Cê Senta e Espera ou Solidariedade e Capilaridade – Vírus do Brasil

 

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Foto de solidariedade com o mundo mas, e entre os brasileiros?

“Os homens não têm muito respeito pelos outros porque têm pouco até por si próprios.” (Leon Tolstoi)

As Promessas

O Ministro Paulo Guedes deu uma entrevista publica para XP na semana passada.  (Veja o link.) https://www.youtube.com/watch?v=voghPHGSPms

Na minha opinião o Ministro foi inteligente e consistente e apresentou um elenco de medidas emergências.  Segundo ele o valor de transferências atinge acima de 700 bilhões de reais, um bom dinheiro mas menos de 10% do PIB.

As medidas precisam aprovação pelo Congresso e hoje, segunda-feira, dia 30 o Senado aprovou a liberação de 600 reais (corona voucher) durante 3 meses para trabalhadores autônomos.  E há outras medidas por vir.  Basicamente a ideia econômica seria prover auxílio para a população pobre, principalmente autônomos, ambulantes, e trabalhadores sem carteira assinada.  Além disso, o Ministro prometeu medidas várias para irrigar o sistema financeiro provendo liquidez.  Os empresários podem buscar no sistema bancário empréstimos a juros baixos que devem permitir a manutenção dos empregados.  Ademais o Ministro prometeu flexibilidade de negociação com empregados e que o governo completaria o pagamento do empregado quando o empregador oferece um salário menor.  A ideia seria manter o emprego e se o patrão pode continuar pagando 80% do salário, o governo completaria os 20% durante um certo período, talvez 3 meses.

As Dificuldades

Como tudo, num país como o Brasil, o problema reside nos detalhes, especialmente da regulamentação e da adaptabilidade do sistema financeiro.  Hoje em dia, como é que a gente faz?  Se estamos praticando isolamento horizontal, não podemos ou não devemos ir à agência.  Uma vez na agência, temos que deixar o telefone, chaves e demais pertences só para entrar no banco.  Uma vez lá dentro, tem que sacar a senha.  Se for idoso/a ou gravida, tem o atendimento prioritário.  Não deve demorar mas a situação não está normal e quem não tem prioridade deve ter uma fila grande e imagino com os funcionários sem muita orientação.  Haverá gerentes e funcionários treinados e disponíveis?  E para o pessoal pobre que nem conta bancária tem?

As Alternativas

Sabemos que o vírus espalha de forma exponencial na sua fase inicial e se não confrontado.  Seria possível tentar competir com o vírus através de soluções apoiadas em sistemas já existentes?  Qual capilaridade existente ou nova poderia servir? A estrutura de ajuda de Bolsa Família já existe e funciona.  Por que não aumentar emergencialmente o pagamento.  O sistema SUS é por enquanto bastante funcional e vai ser testado enormemente pela crise, mas por que não se usar o cadastro SUS como outra alternativa de distribuição de renda ou pelo menos de algum serviço a mais.  As igrejas tanto evangélicas quanto católicas são pontos críticos de reunião e apoio.  Seria interessante que o dízimo voltasse para os mais necessitados.  As associações comunitárias, os clubes recreativos, e os clubes esportivos bem como as torcidas organizadas também poderiam contribuir talvez através de distribuição de comida.  Da mesma forma, sindicatos, embora tendam a representar uma certa nata da classe que trabalha, e não os mais necessitados, podem também ser instrumentos de apoio para programas governamentais para atenuar a crise.  Todas essas entidades fazem parte da sociedade civil e só dependem de si para mobilizar.  E ainda tem os partidos políticos e senhores/as Senadores, Deputados, Prefeitos, Vereadores que poderiam abrir mão do fundo partidário

Solidariedade

Em duas ou três gerações, o Brasil cresceu muito e modernizou. Apesar disso, os traços da sociedade patriarcal e patrimonial ainda são fortes.  Havia e há ainda relações de dependência entre patrões e empregados como entre senhores e servos.  A expectativa no passado era que as relações imediatas poderiam ser um remédio.  As domésticas eram consideradas “parte da família” e os empregados muitas vezes tratados como agregados na pequenas e medias empresas. Com a modernização, essas relações primarias foram se acabando, mas ainda existem.  E hoje, a sociedade e os indivíduos precisam escolher entre a solidariedade e o isolamento individualista do egoísmo.  Felizmente, há indicadores que pessoas com recursos estão pagando empregadas para não trabalhar e não vir ao serviço.  Da mesma forma, pequenas e medias empresas estão tentando manter os empregados.  A escolha da solidariedade pode representar capilaridade, como sustento por algum tempo, de pessoas que não podem sobreviver sem a ajuda. Não é caso de pessoas sendo exploradas por outras, mas uma ajuda solidária em um tempo excepcional.  Se cada um repartir uma parte de seus recursos com pelo menos uma outra pessoa com algum tipo vínculo seja através de família, empresa, culto, clube ou outro, podemos esperar atenuar a crise de saúde e também econômica e social que está por vir.

Isolamento solidário

Isolamento e solidariedade são contraditórias por excelência.

Para ilustrar, suponhamos que você normalmente tem um empregado, o qual você terá que dispensar. A questão e se você poderá continuar lhe pagando pelo menos parcialmente mesmo sem trabalhar.  Sabemos que o seguro desemprego, se existir, não será suficiente.    Se você é empresário, tentará usar a ajuda do governo mas também procurará manter o empregado mesmo com salário parcial.  Isto é o isolamento solidário, ele em casa mas com o vínculo mantido.

Se você participa de alguma igreja, associação, clube ou sociedade voluntaria, você pode procurar saber como você pode contribuir.  Nas comunidades, as associações precisam também se organizar e compartilhar os recursos mesmo escassos, garantindo algum tipo de distribuição.  Nas comunidades onde as gangues e narcotraficantes são fortes, estes também devem compartilhar na ausência de qualquer poder alternativo.  Reporta-se por exemplo, as milícias reforçando a ordem de não sair de casa.

O Brasil tem grandes desafios e corre sérios riscos, especialmente se continuar como campeão da desigualdade social e econômica. Entretanto, poderá se reinventar com um novo paradigma de uma sociedade mais igualitária, mais solidária, multicultural e mais coesa em sua Brasilidade.

Acredito que essa solidariedade capilar poderá mover montanhas e despertar o senso comunitário humano, que fortalecido, terá melhores condições de combater o virus rapidamente e com sucesso extensivo também no combate a outros males da sociedade brasileira.

Seria esta uma proposta viável? Você tem uma outra proposta? Vamos ajudar detalhar?

 

 

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