A Sequencia do Meu Dialogo com Um Jovem Emprendedor

Oi Steve,

não vejo problema algum. Aliás, obrigado por ter gostado do comentário, ter me deixado alguns “aninhos” mais jovem e pelo “bem sucedido”.

Na verdade, me vejo na obrigação de aprofundar um pouco mais minha visão sobre o Brasil.

Steve, acredito muito na livre iniciativa, no Estado pequeno, mas que regule abusos.
Acredito em políticas sociais que tentam corrigir falhas históricas e dar oportunidades a todos.
Acredito que é possível gente de bem se interessar por política.
Acredito que simplesmente “lavar as mãos”, não é o caminho para a mudança.

Porém, a sociedade brasileira, com todas as suas belezas, na minha opinião, peca em um ponto básico, bem lá embaixo, na raíz: justiça.
Uma sociedade que não acredita em justiça, de forma ampla, não cultiva confiança. Daí cresce o sentimento individualista. A tentativa de se dar bem rápido.
Você viveu muitos anos da sua vida por aqui e sabe do que estou falando.
Da justiça mínima à máxima. Do passar no sinal amarelo e não acontecer nada, aos inúmeros gestores públicos fora da cadeia, mesmo após comprovadamente terem cometido crimes.
Do pequeno assaltante que tem vinte e cinco passagens (de poucas horas) pela polícia, aos inúmeros juízes que fazem nepotismo cruzado (um contrata o parente do outro) e ninguém toca no assunto.
Das grandes negociatas dos “Malufs” e “Nicolaus”, aos milhares de médios empreiteiros que financiam prefeitos de pequenas cidades Brasil afora e enriquecem com dinheiro público.

Você há de convir que toda a beleza desse pais não é suficiente para contrabalançar a sensação generalizada de injustiça.
Aqui, você sabe, temos que pagar tudo em dobro. Para governo e para a iniciativa privada. Escola, saúde, segurança.
Pergunte a algum gestor público com um cargo mediano, eleito ou concursado, se ele usa o serviço público.
Pois deveria ser obrigado pela justiça.
“Não é você quem gere? Pois então, coloque seus filhos na escola pública e fique proibido de contratar a Amil, Unimed ou algo que o valha.
Morar em condomínio fechado ou ter porteiro no prédio, também não, senhor”.

Minha geração cresceu em meio a crises e à redemocratização. Quando ficou economicamente ativa já tinha moeda estável.
Tinha incentivos pra acreditar no empreendedorismo, ter como exemplo os empresários que, do nada, e de forma ética, construíram grandes empresas, geraram milhares de empregos.
Mas o que vi não foi isso. Foram levas e levas de amigos e amigas se dedicando aos concursos públicos. Buscando a estabilidade através da entrada em algum órgão gerido pelo Estado.
Talvez herança dos nossos pais. Do emprego no “Banco do Brasil”.
Certo é que ajudaram a engordar o déficit da previdência.

Se vejo luz no fim do túnel? Com pouca esperança, mas sim.
Vejo muitos jovens investindo em suas empresas. Talvez mais uma influência americana: as “start-ups”, o “venture capital”, os “Zuckerbergs”.
A tomada de risco, o ser humano fora da zona de conforto, o senso de justiça construíram o seu país de nascença. (sei que o de coração é aqui:-)
Torço para que também influenciem o meu.

Outro abraço.

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