Bala, Fogo, Faca e Acomodação: O Choro é Livre

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Foto: Reuters

O Brasil tem uma reputação de ser o paraíso cordial. Entretanto, está complicado.  Alem de milhares de crimes e homicídios anuais, os hidrantes para combater incêndios nunca tem água.  Desde meus tempos de menino, me pareciam inúteis. Faltava e ainda falta também o básico: saneamento, segurança, saúde, escolas e mais um pouco de tudo, principalmente responsabilidade.

Era uma vez, e o país estava em construção mas perdeu o caminho.  (Será que foi culpa dos ianques imperialistas e do ano 1963 quando cheguei?  Duvido mas tem gente que acha e querem que a culpa seja dos outros.) Será que foi quando Tancredo  morreu?  Será que foi o golpe?  Ou foi culpa dos Portugueses? Será que importa?

E as tragédias da semana chocam.  Mas dai?  Vai mudar algo?  O Brasil assiste passivo e acomodado o desaparecimento das florestas, a poluição das águas, o extermínio de culturas indígenas, o roubo dos bandidos, dos políticos, dos quem podem e muitas outras desgraças.  A polícia matou 5 ou 6 rapazes dentro de um carro no Rio o ano passado e não aconteceu nada.  A vereadora do Rio foi brutalmente assassinada e seis meses depois nada.  Um meliante idiota fugiu com um carro arrastando atrás uma criança que morreu triturado e nada.  Um atirador oficial de helicóptero matou um menino de uniforme escolar e nada. Você sai na rua e separa o dinheiro para o assaltante e nada.  Você paga um condomínio alto e o elevador não funciona.  Você paga impostos e cadê os serviços.  E nada!  O museu pegou fogo…outra vez!  E nada!

Vamos pensar bem.  O brasileiro assiste passivo, besta.  Não faz nada.  Será que é covardia ou só falta de opção.

Em menos de um mês vem a eleição, quando serão escolhidos presidente, deputados federais, senadores e governadores. O foco da campanha está na presidência, mas o que importaria em termos de mudança seria o Congresso e as Assembleias.  O Congresso não vai renovar e as poucas associações locais são pulverizadas, controladas ou sem densidade e recursos.  Reina o pessimismo e não sem razão.

Quantas pessoas precisam morrer?  Quantas arvores precisam cair?  Quantas pessoas precisam tornar vitimas?

Sim, o Brasil continua cordial, em família, na turma da praia, na mesa do botequim, na torcida do time, mas não abre a boca lá fora e não perturba, senão vai ser agredido talvez só verbalmente, talvez só na gozação mas pode ser também de outra forma.  Todo cuidado é pouco.

Tranca tudo a sete chaves e não confia em ninguém.  Talvez só Jesus salva mas desconfia do Bispo.  Enfim espera a eleição passar, prepare o passaporte e mala para escapar.  Leva sua idéia do Brasil contigo que a idéia no Brasil já não existe.  Veja se lá fora melhora e assuma a responsabilidade que ninguém quer assumir no Brasil.

E boa sorte que você merece por sofrer tanto!  Mas não se acomode mais.

Nada original, mas o choro é livre enquanto a gente reconstrói a esperança que a eleição deverá celebrar.

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