Tristes Tropiques or 10 Reasons Why People Love Jair Bolsonaro

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The past week has been eventful in Brazil to say the least.  Justice Minister and Lava Jato mega-star Sergio Moro resigned.  His resignation followed the ousting Health Minister Mandetta as the President has pushed to deny the health consequences of the Corona virus pandemic and senses that he can only lose more popularity if the economy remains shut down with social distancing practices.  The number of Covid19 cases continues to rise (over 50000 confirmed cases with more than 4500 deaths by April 27) and already major capitals such as Manaus, Fortaleza, Rio de Janeiro and Sao Paulo are running out of hospital beds, equipment and personnel trained to adequately treat victims.  The economy has grounded to a halt and Brazil, in spite of extraordinary spending measures, and will shrink at least 5% this year with no quick recovery or remedy in sight.  Moreover, Argentina is now threatening to drop out of the South American Free Trade Area known as Mercosur.

The impact of the deadly pandemic is obvious not only in the hospitals and cemeteries but also on how people are managing their individual activities to guarantee survival.  It is a time for political and economic leadership and President Bolsonaro occupies Brazil’s center stage.  His rating in the polls have dropped by over 35% of the population supports him.  In thinking about this, I believe we can look at the points that resonate with his followers.

First, Bolsonaro appeals to Brazil’s religiosity.  Brazilians are believers and ultimately they oppose those who do not have core beliefs in an Almighty God.  Bolsonaro’s theme is God above everything else and he confirms this almost daily.  He likes to repeat the cliché that “God is a Brazilian.”

Second, Bolsonaro appeals to patriotism also present in his slogan: Brazil above everyone.  This appeal to the nation is potent as it unites people against anything seen as a common enemy.  Thus, Bolsonaro and Ministers such Ernesto Araujo wave the flag against communists and their leftist supporters who have a foreign ideology detrimental to the Brazilian way.

Third, Bolsonaro is an advocate for Brazilian traditions.  He goes to Church, he was baptized in the Jordan River and supports Christians, both Catholic and evangelical.  He is against abortion and anything non-traditional.

Fourth, Bolsonaro enlisted in the Brazilian Army, trained as a paratrooper and although his highest rank was Captain, he was an ardent supporter of the military regime, as were the majority of Brazilians in the sixties and seventies.

Fifth, as a military man, Bolsonaro believes in authority and claims legitimate authority through his election with over 57 million votes.  He has taken the reins of government to reestablish everything that the previous leftist administrations had undermined.

Sixth, aside from having legitimate authority conferred by the ballot box, Bolsonaro is also authentic.  He credits God with saving him from death at the hand of a would-be assassin, he wades into crowds and to take pictures and shake hands unconcerned about contamination from some little virus that might cause, in his words, a slight cold.

Seventh, Bolsonaro crusades against the corrupt.  He not only rejoices with Lula’s condemnation and prison term and attacks the malfeasance of past administrations going all the way back to 1985 for their stuffing of their pockets, taking advantage of the state apparatus, and draining away Brazil’s resources in the name of a socialist project that was nothing more than a cover for stealing from the Treasury and the people.

Eighth, Bolsonaro is manly.  For years, he has advocated for the strong hand of the patriarch.  He would cast out any son who might show signs of being effeminate and believes that anything LBGT is not an individual lifestyle choice but rather a communist conspiracy to break down family and religious values.  His symbolic use of his hands as pistols shows that Brazilians (especially men) have the power to protect their women, their families, and their property from the onslaught of criminals and the left who have in the past worked in conjunction.  Loosening restrictions on handguns and their use is another of his trademarks.

Ninth, Bolsonaro sees his family as a model for Brazil and something to be not only protected but promoted.  Thus, shows of favoritism are only natural for him.  It makes sense for his youngest son to work as his assistant in Brasilia controlling his social media and creating an aura of natural, yet legitimate, dominance.  It is completely normal to want another son to be his ambassador to Washington.  As Bolsonaro states, he is the Constitution and thus has the authority to do what is perfect in benefit of his office and his family and by extension the nation.

Tenth, aside from politics and being raised (by the hand of God) to Presidency, Bolsonaro is a man of the people.  He dresses in popular style going up the ramps of the Palacio in his flip-flops and shirt of the National team.  He enjoys Coca-Cola with his rice and beans.  Every weekend there is a Brazilian churrasco with the sons, their families.  The TV is turned on to the game and everyone has a beer or perhaps a caipirinha in hand. 

While some now call for the impeachment of Bolsonaro, it seems smart to consider if this is actually a real option in the current context.  The President has been rude, bombastic, erratic in behavior and has many defects, but he also reflects the culture where he is rooted and still appreciated by a significant parcel of the population.

Here is a link to a Data Folha survey confirming Bolsonaro’s levels of support: https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2020/04/28/datafolha-revela-que-falta-rua-para-o-impeachment.htm

 

Cê Senta e Espera ou Solidariedade e Capilaridade – Vírus do Brasil

 

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Foto de solidariedade com o mundo mas, e entre os brasileiros?

“Os homens não têm muito respeito pelos outros porque têm pouco até por si próprios.” (Leon Tolstoi)

As Promessas

O Ministro Paulo Guedes deu uma entrevista publica para XP na semana passada.  (Veja o link.) https://www.youtube.com/watch?v=voghPHGSPms

Na minha opinião o Ministro foi inteligente e consistente e apresentou um elenco de medidas emergências.  Segundo ele o valor de transferências atinge acima de 700 bilhões de reais, um bom dinheiro mas menos de 10% do PIB.

As medidas precisam aprovação pelo Congresso e hoje, segunda-feira, dia 30 o Senado aprovou a liberação de 600 reais (corona voucher) durante 3 meses para trabalhadores autônomos.  E há outras medidas por vir.  Basicamente a ideia econômica seria prover auxílio para a população pobre, principalmente autônomos, ambulantes, e trabalhadores sem carteira assinada.  Além disso, o Ministro prometeu medidas várias para irrigar o sistema financeiro provendo liquidez.  Os empresários podem buscar no sistema bancário empréstimos a juros baixos que devem permitir a manutenção dos empregados.  Ademais o Ministro prometeu flexibilidade de negociação com empregados e que o governo completaria o pagamento do empregado quando o empregador oferece um salário menor.  A ideia seria manter o emprego e se o patrão pode continuar pagando 80% do salário, o governo completaria os 20% durante um certo período, talvez 3 meses.

As Dificuldades

Como tudo, num país como o Brasil, o problema reside nos detalhes, especialmente da regulamentação e da adaptabilidade do sistema financeiro.  Hoje em dia, como é que a gente faz?  Se estamos praticando isolamento horizontal, não podemos ou não devemos ir à agência.  Uma vez na agência, temos que deixar o telefone, chaves e demais pertences só para entrar no banco.  Uma vez lá dentro, tem que sacar a senha.  Se for idoso/a ou gravida, tem o atendimento prioritário.  Não deve demorar mas a situação não está normal e quem não tem prioridade deve ter uma fila grande e imagino com os funcionários sem muita orientação.  Haverá gerentes e funcionários treinados e disponíveis?  E para o pessoal pobre que nem conta bancária tem?

As Alternativas

Sabemos que o vírus espalha de forma exponencial na sua fase inicial e se não confrontado.  Seria possível tentar competir com o vírus através de soluções apoiadas em sistemas já existentes?  Qual capilaridade existente ou nova poderia servir? A estrutura de ajuda de Bolsa Família já existe e funciona.  Por que não aumentar emergencialmente o pagamento.  O sistema SUS é por enquanto bastante funcional e vai ser testado enormemente pela crise, mas por que não se usar o cadastro SUS como outra alternativa de distribuição de renda ou pelo menos de algum serviço a mais.  As igrejas tanto evangélicas quanto católicas são pontos críticos de reunião e apoio.  Seria interessante que o dízimo voltasse para os mais necessitados.  As associações comunitárias, os clubes recreativos, e os clubes esportivos bem como as torcidas organizadas também poderiam contribuir talvez através de distribuição de comida.  Da mesma forma, sindicatos, embora tendam a representar uma certa nata da classe que trabalha, e não os mais necessitados, podem também ser instrumentos de apoio para programas governamentais para atenuar a crise.  Todas essas entidades fazem parte da sociedade civil e só dependem de si para mobilizar.  E ainda tem os partidos políticos e senhores/as Senadores, Deputados, Prefeitos, Vereadores que poderiam abrir mão do fundo partidário

Solidariedade

Em duas ou três gerações, o Brasil cresceu muito e modernizou. Apesar disso, os traços da sociedade patriarcal e patrimonial ainda são fortes.  Havia e há ainda relações de dependência entre patrões e empregados como entre senhores e servos.  A expectativa no passado era que as relações imediatas poderiam ser um remédio.  As domésticas eram consideradas “parte da família” e os empregados muitas vezes tratados como agregados na pequenas e medias empresas. Com a modernização, essas relações primarias foram se acabando, mas ainda existem.  E hoje, a sociedade e os indivíduos precisam escolher entre a solidariedade e o isolamento individualista do egoísmo.  Felizmente, há indicadores que pessoas com recursos estão pagando empregadas para não trabalhar e não vir ao serviço.  Da mesma forma, pequenas e medias empresas estão tentando manter os empregados.  A escolha da solidariedade pode representar capilaridade, como sustento por algum tempo, de pessoas que não podem sobreviver sem a ajuda. Não é caso de pessoas sendo exploradas por outras, mas uma ajuda solidária em um tempo excepcional.  Se cada um repartir uma parte de seus recursos com pelo menos uma outra pessoa com algum tipo vínculo seja através de família, empresa, culto, clube ou outro, podemos esperar atenuar a crise de saúde e também econômica e social que está por vir.

Isolamento solidário

Isolamento e solidariedade são contraditórias por excelência.

Para ilustrar, suponhamos que você normalmente tem um empregado, o qual você terá que dispensar. A questão e se você poderá continuar lhe pagando pelo menos parcialmente mesmo sem trabalhar.  Sabemos que o seguro desemprego, se existir, não será suficiente.    Se você é empresário, tentará usar a ajuda do governo mas também procurará manter o empregado mesmo com salário parcial.  Isto é o isolamento solidário, ele em casa mas com o vínculo mantido.

Se você participa de alguma igreja, associação, clube ou sociedade voluntaria, você pode procurar saber como você pode contribuir.  Nas comunidades, as associações precisam também se organizar e compartilhar os recursos mesmo escassos, garantindo algum tipo de distribuição.  Nas comunidades onde as gangues e narcotraficantes são fortes, estes também devem compartilhar na ausência de qualquer poder alternativo.  Reporta-se por exemplo, as milícias reforçando a ordem de não sair de casa.

O Brasil tem grandes desafios e corre sérios riscos, especialmente se continuar como campeão da desigualdade social e econômica. Entretanto, poderá se reinventar com um novo paradigma de uma sociedade mais igualitária, mais solidária, multicultural e mais coesa em sua Brasilidade.

Acredito que essa solidariedade capilar poderá mover montanhas e despertar o senso comunitário humano, que fortalecido, terá melhores condições de combater o virus rapidamente e com sucesso extensivo também no combate a outros males da sociedade brasileira.

Seria esta uma proposta viável? Você tem uma outra proposta? Vamos ajudar detalhar?