Revolução, Golpe, Eleição e 31 de março

Num país como o Brasil, que não consegue encontrar o caminho para o desenvolvimento econômico e social, acabamos aceitando a falta de progresso e optamos por alternativas e saídas pessoais.  A perda de cérebros (brain drain) para o mundo desenvolvido é real.   Esta semana  em 31 de marco “comemora-se” 58 anos da intervenção militar que era celebrada com canhões e presidentes fardados.  O atual presidente Bolsonaro fará sua comemoração, trocando cadeiras entre os comandantes.  O ex-Presidente Lula e a oposição lembrarão dos anos de repressão.  A população geral gostaria de encontrar algo para comemorar (1 de abril?) mas em vez disto, enfocará  na “nova” inflação galopante  e dificuldades em todos os cantos.

Recebi a foto acima de um grande amigo,um pequeno empresário, que teve seu padrao de luz arrancado da parede, por um ladrão que roubou a fiação e o medidor.  E esta não é a primeira vez.  Será que meu amigo está se preocupando com eleição ou golpe?  Não creio. Ele só quer trabalhar com uma certa segurança e previsibilidade. 

A falta de recursos basicos define a pobreza e o subdesenvolvimento.  Há milhoes de pessoas que trabalham, que querem trabalhar, que querem estudar e que desejam coisas fundamentais como andar na rua sem ser molestado ou ter dinheiro suficiente para comprar pão, leite, arroz e feijão.

Para meu amigo, não adiantara chamar a policia.  Pelo menos não foi um assalto violento, o que tambem ocorre, e o prejuizo ele vai conseguir reparar.  O problema, entretanto, reside  na natureza correiqueira do evento.  E pior,  eventos desagradaveis de todo tipo continuam ocorrendo aparentemente com uma frequencia cada vez maior.

Critica-se tudo e todos mas não ha uma reação coletiva, que altere a situação.  A direita pode pedir a volta dos militares e armar a populacao toda, num faroeste de cada um por si e sem Deus no pedaço.  A esquerda pode contemporizar e culpar o governo, mas o fato é que a mesma situacao pendurou e piorou durante seu periodo de governo. 

A polarização política e a acomodação acabam sendo o resultado.  Entretanto, não adianta fazer revolução e nem golpe.  Em vez disto, a única alternativa é a de recomeçar.  No caso do meu amigo, ele vai comprar um novo padrão e fios.  No caso do Brasil, todo mundo vai ter que levantar e procurar como sobreviver.  Na política, vai ter a eleição e o resultado, embora mais ou menos previsivel, não vai resolver o problema, mas é o único passo que existe e vamos ter que arcar com o resultado.  Enquanto isso, ao poucos as pessoas vão tentando dificultar a vida dos ladrões tentando se proteger mais e aos seus bens, até mesmo um padrão de luz, que nao e facil de se roubar.  Ao mesmo tempo, tem-se que lutar para por os filhos na escola e reclamar por um ensino decente.  Tem-se que lutar pelo SUS, tem-se que preservar o que funciona e continuar acreditando nos centros de excelência, empresas sólidas e íntegras , que fucionam e produzem e indivíduos  sérios e honestos

Entretanto, apesar deste contexto negativo,  há condicões de mudancas positivas, embora trabalhosas..   Será necessária  a reversão de tendencias, e talvez  também  da revisão da prática politica,  com significativa participação democrática, pois sem ela, nada é possivel.  Então vale lembrar-se bem de 1964, de suas consequencias, para entao procurar um projeto ou um político, sabendo que tudo tem consequencias mesmo que imprevisiveis e não antecipadas.  Recordamos também dos eventos mais recentes, incluindo a corrupcao, que quase afundou a Petrobras, atingiu politicos e quebrou empresas “campeãs”.  Há que se lembrar ainda dos acertos e fracassos na abordagem legal, e da minima evolução cultural, dentro de uma estrutura institucional precária e incompleta.

Logo virá a eleição e, embora exista o cinismo corriqueiro, o voto com consciencia (em evolução também) torna-se fundamental, para a construção das possibilidades e a redução dessa polarização, que nada traz de positivo.

Existe todavia, um consenso geral, onde acredita-se que:

  1. O Brasil tem que melhorar a educação;  
  2. A economia tem que ser  mais competitiva e aberta a concorrencias;
  3. O Brasil tem que proteger o meio ambiente e a Amazonia no curto e  longo prazo e
  4. O Brasil precisa de reduzir a miseria e atenuar a desigualdade.

Se o Brasil conseguir ao menos canalizar o desejo coletivo em torno de 2 ou 3 destes argumentos, podemos garantir que, com o tempo, meu amigo deixará de ser vitima de roubos e pequenas agressoes,  estancando aos poucos a roubalheira e corrupcao de escala,  que não serão mais aceitas com tanta resignação.  Será que isto é pedir demais?