Circulos Grandes, Pequenos e Viciosos

Na esfera de negócios, na vida profissional, nas relações de amizade e ate’ na família construímos círculos. Temos os círculos pequenos e mais íntimos e aqueles maiores e mais amplos. As vezes os círculos entrelaçam mas as vezes os círculos se fecham.

Vendo a situação política e os problemas de governança e legitimidade, temo que os círculos de quem esta no governo ou na oposição estão se fechando. Dilma, por ultimo, parece estar numa postura totalmente defensiva. Traduzido para o inglês, diríamos que: “She has circled the wagons” para se defender dos ataques dos bárbaros que a cercam por todos os lados.

Mas o circulo da oposição não e’ menos fechado. Os Tucanos em seus atos e votos, não dão trégua, mas curiosamente não apóiam as soluções que eram do PSBD na campanha eleitoral. Por que? Falta liderança ou querem como insinua o PT o pior para o pais e um eventual mudança de legitimidade duvidosa?

Na esfera do debate entre “opinion makers” e aqueles que influem na política,, era de se esperar a existência de um círculo maior e mais abrangente. Entretanto, parece que tanto jornalistas, quanto intelectuais estão enquadrados em pequenos círculos ou talvez casulos de identificação partidária ou idelologica. E os que estão fora do quadro partidário, parecem não ter audiência. Quem e’ que pode superar o quadro? Na luta contra a ditadura militar, intelectuais, políticos, militantes e cidadãos uniram-se contra a falta de liberdade de imprensa, o constrangimento político e a repressão militar. E de fato a movimentação de um círculo muito amplo conseguiu a volta da democracia e do processo eleitoral dentro da legalidade. Enfim, as instituições ainda que imperfeitas obtiveram sucesso.

Neste momento, dentro da tempestuosa recessão, da perda de legitimidade do governo, da corrupção desenfreada e da confusão política aonde não se sabe quem apóia quem, o pais corre sérios riscos para as instituições.

Então, como e’ que fica para o empresário e para o trabalhador? O noticiário da TV, as manchetes dos jornais e a rotina diária contribuem para uma postura defensiva e conservadora. O empresário pensa que não pode investir porque a economia esta’ mal. O empregado teme por seu emprego pelo mesmo motivo.   O circulo vicioso ronda, apesar dos esforços individuais.   Como escapar?

Me parece que a resposta e’ igual para todos. Quanto a Presidente, ela teria que assumir a responsabilidade decisória. Infelizmente, as ultimas interpretações são que Dilma já abdicou a favor de Lula e do PMDB em troca de pouco ou nada. Ela deveria estar pressionando a saída de Cunha mas teme que o Presidente da Câmara revide com a abertura do processo de impeachment. De fora, todo o processo e’ convoluta, entediante e enrolado. Ninguém entende direito e poucos na realidade querem entender as minúcias. O que se quer e’ simples – um governo que governe de uma forma transparente e que não leiloe ministérios e cargos.

Quanto aos empresários, querem e’ um quadro de previsibilidade, com perspectivas de melhora. Quem tem um produto, quer um mercado para o mesmo. Paga os impostos a contragosto e sabe que a política da mordida fiscal vai continuar mas gostaria de pensar que não vai piorar. Por outro lado, o empresário também quer que as políticas funcionem. Se ha proteção que protege, se ha incentivos que façam     sentido e que sejam aproveitáveis.

Da mesma forma para o trabalhador, ele quer a carteira assinada, o acesso a saúde e a oferta de educação para os filhos. Se for demitido, quer os direitos trabalhistas inclusive rescisão, FGTS e acesso a qualquer programa social. Não são coisas tão difíceis. O quadro institucional já existe. Ainda e especialmente para o trabalhador e’ importante que o governo controle a inflação. O salário e’ pago mensalmente e se a inflação for de1% ao mês, em um ano já se foram bem mais de 10% do poder de compra. Ai esta’ outra vez, o circulo vicioso.

A construção do circulo virtuoso (oposto ao vicioso) depende de atos individuais e também de um quadro institucional que favoreça responsabilidades e ações corretas. Ao longo das ultimas décadas, o pais progrediu em certos setores. Acesso ao INSS, por exemplo, tem sido bastante razoável para a maioria. (Isso e’ claro sem levantar a lebre dos aposentados pelo setor privado vis a vis os avantajados do setor publico). Houveram progressos sociais com os governos Petistas. Não se pode e nem deve negar. O problema e’ retomar o progresso quando o modelo Lulista já se esgotou. Individualmente, ha que se ponderar como agir. Ao nível político, a administração publica deve se antecipar e dar o exemplo.

Atualmente, o exemplo e de impasse e de defesas de interesse imediatos. Assim o circulo vicioso provavelmente continuara por mais tempo, ate’ atingir o fundo do poço. Talvez isso coincida com a eleição de 2018, quando o Brasil terá então, nova oportunidade de definir melhor seu rumo.

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