À Procura

Sempre misterioso e muitas vezes místico, o Brasil por falta de noção de si está sempre a procura de uma identidade.  As ideias antigas parecem que já não são mais adequadas: a modernidade chegou mas não vingou, o país tropical bonito por natureza já não convence, o país do futuro não confia em si.

Aqui e acola, ha pontos de inflexão.  A Embraer, por exemplo, depois de ter sido quase adquirida pela Boeing, se destaca agora no desenvolvimento de VTOLS (vertical or short take-off & landing) autônomos, certamente uma grande indústria e tecnologia de futuro.  Ao mesmo tempo, no século XXI, o país se destaca como produtor de commodities e tem que trocar um caminhão de soja por um iphone.  Será isso o que um país extremamente urbanizado quer?

As cidades com suas desigualdades agravadas são percebidas como campos de conflito e miséria e a praça publica mostra nitidamente os extremos.  As elites entram através de garagens e portarias controladas, e os miseráveis dormem embaixo das marquises vizinhas.  E assim a sociedade segue e aceita com certa naturalidade e resignação.

Ha 200 anos da Independência e num ano eleitoral, existem duas candidaturas numa situação impar.  Um presidente buscando a sua reeleição e um ex-presidente procurando retomar o cargo e prometendo o resgate de uma promessa perdida.  Algo como metade da população rejeita contundentemente um ou outro e uma terceira opção não ha.

O jogo entre Lula e Bolsonaro é exatamente isso: um jogo com as torcidas tocadas a base da emoção e não do racional.  Cada candidato alimenta do outro e o olhar desesperado, inflamado ou apaixonado não deixa espaço para um debate razoável e muito menos racional.

O beco sem saída foi construído ao longo dos anos e infelizmente se o buraco é fundo, os participantes continuam cavando.  Os anseios são claros: emprego, renda, saúde e educação dentro de um quadro de liberdade e previsibilidade com a expectativa de que, se as coisas não funcionam, elas podem gradativamente melhorar.  O problema entretanto, parece que não ha o otimismo e alegria de antes.

A pobreza e desigualdade se explicam mas não resolve.  As elites se viram ou vão embora e os que não tem acabam resignados ou revoltados.

Com certeza, ha pontos positivos.  Apesar dos tumultos, a eleição será realizada, os resultados serão respeitados e não haverá golpe de direita e nem de esquerda.  O país se encontrará novamente lá na frente ou não.  O cinismo é real mas a esperança também é. 

Estou torcendo com emoção mas também tentando descobrir um pouco de razão que justifica essa esperança de um futuro melhor.  O país merece mas também tem que se esforçar para tanto.

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