Toma la, da ca

Os debates embora agressivos estao ficando enfadonhos.  Embora descritos nos jornais como o Fla-Flu, os embates sao previsiveis e ficam na mesmice dos ataques pessoais.  Mesmo as tentativas de levantar fatos novos, tipo Sergio Guerra levando bola de Petrobras, nao soam como novas.  Assim o mano a mano esclarece pouco.  Entretanto, creio que o importante eh que temos a eleicao em segundo turno que prova que as instituicoes politicas estao funcionando do seu jeito. Teremos um vencedor que sera empossado.

Agora, com certeza o “vitorioso” tera que alterar politicas para governar.  Esta claro que a Dilma perdeu a aura de tecnocrata competente.  Mas tambem esta claro que ha desconfianca em torno da competencia do Aecio para melhorar o quadro e oferecer algo realmente diferente.  Tanto a Dilma quanto o Aecio sairam manchados, depois de dar bracadas no mar de lama.

Quem ganhar vai ter a  dura tarefa de construir uma legitimidade mais ampla do que a base eleitoral de 50 por cento.  Nao sei se a Dilma vai ter energia para a tarefa.  O partido eh algo diferente de seus eleitores e o PT ja nao e o partido ideologico que era na decada de 80.  Hoje eh fisiologico como os outros partidos.  Para agradar e agradecer seus votos, a logica demanda que a Dilma continue fatiando o estado e dando emprego para seus “correligionarios”.  Penso que, possivelmente no seu intimo, Dilma queira resistir.  So nao sei se tem ou tera forca.

Aecio, por outro lado, tera um problema semelhante e, embora ele promete cortar pela metade os ministerios, a questao politica no Brasil sempre se resolveu no “toma la, da ca”.  Como eh que o Aecio pode resistir?  Ha uma mudanca cultural em curso mas eh muito lenta.  E ao que parece, corre a parte do Aecio.

O fluxo de demandas que afloram nos protestos eh frustado na eleicao quando o cidadao acaba elegendo os mesmo politicos ou o mesmo tipo de politico. Veja so os resultados no Congresso e nas eleicoes estaduais.  Mudar o quadro exige mudar o “status quo” e a mesmice so vai mudar com mais educacao no sentido de questionamento das posturas tradicionais.  Respeitamos a vontade popular manifesta na sabedoria das urnas mas desconfiamos ao mesmo tempo do outro lado, que vota no outro candidato.  E os politicos, uma vez eleitos, nao prestam mais atencao nos eleitores individuais mas so no seus cabos eleitorais e os “lobbies” que oferecem os recursos financeiros que influenciam a votacao.  Portanto, alem da melhoria de educacao (politica), precisa-se da reforma politica com o voto distrital e tambem a reforma do sistema de financiamento das campanhas politicas.

Como todo mundo esta, na linguaguem popular, de rabo preso, pouco vai acontecer.  Como disse o Darcy Ribeiro, o Brasil vai aos “trancos e barrancos”.  As mudancas estao a caminho mas ainda levam tempo.  A eleicao de 2018 vai ser mais importante do que a eleicao de agora e talvez novas liderancas melhores estarao surgindo.  A populacao, embora ainda joven, esta a cada eleicao mais experiente.  Isto eh bom.

Paciencia e profissao esperanca (ou sera que deveria ser “professar esperanca”).  Vamos entao, com expectativa e emocao, para o 26 de outubro e tambem para o dia seguinte quando veremos onde a porca torce o rabo.

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