A Conjuntura e os Problemas ao Longo do Tempo

Ha’ um descompasso entre o que se vê na imprensa e o que passa no dia a dia. Quem já foi noticia no jornal ou na TV sabe que por mais apurado e correto, o retrato e’ sempre um pouco, ou muito, diferente da realidade.

A esquerda no Brasil acusa o PIG ou seja o “partido da imprensa golpista”. A direita por outro lado vê o comunismo e desagregação social em toda parte e tem também seu veículos próprios. Infelizmente, um jornalismo serio e’ mais difícil de encontrar na grande mídia que tem sua dependência no poder econômico. Mas ha’ muitos comentaristas e blogs que trabalhem com seriedade.

Lendo os jornais ou vendo a TV sabemos da crise. Existem os fatos que não devemos negar como a inflação, estagnação atual da economia, e um declínio real na produção industrial.

Por outro lado, sabemos também que ter um negocio no Brasil pode ser bem lucrativo e que a atividade privada normalmente só vai durar enquanto houver lucro. E’ lógico então, preocupar-se com a taxa de falências, mas também observar a continuidade de muitos negócios ao longo dos anos. Quem costuma a empreitar já esta’ calejado e consegue driblar a crise. Então a conjuntura pode não ser boa mas também não e’ o fim do mundo.

A mesma coisa acontece na política. Dilma ganhou uma eleição apertada e esta’ tendo que ver a “vaca tossindo” apesar de suas promessas. E’ normal a oposição, e principalmente os Tucanos, chorar as magoas e se exaltar nas suas criticas. Entretanto, a Dilma esta’, por forca das circunstâncias, tendo que fazer basicamente o que Aécio prometeu fazer. Isto e’: atender as exigências do mercado ou correr o risco de cair mais a margem do sistema capitalista como estão marginalizados a Venezuela, a Argentina e em menor grau a Bolívia.

São problemas conjunturais que tem a ver com visão a longo prazo. O Brasil precisa decidir qual e’ o papel do Estado. Os setores ideologicamente mais radicais do PT e da esquerda querem que o Estado seja o guia, não só da política de alocação de recursos públicos, mas também como o dono dos meios de produção. Enfim, pautam por um socialismo. Acreditam realmente que a Petrobras, a Vale, as siderúrgicas, as usinas e todo o sistema produtivo será melhor se controlado e administrado pelo Estado. E pregam que o Estado tem a competência para fazer o Brasil crescer de forma mais justa e igualitária.

Por outro lado, existe a iniciativa privada e o controle privado dos meios de produção. Ai os proponentes reclamam da excessiva presença do governo, de seus controles e de seus impostos. Quem paga impostos trabalha metade do ano para o governo e a outra metade talvez para si. Os empresários tem que lidar com o Estado mas sabem de cabeça e de coração que o Estado não e’ um veiculo eficiente para o desenvolvimento do pais.

Historicamente, o Brasil tem se declarado capitalista e o respeito a propriedade e a iniciativa privada esta’ embutido na Constituição. Entretanto, desde a colonização portuguesa, passando pelo império e chegando ao projeto nacional desenvolmentista da pôs – guerra, o estado tem tido um peso desproporcional. Temos o paternalismo e patrimonialismo e ambos são heranças históricas. Na minha época de menino, um bom emprego era no Banco do Brasil. E ate’ hoje, os jovens aspiram a um emprego governamental.   Ao buscar recursos, bate na porta do poder publico tanto os pequenos ONGs quanto os “campeões nacionais”, que vão ao BNDES. Existe uma simbiose entre o estado e o capital privado. O problema e’ que só os grandes tem acesso real com vantagem nesta relação. Os pequenos e médios empresários pouco influem e quase nada aproveitam.

A questão e’ se esta dependência do estado e’ saudável e sustentável no Século XXI. O Presidente Lula, a contragosto de seu partido, seguiu a política de mercado do seus antecessor. O “Grande Timoneiro” deu sorte e a conjuntura na China ajudou. Ao mesmo tempo, seu governo abriu bastante o setor publico tanto através de sua expansão orgânica e normal mas também através de um “inchaço”, atendendo demandas políticas de seus partidários. Infelizmente, a maquina publica não ficou mais produtiva ou eficiente e agora com a quebra de “commodities” não ha’ como sustentar. A Presidente Dilma reconhece agora a necessidade de promover mais privatizações e de desmontar áreas da burocracia para desonerar o setor já que o governo não tem recursos e nem competência.

Ainda assim, ha a mentalidade que o estado tem que resolver as questões de segurança, saúde, educação, transportes e infra-estrutura alem de investir na produção e na abertura de empregos. Será que este e’ o caminho certo para os próximos 100 anos?

Os escândalos de corrupção refletem parcialmente o desafio da administração publica. Não ha’ garantias de que o setor privado seja menos susceptível aos malfeitos mas, em teoria pelo menos, os bens e os recursos públicos ficam preservados.

Toda sociedade contemporânea tem um misto de privado e publico. E isto ate’ em estados de partido único como a China. O Brasil também precisa encontrar seu modelo de controle da produção e de liberdade econômica e política. A gradativa resolução de problemas imediatos que são basicamente as medidas que o Levy esta implantando, não resolve a questão a longo prazo. E ai’ esta o grande problema do Brasil. Não temos consenso em torno de um modelo de estado a não ser os amplos parâmetros da democracia política. Felizmente o estado democrático tem flexibilidade suficiente para absorver crises conjunturais como agora. Entretanto, a pratica democrática por si também pode levar ao impasse na definição de políticas que definem o papel do Estado. O momento e’ de paciência na critica e na tentativa de construção.

A busca de um novo modelo e’ o que deve ser almejada ao em vez de propostas de impeachment, golpes e outros radicalismos. Ai sim teríamos um papel relevante para a oposição e a sociedade como um todo.

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2 comments on “A Conjuntura e os Problemas ao Longo do Tempo

  1. TT says:

    Belo texto, apenas para complementar, temos 3 tipos de bolsas:

    1- Bolsa Familia para os mais pobres
    2 – Cargos publicos para a classe media, alguns trabalham, mas outros nao merecem o salario que recebem.
    3 – Bolsa para os politicos e empresarios (BNDES, Petrolao, Mensalao, etc…), fora as bolsas legalizadas como verbas de gabinete e por ai vai.

    Outra parte em que peca o texto esta em assumir que a presidente foi eleita com votos apertados, na verdade ela foi eleita com a ajuda da Smartmatic, empresa venezuelana que fabrica as urnas eletronicas.

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