Ideologia e Ação: Dilma entre o ideal e o real

Faz tempo que não leio os clássicos de esquerda e talvez valia a pena uma releitura. Mas o problema real pertence muito mais a Dilma e parece que ela anda pesquisando a Escola de Chicago e não os textos Leninistas e nem o diário de Gramsci.

A indicação de Joaquin Levy para Fazenda e de Kátia Abreu (pode ser que não pega) para Agricultura esta’ incomodando alguns dos meus amigos. Ha perplexidade e estão reclamando que o Levy e’ um Tucano disfarçado e que a Kátia e’ reacionária de carteira.

Pessoalmente, não observei e nem acompanho os currículos de um ou outro. Só sei que a Presidenta precisa atender aos correligionários e também a população geral. Claro ela nunca vai ter o apoio da Veja e da “mídia dominante” mas ela tem que dar satisfação as chamadas forcas produtivas, o mercado, a base política, a correlação de forcas nos Congresso e ate aos grupos amorfamente participantes no cenário político. Um resultado parcial disto será que empresas como Vale e Petrobras vão continuar anunciando na mídia que a esquerda não gosta. Gastos de relações publicas e publicidade na grande mídia vão continuar como sempre e a contragosto dos mais “puros” da esquerda.

Alguns amigos, talvez mais idealistas, com base na vitoria eleitoral e 12 anos de progresso pretendem uma alteração ainda mais radical do modelo econômico social, algo alem de medidas puramente de redistribuição. Querem o crescimento do Estado , maior controle da propriedade privada, e administração empresarial com participação de conselhos populares. Voltam a retomar de certa forma, a retórica da década de 60 com as reformas de base. Seria o avanço de medidas de maior peso socialista. A oposição, por sua vez, tacha tais passos de Bolivaristas, Fidelistas ou socializantes.

Ha muita resistência e o Brasil, historicamente, pratica um capitalismo burocrático mas que inclui garantias constitucionais `a propriedade privada. Assim, os grupos econômicos que dependem de benesses do governo ainda querem autonomia, mantendo se privados mas dependentes. E’ proteção quando convém e independência na distribuição dos ganhos que vão para os controladores (e as vezes para os corruptos). Os grupos menos inseridos no governo mas atuantes nos setores não oligopolisticos querem maior distancia do governo e de sua voracidade fiscal. O próprio governo PT diante dos desafios e da complexidade da economia propaga privatização como no caso da Infraero ou a manutenção e intervenção como nos casos de Petrobras, do setor de energia elétrica, e da Vale. As escolhas do governo revelam a falta de definição e as muitas contradições.

Creio que a Dilma e sua equipe tem como meta reduzir a desigualdade mas não acreditam, de cabeça e de coração, que o socialismo e o controle estatal da economia sejam as medidas mais apropriadas para fazer o Brasil crescer. Andam na corda bamba, procurando geração de emprego sem um clima favorável ao investimento privado. Precisam sempre aumentar os impostos e as intervenções para sustentar os gastos do governo que, da ótica do mercado, não são os mais produtivos mas, pelo menos, oferecem meio de sustentação e controle.

A arte da política e’ de traçar o caminho entre o ideal e o real. Dilma pode ser competente suficiente para ganhar um segundo mandato mas não e’ excelente artista.

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