Alem dos Desafios Atuais: Brasil a Longo Prazo

“O Brasil esta’ onde sempre esteve”

E’ sempre um desafio tentar pensar o Brasil a longo prazo.   As noticias, e mesmo muitas analises serias e conseqüentes, tem quase sempre um horizonte de poucos dias ou semanas, ou ate’ a próxima eleição ou talvez 2018. O imediatismo não deixa de ter seu valor. E’ preciso entender a conjuntura, porem olhando apenas o momento, deixa-se de pensar e visualizar o objetivo maior ou onde realmente quer se chegar.

Entre as pessoas que pensam, vivem e participam no Brasil, ha nitidamente um anseio para uma sociedade mais justa, mais igualitária, menos racista, com melhor distribuição de renda e, talvez mais importante, um obvio desejo de acesso amplo a todas as oportunidades. As pessoas querem mudanças políticas e o aperfeiçoamento de um sistema democrático com eleições periódicas que permitem participação. Querem também acesso as informações tanto das mídias tradicionais (TV e radio) mas também através das redes sociais e internet.

Quando o discurso político não esta’ centrado apenas na corrupção ou ma administração, os políticos de quase todos os partidos e matrizes propagam a mesma mensagem. Existe então formalmente um consenso, embora difuso, que o Brasil e’ uma sociedade democrática em sua definição e anseio.

Já o consenso em torno da economia e da produção e’ bem mais complicado. Existem, de fato, muitos monopólios privados e estatais. Os monopólios ou oligopólios controlam setores importantes da economia tanto na produção quanto no setor financeiro. Ademais ha uma tendência para mais concentração.

Ha um conflito entre a esquerda e a direita em termos lingüísticos, mas todos são “nacionalistas” e almejam o controle do aparato estatal que possibilita a distribuição de recursos. Embora haja, por parte da esquerda, uma critica severa aos neo liberais (leia-se principalmente Tucanos e Dems), nenhum dos lados quer largar o estado enquanto aparato de distribuição de benesses para os partidários e amigos.  Diferente dos europeus ou americanos, não ha praticamente ninguém no Brasil que se declare abertamente a favor da economia de mercado livre ou seja, o essencial do capitalismo, dito liberal com um estado menor. Simplificando, a briga entre o PT e o PSDB e’ essencialmente furada e os demais partidos são mais fisiológicos ou irrelevantes.

O embate político do dia a dia não leva em conta, de forma direta, o fluxo demográfico. Quem, por exemplo, esta pensando e planejando o Brasil de 240 milhões de pessoas e com a proporção de idosos “aposentados” crescendo por um fator de 3 nos próximos 35 anos.   O bônus demográfico, de hoje, onde se tem uma forca de trabalho jovem e produtiva, estará se acabando nos próximos 25 anos e então o Brasil e o INSS terão uma situação, que será, se mal administrada, bem pior do que a Grécia.

Outro assunto de impacto imediato, mas não tão claro em suas conseqüências e’ a mudança climática. Brasil como pais de extensão continental, e dono da maior parcela da Amazônia, tem uma responsabilidade de alcance alem de suas fronteiras. Ate hoje, com a população concentrada na costa Atlântica, a Amazônia e seu impacto sobre o clima, tem sido ignorado. A conscientização em torno do problema vem crescendo, mas quais diretrizes o Brasil realmente vai implementar continuam nebulosas e sem definição.

A população quer educação e o governo oferece o lema “Pátria Educadora”. Entretanto, não se vê substancia. Sim, a instrução, principalmente a primaria, precisa de muita atenção. No momento de crise, os recursos estão minguando e corre o risco de perpetuação do falso ensino para aprovar todos no sistema. A expansão do ensino de base não esta’ sendo acompanhada por melhorias de qualidade. Ao contrario, o ensino básico cai, a não ser em raras e honrosas exceções. Parte do problema e’ a segurança, que por sua vez e’ tratada apenas como problema policial e não de forma mais ampla.

E provável que ao longo das próximas décadas, avanços serão feitos. Afinal existe riqueza econômica e população com recursos que não dependem do governo, ou de quem esta’ no poder.

Cada vez mais, fica claro para aqueles que estão ascendendo socialmente, que o estado não tem condições de empregar mais gente. Então a sociedade civil esta criando alternativas próprias fora do âmbito do controle direto do Estado. Na ausência de políticas publicas que funcionam, a sociedade acaba tendo que criar um caminho. O processo e’ lento mas ha cada vez mais o reconhecimento que o Estado tem muitas limitações diante do tamanho e complexidade do pais.

Neste sentido, As mudanças tecnológicas oferecem algo favorável. A abundancia de informações disponíveis pela internet e pela participação na mídia social, tem um poder de transformação oferecendo educação e empreendedorismo para quem tem a iniciativa.   Novas oportunidades fora do Estado e que não dependem do governo ou de grandes corporações, oferecem um caminho alternativo para realização e atualização individual, social e política.

O Brasil e o governo atual esta de saia justa, mas a crescente complexidade cria cada vez mais desafios, mas também novas oportunidades que podem ser vislumbradas com relativa otimismo.   Evidentemente, e com tempo, tem que ter soluções para os problemas estruturais e espera-se que, apesar do momento difícil, haverá progresso a partir da mobilização da sociedade, apesar das políticas do momento e em oposição aos políticos de hoje.

A

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