Brasil na Europa

Gosto muito de viajar pela Europa. E’ muito diferente dos EUA e do Brasil. Aqui você atravessa fronteiras com pequenas viagens de uma ou duas horas com línguas bem diferentes e comportamentos também. Cheguei por Dusseldorf na Alemanha e fiquei uns dias em Koln. Muito instrutivo ver cidades que foram quase que totalmente destruídas pelo bombardeios na Segunda Guerra e como ressurgiram literalmente das cinzas.

Faltam anos e décadas para o Brasil equiparar. Aqui as estradas são excelentes. O transporte publico funciona muito bem. No momento, em Amsterdã e’ o local de andar de bicicleta e aqui tem mais aparelho de duas rodas do que gente. Respeita a historia, preserva a cultura e ainda dão oportunidade para imigrantes. E então a periferia vem para ca’. Como nas cidades americanas tem brasileiro ganhando algo jogando capoeira na ruas. Os outros migrantes sejam turcos e árabes, africanos ou asiáticos também dão seu jeito.

Claro que não e’ só o Brasil com problemas. Outros países também suas dificuldades e as vezes ate piores como a Síria. O caso entretanto e’ que o Brasil tem dimensões continentais, 200 milhões de pessoas, não tem guerra (a não ser a interna de classe) e um potencial para tudo. Entretanto, o povinho nadado ou governo “terible” como cometamos nas piadas de autocrítica.

Sendo periférico, e como os demais periféricos, o Brasil só aparece no jornais aqui por motivo de desgraca ou de um evento inusitado. Então olho e leio os jornais e fico ate contente quando não encontro noticias. E’ claro que se ler o Financial Times ou outro jornal com enfoque econômico aparece ainda o escândalo da Petrobras.

Embora de ferias, tive algumas reuniões de negócios. Ha interesse mas mesmo para a grande parte dos empresários aqui (como também nos EUA), o Brasil continua sendo um pais exótico. Eles talvez conheçam um pouco mais do que os americanos por causa do futebol onde os jogadores transplantados aparecem. Quando você os convida para visitar o Brasil, os olhos ate ficam arregalados e a pergunta vem se você vai acompanhar e tomar conta. Não sei se a expectativa e’ o medo da cobra na selva ou se e’ a fama de violência que o Brasil não consegue desmanchar.

Eu sou sempre muito otimista com relação ao pais mas realmente de vez em quando a gente cai na real.

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Feliz Ano Novo: Outra Vez!

Bastante água rolou na semana. Cúpula das Américas no Panamá com aperto de mao histórico entre Obama e Raul Castro, terceirização no Brasil, 100 dias da Dilma, Temer indicado como coordenador político e finalmente as manifestações de hoje. Noticias e mais noticias e’ como um rio passando e quase não vejamos as mudanças. Falta nos a distancia, falta a percepção correta que precisamos afastar do curso das águas para depois voltar e ver o que mudou.

Depois de cem dias, o ano pode realmente começar no Brasil. Afinal a Semana Santa agora passou. Vejo que as manifestações embora significantes não chegaram nem perto dos números de 15 de marco e tendem a minguar daqui para frente (pelo menos ate’ algum fato novo). Creio que as pessoas estão vendo que na realidade o “ir pra rua” e’ importante mas tem que ser um momento especial e de tanto ir pode perder o significado. Vejo meus amigos e minha família no Brasil uns coxinhas e outros esquerdistas/comunistas (kkk) estão hoje mais preocupados com o futebol, o aniversario do parente, o namoro, o culto, a missa ou a cervejinha no botequim que ninguém e’ ferro. Graça a Deus que nem todo mundo tem a avidez de um projeto como o Jose Dirceu, por exemplo.

Tudo isto me da um certo alivio e alento. Estamos conscientes das coisas ruins. Detestamos a corrupção, não gostamos de nossos políticos, queremos autonomia de decisão, ha uma preocupação crescente com uma vida mais humana e harmônica. Observamos cada vez mais a tendência de ver momentos de brincadeira e compaixão mesmo no meio de assaltos e assassinatos (muitas vezes por parte das forcas policiais encarregadas de nossa proteção). A percepção de muitos e’ que o mundo esta acabando. Na realidade, o mundo como um todo, esta fazendo um progresso muito grande, pelo menos nas questões econômicas básicas.

Existe um Brasil das confusões. Dilma esta fraca, os professores estão em greve, falta luz, falta água, falta segurança, aparece cada caso novo e escabroso de corrupção, ha as invasões das favelas e as mortes diárias nas ruas com crime comum e os crimes e desleixo no transito, somando os dois talvez quase 100 mil morrem por ano de forma estúpida. Este e’ o Brasil que a gente ver nos jornais e noticiários.

Por outro lado, ha um Brasil que se constrói devagar aos trancos e barrancos contra tudo, e apesar da burocracia do governo e do desleixo dos políticos. O fato e’ que cada um tem que achar um meio de por comida na mesa e um telhado sobre a cabeça. Neste Brasil de pessoas que levantam as 5 para chegar na escola ou que anda uma hora ou mais de ônibus para o trabalho, não ha’ nem tempo e num interesse direto em que o líder disto ou presidente daquilo esta fazendo. O objetivo e’ mais imediato.

Ha’ ate’ progresso na parte do governo. Talvez o Temer consiga amortizar e suavizar a relação de Dilma com o Congresso. Obama deu um “selinho” na Dilma. O novo Ministro de Educação representa um avanço e o Levy continua, aos poucos, o aperto necessário para tentar corrigir os erros e exageros do passado. A safra será boa, os investimentos estão entrando e ate a Petrobras esta conseguindo expandir a produção.

Talvez as boas não sejam suficientes. Ha pessoas, e não são poucas, que acham que o Brasil não tem jeito. Dizem que nenhuma reforma será suficiente e que o problema vem do nascedouro. Para elas o simplismo do apelo para a volta dos militares e’ atraente. Para outras, a opção e’ talvez migrar para outro pais.

Entretanto para a grande maioria, diria para 98 por cento da população a questão e’ sofrer um pouco, gozar um pouco e ter paciência e esperança que as coisas voltam a melhorar. Afinal começa um ano novo, vem chuva, vem as festas juninas, as ferias de julho, o Brasileirão, o fim do ano com sua fraternidade e depois o Carnaval. E’ um ciclo e e’ um rio. Gradativamente e com paciência as coisas estão mudando e precisamos de perspectiva para perceber isto.

Resurrection Sunday

Quite a few of my friends don’t know that I wound up in Brazil due to my family and their religious proselytizing. My father was born in Germany and taken to the United States by his maternal uncle after my grandfather was incapacitated in a mining accident around 1910. In the US, my father learned English and became a Baptist minister. In the mid 1950’s he and my oldest brother went to Brazil as evangelical protestant missionaries in what was then a very Catholic country.

Most Brazilians, some 70 plus percent are still nominally members of the Catholic Church. In the 50’s, the percentage was well over 90. So my father, my brother and many others made inroads and successfully legitimized Protestantism there. My father’s Portuguese was never that great and when I was a teenager, I did simultaneous interpretation as he preached on the street or in little one-room churches.

In very Catholic and traditional Minas Gerais, my brother and my father received numerous threats and an angry Catholic once tried to run over my older sibling with a Chevrolet truck. Later, that same man converted and became one of my brother’s best friends and an acolyte.

I give this background, not so much to validate my own Christianity or theology, but more as a personal reference point in my understanding of religiosity in Brazil.

Tomorrow is Easter or more precisely Resurrection Sunday.   Although it may not seem like it for many, it is the most important date in the calendar for Christians. We celebrate Christ’s resurrection from the dead and the fulfillment of Biblical history and prophecy. Jesus Christ, fully man and fully God, come back to life offering the solution for the perennial problem of sin and evil.

Now, two thousand years later, there is no shortage of ills in the world and in Brazil, in particular, there always seems to be a perhaps disproportionate share. During Holy Week, a mix of secular and religious holiday, the police in Rio once again invaded Morro do Alemao, a very large shanty town there. A UPP (“police pacification unit”) has been there for numerous years, theoretically taking the territory back from the drug gangs. In this most recent intervention, police killed several people including a 10-year-old sitting on the stoop of his house. The 10-year-old was apparently killed in front of his poor mother.

On the same day in Sao Paulo, a helicopter accident took the life of Thomaz Alckmin, the youngest son of the governor. Alckmin is in the PSDB, the main opposition party and lost the presidential election to Lula in 2006. The funeral was a solemn affair and a political event with Dilma and other members of the ruling PT party present.

In Rio, the state government promised an investigation into the killings and met the family’s request to pay for the child’s burial in his home state in the northeast of Brazil. At the same time, residents of Alemao are demonstrating in the street but fearful that the police will return not to pacify but to carelessly kill and then steal.

The wealthy in Brazil tend to display their religious belief mostly symbolically at Catholic mass on an occasional basis and celebrating life as in a wedding or dealing with death. The poor, on the other hand, are deeply religious but poorly served by the traditional Catholic hierarchy and thus the tremendous growth evangelicals amongst the poor.   Insecurity, poverty, ignorance plus the search for meaning and significance provide fertile ground for a message that promises solutions to those who strive and have faith.

The elite rightly complains about the billionaire wealth of Edir Macedo, leader of the Igreja Universal do Reino de Deus, and a main supporter of the political growth of Brazil’s evangelical politicians. But Macedo’s church and imitators have encountered resonance and smoothly read and interpreted the desire for a saving promise. This is something that Brazil’s traditional elite fails to fully comprehend.

Caught up in formal rituals, suspicious of transcendental belief and selfish in the need to preserve its separation from the poor, Brazil’s middle and upper classes cannot readily find the grace to embrace the excluded. The poor, in turn, aspire yet are frustrated on the path.

On Easter Sunday, we hope that the Christ who so proudly stands over Rio will bring something positive out of the deaths of a 10 year old and the son of a politician. Resurrection means reconciliation and that is something that we all need not only on Morro do Alemao but also all over Brazil and amongst the many different deep divisions.