Uma Prova para o Brasil

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Nas decadas de  80 e 90, o Brasil começou a sentir fortemente o impacto de AIDS, outra doença fatal e traiçoeira que espalhava através do contato (sexual) entre as pessoas.  E apesar de dificuldades do sistema de saúde houve um controle e Brasil virou um exemplo positivo em como lidar com uma epidemia.  O país está diante de um novo desafio que apareceu sem aviso e cujas consequências são ao mesmo tempo previsíveis e imprevisiveis.  Em todos os países afetados pelo COVID19  e hoje são basicamente todos, há muitos conflitos e confusão em torno dos procedimentos e abordagens de proteção.  O governo chinês foi muito criticado por ter tomado medidas altamente coercitivas.  Nos Estados Unidos, o Presidente Trump também é alvo por lentidão e falta de preparo já que não existem kits de teste e mascaras suficientes para os médicos, os enfermeiros, os socorristas e os hospitais, sem falar da população mais ampla.  Na Itália, talvez atualmente a situação mais dramática, a sociedade demorou em entender os acontecimentos e agora está pagando um preço elevado.

No momento, há previsões negativas e talvez pessimistas para o Brasil.  Em primeiro lugar se o vírus alastrar, o risco de contaminações pode atingir milhões de pessoas com milhares de mortes, principalmente de idosos e pessoas com a saúde já comprometida.  O SUS pode entrar em colapso e a rede particular de hospitais e saúde também pode desmoronar.  Tudo isso muito preocupante e dramático.

Além da crise de saúde publica, vem como consequência a parada da economia.  As previsões oficiais já são de crescimento zero e ha muitas pessoas indicando uma recessão violenta com a economia perdendo em torno de 6% do produto nacional.  Com isso, a perspectiva é do aumento do desemprego já elevado com fechamento de empresas, quebradeira geral especialmente entre os pequenos negócios e possivelmente convulsão social com roubos, saques, tumultos e quebradeira geral.

As perspectivas não são boas e a hora de preparar já passou.  Entretanto algo precisa ser feito já.  A tendência no Brasil e contar com o Estado e pedir que o governo toma conta.  E certamente o governo deve ter um papel de planejar, prover informações, garantir a ordem publica e também prover auxilio aos mais necessitados.  Mais importante, especialmente se o governo não demonstra competência e presença é a ativa participação e liderança da sociedade civil.  Tem ter uma capilaridade de informações e recursos de cima para baixo e de baixo para cima.  Por exemplo, políticos municipais tem contatos com as associações comunitárias das comunidades de baixa renda devem divulgar informações e organizar preventivamente estoques de emergência e formas de distribuição.  As escolas que hoje estão sem aula podem ser centros no esforço.  As empresas tem seus trabalhadores que moram em comunidades ou em bairros.  Elas protegendo a forca de trabalho também se protegem.  Se as empresas podem trabalhar, elas devem tomar medidas como medir sintomas (temperatura etc.) e espacamento adequado para evitar transmissões.  A classe media tem zelar por suas famílias e seus agregados.  Ate hoje, a sociedade depende em larga escala de trabalhadores domésticos, não so as empregadas mas também os quebra galhos.  Muitos estão dispensando mas e preciso dar renda e ajuda.  Pense na sua responsibilidade e o que você individualmente pode fazer.  Observe bem sua consciência.  As igrejas podem ter um papel fundamental.  Alguns evangélicos com Silas Malafaia parecem me em insistir em manter cultos presenciais.  Se porventura surgir núcleos de contagio como aconteceu na Coreia do Sul, vao ter que fechar e então já sera tarde.  Refletem bem.  Os recursos arrecados pelas Igrejas (inclusive a Catolica que ainda é dominante) precisam ser organizadas de forma que podem ser distribuídas para quem precisa.  Muitos criticam a elite.  Com certeza comportamento dos ricos em países pobres muita vezes justifica o desprezo.  Entretanto, e preciso reconhecer que a postura pode e deve mudar.  Agora os empresários donos de grandes negócios, os banqueiros e os financistas também não tem interesse em ver o circo pegar fogo.  Aqueles que tem são uma minoria que deve fiscalizada e cobrada.  O momento tem que ser de união.

Vejo que há muitos comentários e alguma atividade seria em Twitter e na mídia social.  O debate é essencial mas também tem hora de parar e agir mas ação dentro dos parâmetros da lei, do bem senso e da civilidade.  Se não, pode confirmar a citação da Monica de Bolle, uma professora brasileira em Washington que em tradução para português significa: “Numa situação como essa, poderá haver uma rápida desagregação se as pessoas não confiam no governo e se sentem vulneráveis.”  Como disse no inicio, há uma tendência no Brasil do povo depender do governo mas há também frustrações constantes e a busca de quem (Bolsonaro? Lula? X?) faz uma promessa melhor.  Em vez disso, a sociedade tem que organizar e mostrar para o governo o que precisa ser feito.  Nessa dinâmica pode ter o risco de ruptura, mas não é necessário e nem desejável.  Tem que ter uma pressão da população e uma resposta resoluta e correspondente do governo. Sem uma resposta a altura, as consequências virão.

 

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