Vida Cotidiana: Cultura, Ilusoes e Relevancia

O assunto de diferenças entre culturas e’ bem popular nos cursos de negócios internacionais. Embora eu ensine o assunto, tenho minhas reservas. Geert Hofstede e’ um dos “papas”  e ele, junto com seus seguidores, desenvolveu questionários e instrumentos de medição como instrumentos para fazer comparações. Por esta analise, os Estados Unidos são a terra do individualismo. O Brasil, por sua vez, registra alto grau de conformidade, ou seja os brasileiros evitam situações que geram incerteza e risco. Estas medidas, ao grosso modo, talvez ajudem a entender e comparar culturas mas oferecem pouco em termos de comportamentos individuais.

No meu caso em particular, por exemplo, convivo com a dinâmica e tensão entre a vida norte-americana, a vida brasileira e a vida de brasileiros nos EUA e a de americanos no Brasil.

A idade, a historia, as circunstâncias pessoais, a família e os amigos e ate’ a comunidade virtual são influencias que afetam o pensamento e a forma de agir individuais.

Num domingo típico, por exemplo, podemos comparar a rotina americana com a brasileira. Levanta-se um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde em ambos os países. Pode-se também comparar entre lugares dentro de um mesmo pais: Em BH, muitos vão ao clube recreativo; já no Rio dão uma caminhada e um mergulho na praia.

E na busca de significado e relevância, gastamos boa parte do tempo conversando com nossos parceiros mais próximos, lendo jornais, revistas, ‘surfando’ ou enviando mensagens por computador ou vendo TV. Com isto, metade do dia já se foi. No Brasil ha um fator adicional, que e’ tempo gasto com família e amigos, com almoços aos domingos e encontros nos bares para um chope. Nos EUA os filhos já criados tem suas famílias e autonomia e se vão, prevalecendo o individualismo.

A tal da globalização esta empurrando o Brasil na mesma direção. Mas os conflitos são mais nítidos. Quando se resiste ao almoço na casa da sogra, geralmente ha conseqüências. Eis ai um exemplo do respeito a hierarquia no esquema de Hofstede.  Antigamente, havia a desculpa do futebol e a ida ao campo. Hoje, os amigos raramente vão ao estádio e preferem ver jogos pela TV. Preguiça da idade, temor a violência ou economia de tostões, sei la.

Depois que deixei de ser juiz de futebol, já não tenho mais este prazer e como matei a TV, minha opção seria sair para um boteco com amigos, o que nos EUA, não tem graça. O americano dorme cedo. No Brasil, pelo menos ainda ha o “clube da esquina.”

Talvez seja uma ilusão sermos mais convivas no Brasil. Se não formos, mantemos a fantasia.   Saímos para os chopes, as comidas e as conversas de botequim. Afinal, pensamos que contribuímos para a solução de alguns problemas nacionais. Ledo engano, mas e’ gostoso.

No Brasil, já que não ha mais a saída para o futebol, embora ainda ha nos fins-de-semana, o churrasco ou a comilança em casa com parente ou amigos.  Os americanos no geral são mais comedidos, tendo um nível de indulgencia menor do que os brasileiros. Como muitos da classe media americana nunca conviveram com a pobreza, não tem a mesma tendência de exagerar “tirando a barriga da miséria”. No geral a festa, mesmo com certo exagero, e’ mais divertida no Brasil. Mas isto todos sabem.

A tabela abaixo e’ acadêmica, com as dimensões básicas de Hofstede ao comparar o Brasil com os EUA.

culture_brazil

Quanto a mim, onde e que eu fico? Onde e’ que eu me encaixo neste cenário?

Source: The Hoftstede Center (www.geert-hofstede.com)

PDI = Power Distance

IDV = Individualism

MAS = Masculinity

UAI = Uncertainty Avoidance

LTO = Long Term Orientation

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