De Volta (Ao Passado)

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Faz um pouco mais de uma semana que cheguei do Brasil.  Passei 3 semanas viajando entre São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Campinas.  Enfim as cidades do Sudeste do pais e a região, em principio, mais rica.

Quem me lê com certa freqüência, sabe que sou normalmente bem otimista com relação ao Brasil, suas cidades, seu dinamismo e seu potencial.  Entretanto em abril e maio de 2019, a impressão que tive me lembrou exatamente de 1990.  Collor havia assumido a presidência com a promessa de caça aos “marajás” e com um projeto para “consertar” o Brasil de suas deficiências promovendo uma abertura no comercio internacional para melhorar as “carroças” fabricados na época com novos modelos de veículos.  Collor implantou o confisco de marco de 1990 como tentativa fracassada de controlar a inflação e cumprir suas promessas.  Infelizmente, o Brasil continuou com a hiperinflação e o Presidente sofreu “impeachment” por motivos de corrupção.

A grande diferença de hoje é que a inflação ainda está sob controle e há uma consciência, um conhecimento, vontade política e mecanismos disponíveis no Banco Central e no Ministério da Economia que vem evitando um novo ciclo de hiperinflação.

Mas a economia não recupera e hoje existe o perigo de voltar para um crescimento negativo.  A expansão pífia desde o final de 2016 vem apesar da derrocada da Dilma e do final do governo tampão do Temer.

A falta de crescimento vem basicamente da falta de confiança.  Quem investe ou quer investir ou quem produz ou quer produzir está basicamente desconfiado sentindo a falta de previsibilidade.  Há talvez uma certa confiança que a reforma da previdência vai passar.  Mas ninguém sabe o tamanho e o impacto real.  Enquanto isso as outras reformas, por exemplo, das leis trabalhistas, e a simplificação dos impostos não saem do chão ou ficam sem impacto maior.

Embora o Presidente Bolsonaro tem sua legitimidade com seu 58% do votos validos, ele e sua administração vem desperdiçando tempo e recursos.  Medidas inócuas como acabar com o horário de verão passam enquanto as manobras políticas e cortes mal explicados em outras áreas como educação acabam criando problemas e solapando a capacidade administrativa.  É muito curioso observar a briga interna entre os militares e ministros e administradores nomeados.  Pior ainda, parece que o Presidente não tem o gosto e nem a capacidade política para apaziguar os ânimos e fazer progredir um projeto positivo.

Haviam dois super ministros: Paulo Guedes e Sergio Moro.  Moro já perdeu o seu status de “super” e hoje está longe do prestigio que tinha como o “juizão” da Lava-Jato.  Paulo Guedes destaca ainda mas sua atuação acaba sendo prejudicado e limitado pelas atrapalhadas da administração como demonstrou muito bem o caso do aumento dos combustíveis em abril.

Sem coesão e articulação política no Congresso, o Presidente é incapaz de cuidar melhor da imagem do Brasil no exterior.  Assim fica muito difícil o Brasil organizar seus recursos internos e ainda conseguir um fluxo de investimentos estrangeiros que são necessários, ainda mais, num pais que não consegue fazer poupança interna.  Guedes está apostando suas fichas nas economias da reforma mas isso só vira a longo prazo.  Ele também espera arrancar recursos do setor energético através das privatizações e da exploração de óleo e gás.  As duas alternativas podem dar um alento mas a economia do Brasil é e bem complexa não pode depender de um só setor ou produto.  O motor do Brasil é de 8 cilindros mas no passado recente apenas um ou dois pistões estão funcionando.  As tarefas da equipe econômica são complexas e de difícil solução mas o trabalho político é ainda mais importante. Mas no quadro de hoje as divisões e brigas impedem a recuperação normal.  A previsão normal que o pais cresça a 3 % ao ano e na realidade ele mal supera 1%.

Vejo em conversas com empresários e investidores a vontade de progredir.  Com a lentidão interna, muitos estão olhando para o mercado externo mas também pensando na emigração.  E aí reside um grande perigo porque o Brasil perde talento e a situação interna não está favorecendo porque só existe a iminencia de cortes e dificuldades.  Os desafios são imensos e há setores governamentais e empresariais avançando apesar dos pesares.  Veja por exemplo o caso do Ministério de Infra-estrutura que pratica uma boa cooperação entre o privado e o publico.  Entretanto, é pouco.

Atualmente, a economia mundial avança com muitas oportunidades nos EUA, na Europa e ate na Ásia.  Algumas empresas como a Gerdau, a WEG, Klabin e outras avançam mas no geral os empresarios estão confiança e animo apesar do reconhecimento do caminho.

Minha expectativa é que empresas com nichos e com quadros pensantes vão sobreviver e progredir no mercado interno e externo.  O progresso seria maior se houvesse maior confiança no esquema político.  Paciência!  Vem eleições municipais em 2020 e com a lenta construção institucional e quem sabe o surgimento de novas e mais competentes lideranças políticas desvinculadas dos interesses que travam o desenvolvimento.

Talvez seja mais um sonho de um otimista do que expectativa real.

 

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