Falta de Liderança

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Com a aproximação das eleições municipais no Brasil e as eleições presidenciais nos EUA, vale olhar a questão de liderança.  A percepção geral e’ que existe uma crise.   Não há mais lideres.  Nos EUA, tanto Donald Trompa quanto Hilary Clinton demonstram índices inéditos de rejeição pela população.  No Brasil há um grande cansaço com relação a classe politica e não estão aparecendo faces novas que animam o eleitorado.  Dilma esta’ fora e o Temer assume para logo sumir para China.  (Muitos gostariam que não voltasse).

 

As pessoas, principalmente a classe media, culpam a corrupção e a cultura politica pela ausência da renovação.  Certamente, no Brasil, a Senadora Gleisi expressou algo que políticos não gostam de admitir: ou seja não tem moral para liderar e nem condenar nada.  Tanto a Dilma quanto o Temer, como os candidatos americanos, primam pelo desgosto que provocam.

Falta carisma `a safra atual de lideres tanto no Brasil quanto nos EUA.  Mas o que e’ isso?   Embora um pouco difícil de definir, quando falta o povo nota e ressente.   A origem vem da palavra grega, kharisma, e significa tocado pela mão ou a graça de Deus.  Quer dizer que o líder que possui carisma apresenta características diferenciadas, fáceis de reconhecer.  Nos Estados Unidos, Presidente Obama e’ considerado carismático por suas características de personalidade que ganham expressão através das instituições que as ampliam.  Também e certo que ele tem a capacidade de atrair pessoas e quando presente as pessoas sentem sua postura e seu dom de liderança legitimada pela posição que ocupa.

A liderança politica e os dons carismáticos nos países que praticam a democracia são legitimados pelos votos.  No Brasil, entretanto, apesar da tradição continua de eleições e de um sufrágio amplo, ainda não se construiu, ou talvez melhor, perdeu-se a ideia de como liderar.   Mas, nos EUA, também a desconfiança cresce vertiginosamente.  Hoje em dia o comum e escutar “Fora” quando tratando da classe politica.  Enfim, questiona-se bastante se os políticos e o sistema merecem credito e confiança.  Faltam confiança e credibilidade.

Desde a redemocratização em 1985, foram 5 presidentes eleitos pelo voto direto.  Dois deles sofreram impeachment e Lula que foi o mais carismático de todos acaba de ser indiciado e corre risco de prisão.

Será que Deus esta decepcionado e não oferece mais sua graça ou será que é’ falta mesmo de quem candidata.  Da ótica individual, quando se busca uma liderança há também a expectativa de alguns requisitos ou atributos básicos como: vontade, idoneidade, autenticidade, visão e persuasão.  Essas características sustentam e dão base para a projeção do carisma.

Sintetizando:

Vontade: quando se fala da esfera publica, o líder deve ter vocação no sentido de fazer politica visando o bem publico e não beneficio próprio.  A ideia e’ que tem que querer por uma forca interior, um moral e não um ganho puramente material.

Idoneidade: Algo que as pessoas devem reconhecer no individuo que inspira confiança no trato do bem publico.

Autenticidade: A possibilidade de transmitir sinceridade mesmo quando incorrem em equívocos, isso e’ admitir os erros.

Visão: ter um gol ou objetivo compartilhado que leva a mobilização de recursos

Persuasão: Poder de comunicação e captação das pessoas para que tornam aliados.

Essas características são individuais e podemos encontra-las em muitos âmbitos e são, felizmente, características de muitas pessoas.  Mas só com a presença de instituições e’ que se permitira a projeção mais ampla dos atributos individuais para a sociedade.

O problema aqui e’a construção de instituições que cerquem e ajudem o individuo.  Do lado negativo, as instituições impedem ou diminuem as ações maléficas já que o individuo sabe que há consequências.  Ao mesmo tempo, quando as instituições funcionam as ações positivas geram resultados.  Obras são construídas, a segurança funciona, escolas ensinam e a rede de saúde funciona sem grande favoritismo.  Quando ocorrem desvios, e’ possível fazer a denuncia e esperar a condenação e correção.  Enfim há mais confiança do que desconfiança na justiça e no sistema e instituições como um todo.

Um dos problemas do Brasil e’ que o Estado e os órgãos públicos são tomados e aparelhados. E’ fato que a diversidade da imprensa, a funcionalidade da justiça e da policia e a historia de solidez das instituições americanas, de forma geral, separa bem o Brasil e os EUA.  A confiança, o respeito e a legitimidade dão mais solidez.  Um exemplo obvio e que a Constituição americana vem de 1789 enquanto o calhamaço de defesa de interesses (A Constituição) do Brasil vem de 1988, ou seja, só aí 200 anos de diferença.   Há, sem duvida, uma historia institucional que ate agora vem favorecendo e modelando lideranças.  E’ obvio que o poder econômico e outras influencias também competem e comprometem, mas o sistema ainda funciona.

Liderança pressupõe também liderados.  E na politica, as pessoas apoiariam o líder através de participação partidária e participação eleitoral.  E o apoio vem com a expectativa de um retorno material e também moral.  O líder deve entregar beneficios reais e ideais para seus seguidores.  Dilma perdeu quando não conseguiu mais fazer a distribuição de benesses e falhou outra vez na total falta de coerência ideológica e programática.

Por mais que a Presidente Dilma proclame sua inocência, ainda há a percepção que ela pode não ter cometido o crime, mas os roubos e desvios acontecerem quando ela tinha responsabilidade e comando.  Não e’ aceitável repetir a exaustão que não sabia ou não via.  Pode se querer acreditar que as pessoas são honestas, mas quando entram na esfera publica e na politica, aí já gera no Brasil a desconfiança. E Dilma que nasceu em Minas, tinha que desconfiar.  Isso porque a historia de manipulação, roubo e atos ilícitos vem de longe.  Poucos políticos conseguiram manter a boa reputação.

Os episódios finais do processo de impeachment no Senado são tristes.  Dilma tentou se defender, mas ainda se tem a impressão de que ela não contou nem a metade do que sabe, e não teve coragem de desafiar, a não ser através da repetição patética de que foi vitimada por um golpe.  Ela não contou por que não sabia das coisas, e se ela realmente não sabia, e’ porque não quis saber, o que a deixa no papel de coitada.

Ela teve a oportunidade de ser uma grande figura, a primeira mulher eleita para a presidência com seus 54 milhões de votos.  Eh triste observar que Dilma não liderou e não comunicou uma visão coerente.  Ela tentou projetar a imagem de pessoa idônea e autentica, mas nunca assumiu nenhuma responsabilidade pelos atos nefastos ocorridos em sua administração, e assim se auto-destruiu como líder.  Em vez de ajudar na construção de instituições e processos, ela as manipulou para ganhar uma eleição, e no segundo mandato foi omissa na sua participação como chefe institucional, justamente quando a situação econômica ruiu, pelo menos em parte, por suas próprias medidas administrativas.

E hoje, ela não e’ mais presidente e perdeu o cargo da liderança para um vice, cujas ações não correspondem as suas palavras.   Assim o impeachment constitui mais um capitulo triste de um pesadelo ainda sem fim.

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2 comments on “Falta de Liderança

  1. Colltales says:

    Muita verdade em suas observações, como sempre, Steven. Um das causas para a falta de lideranças tanto no Brasil quanto nos EUA é que política não é ensinada, ou aprendida, nas escolas. Estas se tornaram pequenos estados autoritários e caros, que permitem pouca dissidência. Há também esta percepção, correta mas disseminada capciosamente por uma certa mentalidade anti-democrática, de que política é ‘impura,’ suja, e portanto, não merece nosso apreço. O que é um equívoco; o que poucos percebem é que ao comprar uma guloseima, escolher uma profissão, e mesmo nossos círculos sociais refletem escolhas políticas feitas diariamente, mesmo que inconscientemente. Ou seja, enquanto declaramos que somos ‘apolíticos,’ estamos fazendo escolhas altamente politizadas, ou permitindo que outros as façam em nosso nome, o que de certa forma é pior, e ignorância a este respeito não pode servir como justificativa.
    Pode ser uma característica dos tempos em que vivemos; muitos dos líderes que marcaram época nos anos 60 e 70, ao menos no ‘ocidente,’ tinham sido também líderes estudantis e comunitários. No caso do Brasil, muitos se exilaram, e em sua maioria, se decepcionaram com a política. Quem pode condená-los por isto? No meio tempo, estamos entalados com uma geração mal informada e criada em privilégio, que entra pra política pra tirar vantagens pessoais. A idéia de sacrifício e idealismo de servir nossos semelhantes é alienígena para eles, e está ausente mesmo, e até principalmente, naqueles que se declaram cristãos. Líderes são natos, mas às vezes as condições forjam a liderança mais apropriada para a conjuntura. Talvez isto aconteça no Brasil, e que seja o mais rápido possível. Abraço

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    • Wesley, obrigado. Gostei muito do lado esperancoso das ultimas frases. De alguma forma, atraves das escolhas e da vida, vamos nos formando e talvez melhorando aos poucos. O processo e lento e as estruturas e certas elites impedem o avanco….mas vai!

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