10 Pontos – De Volta ao Futuro

É sempre interessante quando retornamos ao pais depois de algum tempo.  A imagem do Brasil no exterior não é boa e ao nível superficial as noticias não são animadoras.  Desde o inicio do ano, assistimos basicamente coisas negativas do tipo das chacinas prisionais, números pouco animadores na economia como vendas no varejo e desemprego e ainda manobras políticas que podem atrapalhar as tentativas de tolher a corrupção ainda sem freio.

Com isso, fiz uma lista de 10 pontos que vem a cabeça e oferecem algo para debate ou reflexão.

  • Lava Jato tem sido muito salutar e a Republica de Curitiba talvez consegue institucionalizar alguns avanços. Entretanto no quadro geral representa uma exceção e talvez esteja chegando a um ponto de “diminishing returns”.
  • Como exceção, Lava Jato só sobrevive com respaldo popular e o interesse principal da população no momento é a economia. Na medida que a economia melhore (estamos talvez no final do ciclo recessivo depois de mais de 2 anos) a retomada de crescimento e a necessidade de criar trabalho tendem a tomar o espaço das investigações.
  • O Presidente Temer apresenta uma estratégia que está funcionando no Congresso no sentido de trocar reformas importantes como controle fiscal, previdência, e impostos em troca de proteção para os políticos corruptos.
  • As reformas têm um cunho antipopular, mas não há mobilização e consciência popular de densidade suficiente para fazer frente ao governo que oferece uma perspectiva de melhoria econômica. No quadro de acomodação, que é típica no Brasil, talvez basta apenas a promessa.
  • Traçando uma linha por Brasília no sentido Leste-Oeste divide-se o pais norte-sul. A composição do Congresso e especialmente do Senado favorece os setores mais tradicionais e conservadores.  Assim o Presidente cerca-se de coronéis, conseguindo o apoio político dos elementos mais retrógados do norte e nordeste, praticamente todos eles citados nas delações premiadas.
  • Temer não e só hábil nas suas relações com os políticos tradicionais mas acaba ganhando também respaldo do PT que o apóia em troca da diminuição da eficiência da Lava Jato.
  • A equipe econômica do Meirelles vem ganhando a confiança do setor financeiro e dos grandes grupos econômicos. Os empresários tendem a reconhecer a necessidade das reformas, especialmente a redução da carga tributaria e presença do Estado. As chamadas “forcas produtivas” tem um peso.
  • A pinguela é estreita mas não há alternativa a não ser atravessar com o sem Temer. E a alternativa de tirar o atual presidente não é de fácil digestão já que as alternativas são talvez piores.
  • É obvio que o governo não tem popularidade e enfrenta crises constantes mas isto é nada mais do que a situação típico e tradicional do Brasil, principalmente em época de vacas magras.
  • Ha uma colisão em curso entre a necessidade de modernizar e a resistência do tradicional e retrogrado. O comentarista Vinicius Torres Freire escreveu na Folha de São Paulo em 10 de fevereiro: “Enquanto houver ‘reformas’, os donos do dinheiro grosso e seus porta-vozes aprovam tácita ou explicitamente o acórdão.” Se “eles” aprovam, as camadas da sociedade com menos poder político/econômico, de apenas relativo poder de mobilização e sem visão de alternativas, acaba acomodando.  Então paciência, pelo menos ate as eleições de 2018.  E aí quem sabe que o Brasil consegue escapar do populismo a lá Trump ou dos evangélicos tipos IURD ou não.  Nota-se de passagem e levando em consideração populismo, Lula e o candidato mais popular e esta prometendo “to make Brazil great again.”maxresdefault

Vou deixar para os outros dizer: “Estamos perdidos

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