Previsoes para 2014: Acertos e Erros

Ha exatamente um ano, fiz as previsoes abaixo, entao vamos ver os acertos e erros e pensar tambem em 2015. Acertos em bold e os erros em italico.

Ja que o blog e super popular e conhecido, posso arriscar algumas previsoes sem grande preocupacao. Bom o blog continua cada mais “popular”…KKK Vamos la:

Na politica: Dilma sera reeleita no primeiro turno, principalmente se o Brasil for campeao. Dois erros grosseiros: Dilma so ganhou em segundo turno e o Brasil acabou em misero quarto lugar depois de perder de 10 x 1 cumulativo contra Alemanha e Holanda…..que vergonha!!! Acho que a Copa das Confederacoes me enganou.

No esporte: Brasil chegara no final e vai ganhar contra Argentina ou Espanha. (Veja acima) A Copa tera seus defeitos e todo mundo vai reclamar dos aeroportos, hoteis e transportes mas tudo sera superando pelo clima de festa. Aqui acertei!

Na economia: continuara o crescimento morno de 2013, talvez com ligeiro incremento, nao mais do que 2.5%. Formalmente certo mas 1% e nem metade de 2.5%, entao vale o Erro!

No futuro: a politica fiscal e a falta de uma politica industrial vai deixar um “heranca maldita” para 2015. Com certeza, ja estamos vendo o inicio dos aumentos que devem continuar ao longe do ano 2015.  Outro acerto!

Ainda no futuro: 2018 sera um ano critico de redefinicao do modelo economic e politico no Brasil. Ainda penso assim e acho que estou certo.

Na economia: o cambio terminara o ano acima de 2.75 por US$ Quase acertei: o dolar hoje foi cotado 2.68.

Na economia: A inflacao continuara ameacando e terminara na faixa de 6 a 7 porcento. Outro acerto e em 2015 creio que sera mail alto ainda.

Na agricultura: o setor seguira como o setor mais dinamico da economia mas tera desafios com o declinio de exportacoes para Asia, leia-se China.  A tecnologia estara melhor e as propriedades serao exploradas de uma forma mais intensiva.  Faltara mao de obra qualificada.  O setor de cana e alcool ressentirao a falta de uma politica consistente ja que o preco de gasoline continuara defasado por ser um ano de eleicao. Alguma duvida? Acertei tudo aqui.

Na rua: os protestos voltarao na Copa e antes das eleicoes.  Os protestos terao resultados imediatos nulos mas vao contribuir para a melhoria do processo politico. Os parcos protestos ficaram longe das dimensoes da Copa das Confederacoes mas acertei na parte de resultados imediatos nulos.

Na politica partidaria: O PSDB continuara em declinio, Aecio sera um candidato fraco.  Eduardo Campos fara o papel de Cid Gomes e Marina Silva acabara tentando levanter novamente rede  sustentabilidade agora com maior sucesso (depois das eleicoes).   Aqui meio complicado. Aecio foi um candidato melhor do que muita gente esperava, chegou bem no Segundo lugar no primeiro turno mas nao conseguiu reverter as vantagens da Dilma. Campos morreu e Marina subiu e desceu na mesma velocidade. Quem e que vai liderar a oposicao para 2018 quando Lula pretende candidatar novamente. Marina esta outra sem cargo e basicamente sem partido. Sera Aecio ou havera espaco para os greens ou ???

A sombra do Lula ajudara a Dilma mas provocara o atraso no desenvolvimento das instituicoes politicas. Acertei: com o Ministerio (de dezembro de 2014) que Dilma esta escolhendo e’ dificil ver progresso para as instituicoes.

Nas cidades: os precos de imoveis nas areas nobres do Rio e Sao Paulo continuarao subindo que ha demanda.  Os precos em outras cidades tipo BH estarao estaveis ou em declinio.  Ha mais oferta de resorts e propriedades nas praias e os precos vao cair.   Acho que acertei aqui, embora a tendencia no Rio agora com o declinio do preco do petroleo e a crise institucional da Petrobras ha perigo de queda nos precos mas vai ser devagar que ainda vem as Olimpiadas. Sao Paulo ainda nao caiu significativamente e os precos estao em baixa ou estaveis nas outras cidades.

No emprendedorismo: o Brasil vai sofrer de um “brain drain” entre os profissionais/empresariais que vao optar por oportunidades mais seguras e mais faceis no exterior. Acho que acertei e migracao de retorno de brasileiros radicados no primeiro mundo ja parou.

Na educacao: as escolas primarias nao terao os recursos necessarios mas mesmo assim alguns professors farao milagres.  Na secundarias e faculdades, cada vez mais privatizacao ja que a esfera publica nao e prioridade.   Muito generico mas ainda acho que estou certo. Cid Gomes como Ministro de Educacao vai promover mais privatizacao nas escolas medias e superiors.

Crime e corrupcao: Assaltos e a violencia continuarao.  A corrupacao vai cair aos poucos na esfera publica mas continuara como habito enraizado no setor privado.  Gradativamente vai melhorar. Putz grila, Nem suspeitei do Petrolao, das delacoes premiadas, e empresarios graudos presos. Agora vamos ver se vai terminar em pizza ou se algum grande vai realmente pagar o pato.  Como muitos, ainda acreditava na Graca Foster e a seriedade do corpo tecnico da empresa.  Hoje sou mais realista, mas ainda assim comprar acoes da PBR a US6.00 na bolsa de New York nao e’ mau negocio.

Calamidades: Os de sempre: mortes pela pobreza e desleixo no transito e no trabalho, desastres naturais tipo enchentes e espermaos que nao havera a repeticao do incendio no RGS mas tudo e possivel.

De bom: O sol continuara quente nas praias, as mulheres estarao cada vez mais bonitas, e os homens cada vez mais metrosexuais (nao sei se isso e bom).  Continuara os esforcos locais de mobilizacao e as pessoas vao poder se informar mais (nao necessariamente de forma melhor) atraves da internet.  O processamento das informacoes sofrera pela falta de pensamento critico.  Eventos isolados na musica, nas artes, no cinema e na cultura de forma geral terao expansao e oportunidade pelo impulo da Copa. Bom, aqui nao tive como errar de tao generica as previsoes.

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Christmas

Make a resolution to enjoy the holidays. A lot of people complain about the consumerism, the false sense of obligation, the forced camaraderie and the need to be “whatever”.   And, you know, they are right. Nevertheless, individually, we can be sincere, develop meaning, create understanding, express solidarity and just be friendly, kind and sympathetic without being maudlin or without being pretentious.

Celebrate with family, with loved ones, with friends and if you have none of these, then celebrate with others by giving of yourself and not worrying about perceptions and consequences.

Those of us who are in the United States, we have to recognize the materiality and wealth existent here. No doubt, we have certain advantages because of the wealth, but being cognizant of this fact, there is no need for pride and pomp. Those of us in Mexico and Brazil and other parts of the world know that our relative lack of material wealth actually brings us closer together. Our circumstances almost force an extended network of interdependence, which, in the end, favors our recognition of others and our own humanity. The greater unpredictability of life in the lesser-developed world makes us rely more on God and each other with somewhat greater sincerity.

Even as we turn the last page of the 2014 calendar, we look to an opportunity for renewal, hope, optimism and to facing challenges and obstacles as we begin a new story or continue a storyline already in progress but not yet quite finished. We can write new pages in our lives and the Christmas period. The ongoing and renewed chances of family, friend and person-to-person contact provide inspiration and a new start.

Think about the message you are sending. What do others read, feel and see in your presence? Think about what is really meaningful and what you want to project. Think about where you want to go from here. Take into account the people that you have in your journey and those you want to include as significant parts of your narrative. Reach out and make the effort who you are and who you want to be. Do it with your feelings, your words, your art, your music and the look on your face.

Birth, a new start, new settings, new gifts, new opportunities, renewed efforts and ongoing experiences and traditions come together nicely at this time of year. Make the most of these even if it takes some effort on your part.

Happy and healthy days, reasonable expectations, fulfilled hopes, new challenges and enhanced solidarity are my wishes for the season.

Nos Embalos do Fim de Ano

Estou com a perna engessada e, portanto, com a locomoção reduzida e então deve sobrar um tempo para refletir. Na realidade baixa um pouco de Macunaíma e ai digo: que preguiça.

De perna para o ar, tive tempo de assistir Nos Embalos de Ipanema. E’ uma pornochanchada de 1978 com a direção de Antonio Calmon. O filme conta a historia de um rapaz de subúrbio que tem o sonho de surfar no Havaí. Assim temos o “set up” de Zona Norte x Zona Sul, pobre x rico, anseio de mudança, decadência social, principalmente da classe media mas a classe baixa também e’ contaminada. Ainda contem os temas sexuais com a mudança de costumes, o homo sexualismo e as opções sexuais das jovens num mundo dominado pelo machismo.

Em 1978, estávamos no governo Geisel com a promessa da distensão lenta e gradual mas podemos observar que a mudança de costumes sociais estava na frente das mudanças de política. Teríamos ainda 5 anos do governo Figueiredo e ainda mais 5 do Sarney depois da inoportuna morte do Tancredo Neves. Assistindo o filme, fica claro que já estava em curso a revolução sexual no Brasil.

Ainda da para fazer os seguinte reparos. Ipanema parecia um pouco mais limpo, o estacionamento era com certeza mais fácil e tinha certa facilidade de entrar diretamente nos prédios sem câmeras e segurança. Continua a distinção entre classes mas hoje a sexualidade e as opções representadas no filme estão passando na TV a qualquer hora e sem censura.

A censura e preocupação com a falta de moralismo tradicional das pornochanchadas me lembra um pouco a conversa em torno de corrupção hoje. Todo mundo condena mas ha uma passividade que a permite. A forma que os indivíduos na década de setenta se libertaram foi através de escolhas que a sociedade acabou permitindo em nome de direitos e ampliação do raio de atuação do individuo. A corrupção também resulta de escolhas e opções feitas por indivíduos. E como no caso de preservar a virgindade (feminina), a honestidade talvez não seja mais uma opção para quem esta inserido no mundo de negócios.

Me lembro na década de 70, que tinha um certo receio moral em assistir as chanchadas. Recém casado, a esposa não gostava e as famílias tradicionais condenavam as praticas libertinas ou liberais, bem como a mudança de valores retratada no cinema. Havia uma certa hipocrisia e’ certo mas….

A luta contra corrupção tem o paralelo. Ninguém gosta mas tem gente que pratica. Grandes parcelas condenam mas por outro lado ha muita acomodação e passividade. Na década de 70, acabou prevalecendo o valor individual na escolha de atividades sexuais, talvez amanha podemos chegar a um consenso que escolhas individuais não corruptas ou corruptoras também sejam normativas. Assim a corrupção passa a ser uma atividade atípica e não normal.

Falta ainda o quadro institucional. Só’ agora, e aqui tiro o chapéu, não sei, se para a Dilma ou para o PF e judiciário. Pela primeira vez, temos um inicio de praticas legais que resultam em punições reais e significantes. Finalmente membros da classe política e da elite empresarial estão sendo julgados, condenados e punidos com prisão. Se continuar assim talvez a corrupção como a virgindade vai deixar de ser algo primordial e sem hipocrisia.

Amazonia-Belo Monte-Amazon

Energy versus People, Dominant Culture vs Natives, Capitalist Logic  and Consumer Sovereignty
Here is an interview (in Portuguese) given by the Federal District Attorney of Altamira, Para the Brazilian municipality where government has contracted the controversial Belo Monte dam. The interview states that the Indians are dying and their culture is being decimated with the connivance of the dam builders and the federal government. The government states that the dam is necessary to generate electricity for Brazil’s development.

Because we are talking about the Amazon, most Brazilians don’t pay much attention except when provoked by international issues and interventions.

Here is the link to the blog in Portuguese (Environmental Racism)  Racismo Ambiental:

http://racismoambiental.net.br/2014/12/belo-monte-a-anatomia-de-um-etnocidio-por-eliane-brum/#.VIdA6YIsUqs.gmail

Did we fail? Fracassamos?

Did we fail? Fracassamos?

A velhice e F&*#. Depois de tantos anos de estudos e trabalhos profissionais no setor publico, olho para tras e fico perplexo e, de certa forma estarrecido. Republico o artigo abaixo e fica parecendo que voltamos para a década de 50 ou talvez 40. Não sei. Guerreiro Ramos, Helio Jaguaribe e outros devem estar virando as costas e jogando tudo para cima. Pela reportagem abaixo, estamos apenas recomeçando. Será que e’ so eu que detesta ver São Paulo sempre escrito pelos gringos como São Paolo? Será que esquecemos ou perdemos toda a herança e historia de administração publica e seriedade no Brasil? Será que mais uma vez curvamos tão fácil diante do status de professor de Harvard que vem estimular, ensinar e buscar seriedade, honestidade e profissionalismo?

Estou pasmo!

Brazil dispatch

I’m in Brazil this week, mostly in Sao Paolo (Brazil’s largest city and economic powerhouse, though less good at samba and Carnival than Rio), to prepare for a one-week program that will bring 32 Brazilian state and local government civil servants to Harvard next February. This is part of an ambitious and very inspiring effort to work to change the culture of the Brazilian civil service by bringing in groups of hard-working, educated, public-spirited, honest, and results–oriented young people into the Brazilian government, where the civil service culture is not necessarily known for these features. The effort is sponsored by a Brazilian nonprofit called the Center for Public Leadership, and is an important effort in Latin America’s most-populous country and important economy.
This is only the second time I’ve visited Brazil. A few very random impressions:
1) One of the main financial sponsors of the government civil service reform effort is Jorge Paolo Lemann, billionaire builder of the world’s largest beer conglomerate, InBev (which bought Budweiser a few years ago). Lemann, the son of Swiss immigrants to Brazil, is reportedly a “fanatic” for performance measurement in his own businesses, and for application of performance measurement to improving government performance in Brazil. He follows the major metrics for his companies on a daily basis and, I was told by a Center for Public Leadership official, “even has performance metrics for his maid.”
2) My first impression of Sao Paolo was the highway from the airport. I was amazed at just how much better it was than the one in Mexico City, where I travelled recently. Basically, it looks like an American interstate, 5 lanes in each direction, smooth pavement with no bumps, nice landscaping. Sao Paolo is the richest city in Brazil, but the airport road coming in to Belo Horizonte, another city I visited, was almost as nice.
3) Sidewalk building and maintenance in Sao Paolo is the responsibility of the property owner for the abutting building. The result is a patchwork of pavement styles and quality of maintenance. The sidewalks don’t have the same grade, which means you have to be careful walking the streets or you will stumble.
4) The standard form of address in Brazil is a title followed by a first name, not a last name. When a front desk attendant first addressed me as “Professor Steve,” I thought the hotel had just gotten my name wrong, but then was told this is how it’s done. I even saw a road named something like “Professor Joao Road,” with the full name only listed underneath the main sign.
5) Brazil spent much of the last century alternating between longish periods of dictatorship/military rule and shorter intervals of unstable democracy. Since the mid-l980s, democracy in Brazil has stabilized and become institutionalized – making Brazil one of a small group of countries in recent decades (the most-prominent other examples outside the former East Europe Communist bloc are Korea and Taiwan) that have successfully and peacefully moved from long periods of dictatorship to functioning free societies.
Posted by Steve Kelman on Dec 05, 2014 at 4:55 PM and copied here from FCW-The Business of Federal Technology

Ideologia e Ação: Dilma entre o ideal e o real

Faz tempo que não leio os clássicos de esquerda e talvez valia a pena uma releitura. Mas o problema real pertence muito mais a Dilma e parece que ela anda pesquisando a Escola de Chicago e não os textos Leninistas e nem o diário de Gramsci.

A indicação de Joaquin Levy para Fazenda e de Kátia Abreu (pode ser que não pega) para Agricultura esta’ incomodando alguns dos meus amigos. Ha perplexidade e estão reclamando que o Levy e’ um Tucano disfarçado e que a Kátia e’ reacionária de carteira.

Pessoalmente, não observei e nem acompanho os currículos de um ou outro. Só sei que a Presidenta precisa atender aos correligionários e também a população geral. Claro ela nunca vai ter o apoio da Veja e da “mídia dominante” mas ela tem que dar satisfação as chamadas forcas produtivas, o mercado, a base política, a correlação de forcas nos Congresso e ate aos grupos amorfamente participantes no cenário político. Um resultado parcial disto será que empresas como Vale e Petrobras vão continuar anunciando na mídia que a esquerda não gosta. Gastos de relações publicas e publicidade na grande mídia vão continuar como sempre e a contragosto dos mais “puros” da esquerda.

Alguns amigos, talvez mais idealistas, com base na vitoria eleitoral e 12 anos de progresso pretendem uma alteração ainda mais radical do modelo econômico social, algo alem de medidas puramente de redistribuição. Querem o crescimento do Estado , maior controle da propriedade privada, e administração empresarial com participação de conselhos populares. Voltam a retomar de certa forma, a retórica da década de 60 com as reformas de base. Seria o avanço de medidas de maior peso socialista. A oposição, por sua vez, tacha tais passos de Bolivaristas, Fidelistas ou socializantes.

Ha muita resistência e o Brasil, historicamente, pratica um capitalismo burocrático mas que inclui garantias constitucionais `a propriedade privada. Assim, os grupos econômicos que dependem de benesses do governo ainda querem autonomia, mantendo se privados mas dependentes. E’ proteção quando convém e independência na distribuição dos ganhos que vão para os controladores (e as vezes para os corruptos). Os grupos menos inseridos no governo mas atuantes nos setores não oligopolisticos querem maior distancia do governo e de sua voracidade fiscal. O próprio governo PT diante dos desafios e da complexidade da economia propaga privatização como no caso da Infraero ou a manutenção e intervenção como nos casos de Petrobras, do setor de energia elétrica, e da Vale. As escolhas do governo revelam a falta de definição e as muitas contradições.

Creio que a Dilma e sua equipe tem como meta reduzir a desigualdade mas não acreditam, de cabeça e de coração, que o socialismo e o controle estatal da economia sejam as medidas mais apropriadas para fazer o Brasil crescer. Andam na corda bamba, procurando geração de emprego sem um clima favorável ao investimento privado. Precisam sempre aumentar os impostos e as intervenções para sustentar os gastos do governo que, da ótica do mercado, não são os mais produtivos mas, pelo menos, oferecem meio de sustentação e controle.

A arte da política e’ de traçar o caminho entre o ideal e o real. Dilma pode ser competente suficiente para ganhar um segundo mandato mas não e’ excelente artista.