Previsões e Justificativas – Brasil 2022

Recentemente postei minhas previsões anuais para o Brasil em 2022.  (https://allabroadconsulting.wordpress.com/2022/01/21/11-predictions-for-brazil-in-2022/.

As Ideias projetadas aqui, poderao ser confirmadas ou não no desenvolver do ano.

Assim ficou previsto no blog:

Previsão 1:  Lula deve ganhar a eleição, em segundo turno, pelo seguinte: Lula comunica melhor do que qualquer outro candidato e tem base e partido organizado.  Ele tem carisma e apesar de ser idoso, possivelmente corrupto ou muito corrupto, mordido pela mosca azul e com tendências e pressões dos Petistas mais “radicais”, ainda é o politico mais popular.  Claro que ele tem um nível alto de rejeição, talvez em torno de 40%, mas Bolsonaro também tem e além disso, lhe falta popularidade por se apresentar como um machão tipo canalha que agrada apenas talvez 25% da população.  Portanto, ganhará quem o povo gosta mais.

Previsão 2: Alckmin como Vice.  Não está totalmente confirmado ainda mas ser vice encanta o ex-Tucano que tem gosto pelo poder.  E ele ainda representa politicamente, mais ou menos o equivalente a “Carta ao Povo” de 2002, que equilibra um pouco o excesso de estatismo e esquerdismo do Lula e a pressão do PT com o projeto de poder hegemónico.  Porem Lula, normalmente pragmático e cartesiano, especialmente em se tratando de sua eleição, usará seu domínio sobre os quadros do PT, para impor sua vontade.

Previsão 3: Trata-se da família Bolsonaro.  Basicamente o Capitão estará fora do poder, mas seus filhos continuarão em cargos eletivos.  Carlos como vereador ou outro cargo, Flavio no Senado e Eduardo como Deputado Federal.  Mais importante será a continuação do “Bolsonarismo” como movimento pautado numa suposta moralização, apoio as milícias e elementos da policia militar, uma agenda de segurança publica pautando armas para a população, e a utilização de recursos naturais, sem muita preocupação com o futuro ou o meio ambiente e as populações indígenas.  Um fracasso (repetição tipo Dilma) de um governo pós Bolsonaro abrirá caminho para a volta da família e/ou seus representantes.

Previsões 4 e 5: Não haverá golpe.  Bolsonaro fez muita coisa material para os militares.  Eles foram preservados na reforma da previdência, seus saldos foram reajustados, na media, mais do que o resto dos servidores públicos, não perderam vantagens conquistadas como a aposentadoria para as filhas solteiras.  Ademais, ainda há entre os oficiais mais graduados a noção das FFAAs como instituição de Estado e não de Governo.  O alto comando manterá a instituição e conseguirá se defender e se aprumar sem o custo da intervenção direta, e isso, mesmo num governo de “esquerda”.  Assim os militares vão aceitar um governo Lula como tão ou mais previsível do que o governo Bolsonaro, assim engolindo o sapo, mas cozinhando ele antes.

Previsões 6 crescimento, 7 inflação e 8 juros:  Conjuntamente pode-se justificar da seguinte forma: a. O país não vai crescer, porque não tem investimentos; b.  O governo, que é o principal motor, está quebrado; c.   O orçamento para 2022 está voltado para atividades de sustentação (folha de pagamento, seguro social, aposentadorias, pagamento de juros, etc.) e o pouco que sobra de investimento está sendo direcionado aos políticos basicamente do Centrão para obras locais. Veja o comentário de Paulo Paiva, ex-Ministro de Trabalho: “O orçamento público é um espelho refletindo o descompromisso das políticas públicas com o crescimento econômico. Políticos, corporações públicas e empresas privadas disputam entre si os recursos públicos, sem nenhuma preocupação com o impacto da ação do Estado no bem-estar da população.”

A ideia do Bolsonaro é conseguir os votos para sua reeleição.  A iniciativa de conquistar ou comprar políticos nada mais é clientelismo e não gera um efeito multiplicador na economia.  Haverá leiloes para obras publicas e tentativas de privatização mas os atrativos são pequenos e as resistências do setor publico são imensas.  Sem duvida, com o crescimento da economia mundial e a instabilidade politica, já ha o aumento do preço de petróleo que também contribuirá para uma inflação alta.  Isso indica um bom ano para Petrobras, embora ela ainda esteja se recuperando, depois do desastre do governo Dilma, portanto grande parte do dinheiro que entrara terá que ser aplicado para sanar dividas e não investimentos.  Com isso a previsão e de crescimento de 1% do PIB e inflação a 10% ou mais, ou seja: “Estagflação”: inflação da moeda, estagnação da economia.

Bolsonaro está usando manobras políticas e econômicas para fingir que não está rompendo o teto de gastos, mas os aumentos concedidos com fins políticos para os militares, o setor publico, policiais e políticos não têm lastro.  É verdade que o tesouro teve uma receita recorde mas grande parte do aumento da arrecadação deve-se a inflação, com um efeito cascata de custos e preços.  O Banco Central elevou os juros de 2% para 9.25% no ano 2021.  Assim o país voltou para os “bons tempos” da Dilma e taxa de inflação de dois dígitos.  Nos EUA, os juros da FED (Banco Central Americano) também vão aumentar a partir de março. Isso terá impacto negativo no Brasil e implicara na desvalorização do Real e a importação de inflação vinda de fora.  O aumento dos juros eleva o custo da divida interna e assim alimenta mais a inflação.  O filme passa em reprise e o Brasil sabe que o mercado, para se resguardar, transfere o peso da inflação para quem não tem como se defender. 

Previsão 9 investimentos: Diante da eleição e a dificuldade de prever o resultado, os investidores preferem esperar pela definição e saber para que lado andara a politica.  Assim os investimentos estrangeiros  entrarão para as atividades de empresas já existentes e com pouca atividade nova ou “green field”.  Por exemplo, os Chineses, continuarão investindo em linhas de transmissão ou atividades extrativas ou primarias.

Finalmente, itens 10 e 11: COVID e Diáspora.  O negacionismo do governo continua e, apesar disso, a população procura os postos de saúde e se vacina.  O que parece é que a população preza o SUS e lembra de campanhas bem sucedidas de vacinação com resultados positivos.  Assim quase 70% da população tem 2 vacinas e a grande maioria quer o “booster” e apoia a vacinação de crianças.  Além disso, a expectativa é que a energia do vírus acabara, uma vez que, não tenha mais a massa critica a infetar.  Espera-se que, até os meados do ano, pode-se viver sem o vírus ou pelo menos conviver com ele já com seus efeitos atenuados e administrados.

Enquanto isso, o Brasil com a população de 220 milhões participa das correntes migratórias mundiais.  As pessoas mais pobres nos países mais pobres querem ir em direção às oportunidades e recursos.  Atualmente, só nos EUA, há algo em torno de 2 milhões de brasileiros imigrantes legalizados ou não.  Com isso, a migração vai continuar por corrente onde os amigos e parentes puxam os novos.  Ao mesmo tempo, os problemas previstos nos itens acima “empurram” outros imigrantes para fora do pais, que tentarão uma vida tida como mais promissora.  Consequentemente, outros milhares serão novamente detidos nas fronteiras dos EUA.

Enfim, 2022 será mais um ano sofrido e inquietante.  Faltou prever aqui como o Brasil terminará a Copa Mundial em Qatar.  A ver, fica para os mais sábios e “espertos”.

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