Descendo a Ladeira – 2018

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Imagem: Alexandre Figueiredo-Linhaca Atomica

Já me disse um amigo que o Brasil é o pais do futuro e sempre será.  Assistimos atônitos o pais em crise e para piorar, nem o futebol se salvou.  Machado de Assis descreveu o país no seu conto mais famoso – O Alienista.  Aí descobriu-se que todos pertencem ao manicômio.  Enfim é um pais de loucos e de loucuras.  Como explicar a condenação de um ex-presidente e depois o ping-pong da solta/não solta.  Como entender um presidente negociando favores com empresários na calada da noite no próprio palácio?  Como entender as extravagancias dos políticos e burocratas num quadro de total escassez de recursos?

As instituições: executiva, legislativa e justiçaria estão em frangalhos.  Vem daqui a pouco as eleições e o candidato mais popular é o nulo ou voto em branco.  Quem pode, está votando com os pés e mudando de país.  No inicio do ano, as previsões oficiais para a economia era um crescimento acima de 2%, nada espetacular, mas pelo menos acima do crescimento demográfico.  Atualmente 1.5% e a previsão máxima e com a população expandindo em torno de 1.7%, cada pessoa esta ficando mais pobre individualmente.

Desde a eleição de 2014, propaga-se que as instituições estão funcionando.  Dilma ganhou a eleição e foi empossada apesar dos protestos, choros e ciladas do Tucanato.  Seu impedimento também supostamente ilustrava legalidade e procedimentos corretos com as votações na Câmara e no Senado.  Entretanto, engana-se quem achava que teria uma melhoria qualitativa com o novo governo (saído do bojo do velho).  O atual presidente se mostrou tão ou mais comprometido com as praticas nefastas e em vez de reforçar a justiça ou o legislativo, o governo acabou promovendo a continuidade da descida.

No inicio da Lava Jato, o judiciário apresentava-se como o núcleo solido guardião da lei.  Tanto os promotores públicos quanto aos juízes e desembargadores orgulhavam-se da continuada profissionalização, competência e isenção na aplicação da lei.  Mas vemos os “doutores” e togados cada vez mais politizados.  Talvez o exemplo mais claro é o STJ que está divido em torcidas.

A administração atual procura apoio apontando o baixo índice de inflação, mas fecha os olhos para a inflação, que só está aparentemente sob controle pelos efeitos nefastos da falta de crescimento de demanda e de empregos.  Há estimativas que o Real que já beira aos 4 reais por dólar vai acima de 5 em 2019.  Assim o encadeamento negativo elevara fatalmente a inflação e a estagnação persistira.

Machado falava de alienação como estado psicológico, mas também há alienação de produção e patrimônio.  No momento, o Brasil esta liquidando.  A Petrobras esta se desfazendo de ativos importantes, a Boeing esta no processo de comprar a Embraer e a Braskem também esta no bloco de vendas.  O Brasil numa posição de fraqueza, se rende ao capital internacional.  Os nacionalistas de esquerda e direita choram, mas não tem ideias alternativas ou quando tem não batem com a realidade.   Tem propostas de aumentar os impostos, cobrar as dividas (INSS), e nacionalizar setores produtivos, mas não enxergam bem as consequências.  Esquecem que o estado e as empresas estatais e paraestatais refletem a sociedade desigual. A produção, consumo e distribuição dentro do estado aumenta em vez de atenuar a desigualdade.  Os salários, gastos e despesas muitas vezes são desproporcionais a produção e retorno.  Quem esta dentro da maquina quer defender a unhas e dentes os benefícios consagrados (muitas vezes em lei e até na Constituição) e todos, independente de suas orientações politicas, querem uma boquinha.  Veja como exemplo a indústria de concursos públicos.

Num pais de mais de 200 milhões de habitantes e dimensões continentais, há sempre oportunidades e iniciativas.  Entretanto, a descida da ladeira demonstrado pelo o desaparecimento de centros de excelência, a estagnação da educação, a insegurança pessoal, a falta de um sistema de saneamento básico e as precárias condições de saúde além do declínio econômico e politico evidenciam a crise.  Enquanto o Brasil não encara de frente seu conflito histórico entre liberdade e igualdade não há perspectivas a não ser a continuidade de soluções parciais e incompletas.  A desigualdade e tão gritante e tão enraizada que a sociedade acaba se acomodando na mesmice de sempre.  Ao mesmo tempo, o Estado e a sociedade restringe a liberdade das forcas de mercado que poderiam acelerar a produção e o crescimento.  Os partidos e os candidatos se recusam a encarar o problema, procurando ficar apenas em chavões que não agradam ninguém.  O México com AMLO tem agora pelo menos um presidente eleito com maioria de 53 e apoio majoritário no legislativo com um programa de esquerda, embora com risco de cair no populismo fácil ao curto prazo.  O Brasil por sua vez não tem candidatos com programas nítidos.  Enquanto isso no final da ladeira tem o precipício, senão …

Se a população, a sociedade civil, as organizações coletivas, os indivíduos, empresários e trabalhadores se unissem, talvez possam encontrar um caminho.  O Brasil é uma sociedade coletiva e as pessoas querem fazer parte de algo, para encontrar o sentido do que é ser brasileiro, que seja algo além de um complexo de inferioridade.

 

 

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One comment on “Descendo a Ladeira – 2018

  1. Waltirio Nogueira says:

    Very good article, telling the true about Brazil!!!!

    Like

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