do brasileiro sao ainda bastante simples e padronizados, a ver: uma boa escola, um emprego publico, um churrasco, umas cervejas, um carrinho, ferias na praia, futbol na TV e um espaco para paquera.  Tao simples que talvez seja ate simplorio.

O shopping e muito proximo ao “paraiso”.  A sociedade desigual vinda da escravidao e da separacao social hoje converge nas compras nos centros como uma forma de participar, de alienar e de manter as distancias sociais tudo ao mesmo tempo.  O rolezinho e uma forma de mostrar participacao e o desejo de estar presente pelo consumo.  Ao mesmo tempo, o a seguranca ostensiva e os altos precos dos produtos mantem a separacao.  Nem todo mundo pode participar.  A classe media quer distancia da nova classe media da mesma forma que a elite sempre se distanciou de todo mundo.  Cada macaco em seu galho.  Quando conseguimos fazer a leitura apropriada, a ordem social e simples de entender.

Periodicamente, ha um questionamento da ordem e da estrutura.  Os revolucionarios e os anarquista querem inclusive rejeitar tudo mas falta massa critica.  O sistema e muito agil na absorcao e no controle.  Alem do mais, os protestos  nao tem uma proposta nitida a nao ser negar o status quo.  Assim nao encontram respaldo e os protestos tem efeito limitado e temporal.

A vida se acomoda na mesmice, na falta de imaginacao, e no esmagamento do cotidano.  Enquanto a cultura e simples, o governo, atendendo aos lobbies de todo tipo, apenas cria mais complicacoes que geralmente so favorecem os privilegiados.  As vezes concessoes atendem parcialmente as reivindicacoes para melhorias de escolas, servicos publicos, saude, salarios e etc.,  mas dentro de um quadro de preservacao do poder do estado e de seus aliados.

A complexidade da sociedade moderna (a qual o Brasil deveria fazer parte) favorece uma maior abertura social e politica. Porem, os monopolios e oligarquias ainda predominam, controlando o acesso e impedindo mudancas mais nitidas e rapidas.  Assim bolsa familia, medicos cubanos, e MCMV pouco  ou nada resolvem.  E por isto que eu acho, os artigos da Veja ou de Carta Capital entediantes, quando defendem polos opostos de um mesmo eixo.

Paciencia…o caminho e longo. Como disse Geraldo Vandre, “esperar nao e fazer”. E fazer tao devagarinho e o mesmo que nao fazer.