Bolsonaro e Trump: O Brasil pode ser relevante?

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Presidente Bolsonaro está em Washington acompanhado de ministros e assessores incluindo o filho “diplomata” e Senador Eduardo.  A reunião de Trump e o Presidente do Brasil está marcada para terça feira, 19/3.  O Chanceler Ernesto Araújo já se declarou admirador do Presidente Americano mas ao mesmo tempo parece mais alinhado filosoficamente com Steve Bannon e Olavo de Carvalho.  É notório aqui que Trump tem interesses e não amigos e que Bannon talvez já foi útil, mas no momento está as margens.  Então a propagada convivência entre Bannon, Carvalho e Araújo não resultará em nada a não ser uma confraternização anti-globalista.  Em termos diplomáticos, o mais importante para a política americana é a resolução da crise na Venezuela, mas do lado brasileiro, o Ministro Araújo perdeu preeminência a favor do Vice Presidente General Hamilton Mourão.  Pompeo, concederá na agenda dele um espaço para o Embaixador Araújo mas já sabendo que ele é “damaged goods” e assim de importância diminuída.

Não tenho a agenda do Ministro Paulo Guedes.  Com certeza deve ter um encontro com Steve Mnuchin do Tesouro americano onde pautara o progresso da reforma da Previdência além  da tentativa de abrir o mercado brasileiro para investimentos americanos.  Mas os fatos persistem e quem pensa em por dinheiro no Brasil ainda está na espera para ver como é que vai ficar.   O Ministro das Minas e Energia, por sua vez, está sinalizando a abertura para investimentos em energia nuclear e urânio.  Guedes e Bento Albuquerque ainda vão acertar garantias (para os EUA) para o aluguel de Alcântara como base de lançamento de satélites.  É algo bom para os EUA e talvez renda um trocado para o Brasil.  Além disso, talvez os sul americanos consigam parar os lançamentos que terminam em explosões.  A ver.

Não há notícias de um Free Trade Agreement entre Brasil e os EUA.  Teve um pequeno avanço com um acordo sobre a tributação previdenciária mas ainda não ha nada sobre Imposto de Renda, o que complica a vida individual e de empresas dos dois lados.  Os Estados Unidos já foram o primeiro parceiro comercial do Brasil.  Mas a China superou os americanos há quase duas décadas, como consumidores dos principais produtos do Brasil: óleo, ferro, soja e celulose ou seja, commodities que os americanos também tem.

Os Estados Unidos estão se tornando um exportador de petróleo e gás, sendo ainda o maior produtor de soja.  Depois do Canadá, o Brasil é o segundo maior fornecedor de minério de ferro para os EUA, mas  o mais importante consumidor de ferro do Brasil  é a China.  Concorrência e conflitos existem, portanto, entre os dois países.

O Senador da Florida, Marco Rubio que depois de derrotado por Trump, tornou-se seu interlocutor para a América Latina mas Rubio mal conhece o Brasil, a não ser pelas laranjas (as frutas e não os “laranjas” da família de Bolsonaro).

Ha fábricas boas no Brasil, que fazem bons produtos industriais, mas normalmente não competem com similares chineses e talvez seria prudente esperar que a guerra comercial entre Trump e China abrisse alguma possibilidade. Entretanto, as empresas mais dinâmicas do Brasil, tipo Braskem, WEG, Gerdau e Tramontina já tem fabricas e distribuição nos States.  As companhias fazem parte da economia globalizada que os “Trumpistas” querem combater.

No lado do setor primário, se sobressai o café, que não tem concorrência americana como a soja, a cana, o milho e o arroz.  Já a carne é um caso especifico,  com a liderança de mercado de JBS , que comprou varias empresas americanas, além de redes de abatedouros.  Por outro lado, resta saber se vai ter caixa com a investida de Paulo Guedes contra o BNDES.

O Ministro Moro, por sua vez, acaba de sofrer mais uma derrota no Brasil com o Supremo votando 6 x 5 a favor de transferir os processos de Caixa 2 para a justiça eleitoral, já que estranhamente para o Supremo, Caixa 2 não é corrupção.  Resta ao Moro conjuntamente com seu amigos do FBI, resolver como os turistas americanos podem chegar no Brasil sem visto.  Em compensação, o Brasil poderá participar da Global Entry, um programa dos USA, o  qual não e novidade nenhuma, pois já é  usado por brasileiros, faz tempo.  Então, a famosa reciprocidade sempre exigida pelo Itamaraty, não tem peso.  O Brasil também deve se comprometer a prover mais informações aos Estados Unidos sobre seus cidadãos, e por quem passa pelo Brasil.  Enfim, as denuncias sobre a atuação da NSA (revelados por Snowden), que impediram a visita de Estado da Presidente Dilma, já foram ao que parece, esquecidas ou superadas.  A ver  as reações da ABIN e dos militares.

Enfim, Trump está preocupado com a sua reeleição.  Ele tem simpatia por Bolsonaro pelo apoio de Bolsonaro ao Nethanyahu e a postura anti-global.  Com certeza, Trump dificilmente sentira a mesma intimidade que tem com o ditador da Coreia do Norte e provavelmente vai desprezar o sapato ou corte de terno do Presidente Bolsonaro.  Assim, a visita não será mais do que protocolar.  Hoje há pouca visibilidade na imprensa dos USA,  o que indica que será rapidamente esquecida.  Talvez Trump resolva nomear um embaixador para o Brasil, o que seria progresso, mas a América Latina normalmente não está no mapa cognitivo do Mr. President.

O Brasil atual se encontra atualmente entre ser irrelevante, ou ser mais um @#$%hole.  Talvez ser irrelevante em Washington seja a melhor das opções.  Cabe a expressão e postura americana de “benign neglect”, onde talvez o Brasil venha a se tornar eventualmente um destino relevante, com praias boas, um futebol razoável, e um povo bonito e alegre.

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