Cê Senta e Espera ou Solidariedade e Capilaridade – Vírus do Brasil

 

Screen Shot 2020-03-31 at 16.58.16
Foto de solidariedade com o mundo mas, e entre os brasileiros?

“Os homens não têm muito respeito pelos outros porque têm pouco até por si próprios.” (Leon Tolstoi)

As Promessas

O Ministro Paulo Guedes deu uma entrevista publica para XP na semana passada.  (Veja o link.) https://www.youtube.com/watch?v=voghPHGSPms

Na minha opinião o Ministro foi inteligente e consistente e apresentou um elenco de medidas emergências.  Segundo ele o valor de transferências atinge acima de 700 bilhões de reais, um bom dinheiro mas menos de 10% do PIB.

As medidas precisam aprovação pelo Congresso e hoje, segunda-feira, dia 30 o Senado aprovou a liberação de 600 reais (corona voucher) durante 3 meses para trabalhadores autônomos.  E há outras medidas por vir.  Basicamente a ideia econômica seria prover auxílio para a população pobre, principalmente autônomos, ambulantes, e trabalhadores sem carteira assinada.  Além disso, o Ministro prometeu medidas várias para irrigar o sistema financeiro provendo liquidez.  Os empresários podem buscar no sistema bancário empréstimos a juros baixos que devem permitir a manutenção dos empregados.  Ademais o Ministro prometeu flexibilidade de negociação com empregados e que o governo completaria o pagamento do empregado quando o empregador oferece um salário menor.  A ideia seria manter o emprego e se o patrão pode continuar pagando 80% do salário, o governo completaria os 20% durante um certo período, talvez 3 meses.

As Dificuldades

Como tudo, num país como o Brasil, o problema reside nos detalhes, especialmente da regulamentação e da adaptabilidade do sistema financeiro.  Hoje em dia, como é que a gente faz?  Se estamos praticando isolamento horizontal, não podemos ou não devemos ir à agência.  Uma vez na agência, temos que deixar o telefone, chaves e demais pertences só para entrar no banco.  Uma vez lá dentro, tem que sacar a senha.  Se for idoso/a ou gravida, tem o atendimento prioritário.  Não deve demorar mas a situação não está normal e quem não tem prioridade deve ter uma fila grande e imagino com os funcionários sem muita orientação.  Haverá gerentes e funcionários treinados e disponíveis?  E para o pessoal pobre que nem conta bancária tem?

As Alternativas

Sabemos que o vírus espalha de forma exponencial na sua fase inicial e se não confrontado.  Seria possível tentar competir com o vírus através de soluções apoiadas em sistemas já existentes?  Qual capilaridade existente ou nova poderia servir? A estrutura de ajuda de Bolsa Família já existe e funciona.  Por que não aumentar emergencialmente o pagamento.  O sistema SUS é por enquanto bastante funcional e vai ser testado enormemente pela crise, mas por que não se usar o cadastro SUS como outra alternativa de distribuição de renda ou pelo menos de algum serviço a mais.  As igrejas tanto evangélicas quanto católicas são pontos críticos de reunião e apoio.  Seria interessante que o dízimo voltasse para os mais necessitados.  As associações comunitárias, os clubes recreativos, e os clubes esportivos bem como as torcidas organizadas também poderiam contribuir talvez através de distribuição de comida.  Da mesma forma, sindicatos, embora tendam a representar uma certa nata da classe que trabalha, e não os mais necessitados, podem também ser instrumentos de apoio para programas governamentais para atenuar a crise.  Todas essas entidades fazem parte da sociedade civil e só dependem de si para mobilizar.  E ainda tem os partidos políticos e senhores/as Senadores, Deputados, Prefeitos, Vereadores que poderiam abrir mão do fundo partidário

Solidariedade

Em duas ou três gerações, o Brasil cresceu muito e modernizou. Apesar disso, os traços da sociedade patriarcal e patrimonial ainda são fortes.  Havia e há ainda relações de dependência entre patrões e empregados como entre senhores e servos.  A expectativa no passado era que as relações imediatas poderiam ser um remédio.  As domésticas eram consideradas “parte da família” e os empregados muitas vezes tratados como agregados na pequenas e medias empresas. Com a modernização, essas relações primarias foram se acabando, mas ainda existem.  E hoje, a sociedade e os indivíduos precisam escolher entre a solidariedade e o isolamento individualista do egoísmo.  Felizmente, há indicadores que pessoas com recursos estão pagando empregadas para não trabalhar e não vir ao serviço.  Da mesma forma, pequenas e medias empresas estão tentando manter os empregados.  A escolha da solidariedade pode representar capilaridade, como sustento por algum tempo, de pessoas que não podem sobreviver sem a ajuda. Não é caso de pessoas sendo exploradas por outras, mas uma ajuda solidária em um tempo excepcional.  Se cada um repartir uma parte de seus recursos com pelo menos uma outra pessoa com algum tipo vínculo seja através de família, empresa, culto, clube ou outro, podemos esperar atenuar a crise de saúde e também econômica e social que está por vir.

Isolamento solidário

Isolamento e solidariedade são contraditórias por excelência.

Para ilustrar, suponhamos que você normalmente tem um empregado, o qual você terá que dispensar. A questão e se você poderá continuar lhe pagando pelo menos parcialmente mesmo sem trabalhar.  Sabemos que o seguro desemprego, se existir, não será suficiente.    Se você é empresário, tentará usar a ajuda do governo mas também procurará manter o empregado mesmo com salário parcial.  Isto é o isolamento solidário, ele em casa mas com o vínculo mantido.

Se você participa de alguma igreja, associação, clube ou sociedade voluntaria, você pode procurar saber como você pode contribuir.  Nas comunidades, as associações precisam também se organizar e compartilhar os recursos mesmo escassos, garantindo algum tipo de distribuição.  Nas comunidades onde as gangues e narcotraficantes são fortes, estes também devem compartilhar na ausência de qualquer poder alternativo.  Reporta-se por exemplo, as milícias reforçando a ordem de não sair de casa.

O Brasil tem grandes desafios e corre sérios riscos, especialmente se continuar como campeão da desigualdade social e econômica. Entretanto, poderá se reinventar com um novo paradigma de uma sociedade mais igualitária, mais solidária, multicultural e mais coesa em sua Brasilidade.

Acredito que essa solidariedade capilar poderá mover montanhas e despertar o senso comunitário humano, que fortalecido, terá melhores condições de combater o virus rapidamente e com sucesso extensivo também no combate a outros males da sociedade brasileira.

Seria esta uma proposta viável? Você tem uma outra proposta? Vamos ajudar detalhar?

 

 

Uma Prova para o Brasil

Screen Shot 2020-03-26 at 10.42.46

 

Nas decadas de  80 e 90, o Brasil começou a sentir fortemente o impacto de AIDS, outra doença fatal e traiçoeira que espalhava através do contato (sexual) entre as pessoas.  E apesar de dificuldades do sistema de saúde houve um controle e Brasil virou um exemplo positivo em como lidar com uma epidemia.  O país está diante de um novo desafio que apareceu sem aviso e cujas consequências são ao mesmo tempo previsíveis e imprevisiveis.  Em todos os países afetados pelo COVID19  e hoje são basicamente todos, há muitos conflitos e confusão em torno dos procedimentos e abordagens de proteção.  O governo chinês foi muito criticado por ter tomado medidas altamente coercitivas.  Nos Estados Unidos, o Presidente Trump também é alvo por lentidão e falta de preparo já que não existem kits de teste e mascaras suficientes para os médicos, os enfermeiros, os socorristas e os hospitais, sem falar da população mais ampla.  Na Itália, talvez atualmente a situação mais dramática, a sociedade demorou em entender os acontecimentos e agora está pagando um preço elevado.

No momento, há previsões negativas e talvez pessimistas para o Brasil.  Em primeiro lugar se o vírus alastrar, o risco de contaminações pode atingir milhões de pessoas com milhares de mortes, principalmente de idosos e pessoas com a saúde já comprometida.  O SUS pode entrar em colapso e a rede particular de hospitais e saúde também pode desmoronar.  Tudo isso muito preocupante e dramático.

Além da crise de saúde publica, vem como consequência a parada da economia.  As previsões oficiais já são de crescimento zero e ha muitas pessoas indicando uma recessão violenta com a economia perdendo em torno de 6% do produto nacional.  Com isso, a perspectiva é do aumento do desemprego já elevado com fechamento de empresas, quebradeira geral especialmente entre os pequenos negócios e possivelmente convulsão social com roubos, saques, tumultos e quebradeira geral.

As perspectivas não são boas e a hora de preparar já passou.  Entretanto algo precisa ser feito já.  A tendência no Brasil e contar com o Estado e pedir que o governo toma conta.  E certamente o governo deve ter um papel de planejar, prover informações, garantir a ordem publica e também prover auxilio aos mais necessitados.  Mais importante, especialmente se o governo não demonstra competência e presença é a ativa participação e liderança da sociedade civil.  Tem ter uma capilaridade de informações e recursos de cima para baixo e de baixo para cima.  Por exemplo, políticos municipais tem contatos com as associações comunitárias das comunidades de baixa renda devem divulgar informações e organizar preventivamente estoques de emergência e formas de distribuição.  As escolas que hoje estão sem aula podem ser centros no esforço.  As empresas tem seus trabalhadores que moram em comunidades ou em bairros.  Elas protegendo a forca de trabalho também se protegem.  Se as empresas podem trabalhar, elas devem tomar medidas como medir sintomas (temperatura etc.) e espacamento adequado para evitar transmissões.  A classe media tem zelar por suas famílias e seus agregados.  Ate hoje, a sociedade depende em larga escala de trabalhadores domésticos, não so as empregadas mas também os quebra galhos.  Muitos estão dispensando mas e preciso dar renda e ajuda.  Pense na sua responsibilidade e o que você individualmente pode fazer.  Observe bem sua consciência.  As igrejas podem ter um papel fundamental.  Alguns evangélicos com Silas Malafaia parecem me em insistir em manter cultos presenciais.  Se porventura surgir núcleos de contagio como aconteceu na Coreia do Sul, vao ter que fechar e então já sera tarde.  Refletem bem.  Os recursos arrecados pelas Igrejas (inclusive a Catolica que ainda é dominante) precisam ser organizadas de forma que podem ser distribuídas para quem precisa.  Muitos criticam a elite.  Com certeza comportamento dos ricos em países pobres muita vezes justifica o desprezo.  Entretanto, e preciso reconhecer que a postura pode e deve mudar.  Agora os empresários donos de grandes negócios, os banqueiros e os financistas também não tem interesse em ver o circo pegar fogo.  Aqueles que tem são uma minoria que deve fiscalizada e cobrada.  O momento tem que ser de união.

Vejo que há muitos comentários e alguma atividade seria em Twitter e na mídia social.  O debate é essencial mas também tem hora de parar e agir mas ação dentro dos parâmetros da lei, do bem senso e da civilidade.  Se não, pode confirmar a citação da Monica de Bolle, uma professora brasileira em Washington que em tradução para português significa: “Numa situação como essa, poderá haver uma rápida desagregação se as pessoas não confiam no governo e se sentem vulneráveis.”  Como disse no inicio, há uma tendência no Brasil do povo depender do governo mas há também frustrações constantes e a busca de quem (Bolsonaro? Lula? X?) faz uma promessa melhor.  Em vez disso, a sociedade tem que organizar e mostrar para o governo o que precisa ser feito.  Nessa dinâmica pode ter o risco de ruptura, mas não é necessário e nem desejável.  Tem que ter uma pressão da população e uma resposta resoluta e correspondente do governo. Sem uma resposta a altura, as consequências virão.

 

Crise e Caráter

Screen Shot 2020-03-16 at 18.43.50

Os eventos e as pessoas passam mas a história fica.  Crises se caracterizam por falta de controle e imprevisibilidade.  As coisas acontecem e as reações são espontâneas, sem planejamento, reativas e, muitas vezes, erradas.  O Brasil vem sempre marcado por crises e está sempre procurando a saída, em busca de uma estabilidade e previsibilidade.  Entretanto, prevalece a cultura de improviso e quando a criatividade do momento não funciona, busca-se um Salvador.

Jair Bolsonaro tem Messias no nome e, por isso e outros motivos, creio que ele pensa que atua como um instrumento de Deus.  Um Deus que o salvou de uma facada mortal, que pré-determinou sua eleição e que hoje fecha seu corpo contra os males.  O vírus lhe cerca e ele oferece para se isolar mas acaba saindo para manifestar junto com os que o apoiam.

Típico caso do “faça o que eu falo, não faça o que eu faço”.

Desde as eleições, o lema da campanha de Bolsonaro “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, transmite um ideal de amor a nação e uma submissão a figura divina.  Como o Presidente foi batizado no Rio Jordão, seu batismo significou que ele estaria disposto a levar uma vida nova em Jesus Cristo.  Então supostamente o Presidente aspiraria ter um caráter cristão.

De acordo com o Sermão da Montanha (Mateus 5) isto deve incluir humildade, penitência, misericórdia, pureza e pacificidade.  É claro as qualidades são gols inalcançáveis, as vezes ate sobre-humanos, só atingíveis por um milagre com a ajuda de Deus.   Entretanto, ate agora, Bolsonaro mais exibe o orgulho, a soberba, a vingança e gana pelo poder.

No meio de uma crise de peste e de depressão econômica, pode se discutir quais qualidades bíblicas são as mais apropriadas.  Mas a inteligência e bom senso indicam diante da COVID19 que a ciência e a verdade em torno do vírus e da doença precisa ser transmitida como ela é, clara e inequivocamente, sob todos os aspectos. Sem agendas escondidas e sem interesses politicos e economicos.

Portanto, a população já se preocupa com o comportamento inconsequente do Presidente.

Simplificando, vejamos porque:

  • O vírus é altamente contagioso
  • Pessoas em contato direto com o Presidente testaram positivo.
  • O próprio Presidente recebeu a recomendação de isolamento e de novo teste.
  • Entrar em contato físico com o publico como o Presidente fez no dia 15 foi perigoso para ele e para todas as pessoas presentes.

Em termos de crença Cristã, a ideia básica da ressurreição de Jesus Cristo baseia-se no amor a Deus e ao próximo.  Por em risco as pessoas e dar um exemplo que contradiz as recomendações do próprio Ministro de Saúde são atos de desamor, falta de fraternidade e de irresponsabilidade.  Pode ser que o Presidente pense que Deus está no controle de tudo e que ele é parte indispensável do plano Dele.  Por isso age inconsequentemente, com esta postura de orgulho e insegurança.

Mas há a questão que não cala: Será que o Presidente não está equivocado? Ou sera que sofre falta de carater?

Uma definição simples de caráter, é que a pessoa deve fazer a coisa correta mesmo quando não tem ninguém vigiando.  No país do jeitinho e da malandragem, isso pode ser um desafio e alguns vão até chamar de burrice, mas diante a pandemia, precisa-se de respeito a verdade da vida e morte e assim desenvolver o caráter diante de uma situação que não é nem fake e nem relativa.

 

Carnaval 2020 – Falta de Decoro e Progresso

Screen Shot 2020-02-22 at 18.28.26Foto: https://www.metropoles.com/brasil/apos-selfies-trator-de-cid-gomes-volta-para-obra-em-sobral

Como mostra a foto tirado em Sobral, CE, o Brasil continua um país complicado.  Nada de novidade.  Faz um ano o recém empossado Presidente publicou um vídeo improprio perguntando o que é “golden shower”?  Agora no Carnaval novamente há mais polemicas com um Senador de “esquerda” tentando invadir um quartel com trator e levando tiros.  Enquanto isso no Sul, o Presidente agride uma jornalista e outras mulheres com grosserias e mentiras sobre seu comportamento.  Não basta as ofensas só do Bolsonaro mas seu “Posto Ipiranga” acaba de pedir desculpas aos funcionários públicos por tê-los chamados de “Parasitas” e também às empregadas domésticas que aparentemente estavam gastando muito dinheiro com viagens a Disney.

Enfim os ranços, traços e tradições classistas e racistas acabam entrando em choque com a narrativa que o Brasil não tem distinção nem de cor e nem de raça sendo assim um país muito cordial onde não existem conflitos de classe ou entre as camadas sociais. Reina a paz social e o Carnaval manifesta então a igualdade e relações amistosas com suas gozações e brincadeiras amigas. Os homens (machos por sinal) se fantasiam de mulheres ou de bebês com chupetas. Não existe portanto nem machismo e as fêmeas estão muito bem com sua nudez natural.

Agora, de carnaval em carnaval, passa-se um ano, uma década ou até um século.  A questão que não cala entretanto é como fica o tal progresso ou desenvolvimento depois da festa Momesca?  O ano iniciou com o canto de sucesso da reforma da previdência, dos juros, “nunca antes na história”, de tão baixos e de promessas que a economia iria crescer a uma taxa de 2.5 a 3%.  Agora no meio do carnaval, o mercado e as pessoas começam, ironicamente, cair na realidade.  O dólar vai para algo em volta de 4.4 reais (também nunca antes) e o crescimento provavelmente será inferior 1.9%.

Potencial, todos sabem, que o país tem.  Mas o país não deslancha com medidas técnicas saídas da Ministro Guedes ou do Presidente do Banco Central.  Em vez disso, o país precisa de uma solução política, mas como?  Certamente não será através de um senador num arroubo de machismo tentando derrubar um portao da polícia militar amotinada com uma retroescavadeira.  Também não será com o filho do Presidente Bolsonaro dando banana as mulheres indignadas. O que o Brasil precisa é de um consenso que deve consistir minimamente em torno dos seguintes pontos:

  • Democracia com eleições e imprensa sem censura
  • Reforma política com voto distrital
  • Medidas reais contra crime e corrupção
  • Reforço real ao sistema educacional, principalmente educação de base
  • Reforma do Estado para desatar os nós criados por grupos de interesse e pela burocracia que tolhe a iniciativa.
  • E carnaval e futebol para todos.

Em princípio os 6 pontos refletem um consenso básico existente na sociedade brasileira.  O problema surge nos detalhes e na execução.  Temos que reconhecer que o Presidente Bolsonaro ganhou democraticamente a eleição com 57 milhões de votos e ampla margem sobre seu concorrente.  E o povo espera novas eleições como as municipais deste ano.  Há uma democracia em construção mas funcionando.

Como juiz, Sergio Moro ganhou respeito e popularidade por seu papel no combate a corrupção, incluindo a condenação do ex-Presidente Lula.  Entre a população há a expectativa ou talvez melhor a esperança que o Moro ainda seja, como Ministro da Justiça, um instrumento eficaz contra crime e corrupção.  De fato, a queda real de homicídios e outros crimes da um lustre.  O perigo entretanto existe com a expansão da criminalidade sob controle de grupos milicianos onde o Ministro não tem sido eficaz ou ate desinteressado.  Além disso, a Lava-Jato já não tem o respaldo de antes.  Portanto, o Ministro deve sentir um certo constrangimento inconfessável.

As reformas listadas (política, educação e do Estado) dependem da competência política do executivo e seu poder de articulação com o Congresso, além de pautar as propostas de forma que passam pela Justiça e sobretudo o Supremo.  Bolsonaro começou seu governo com familiares políticos e assessores partidários mas o Presidente não demonstra poder de comunicação e gestão.  Então sua equipe palaciana hoje é quase totalmente de militares reformados.  Dentro do quadro político tradicional, existe um risco grande que os militares acabam sem poder de execução e com a imagem institucional arranhada diante da frustração de expectativas.

As ligações entre o Presidente e Ministro Guedes também podem estar estremecidas.  Bolsonaro desde candidato anuncia que não entende de economia e por seu histórico nunca foi liberal em nada.  Guedes com certeza não é político e também comete deslizes de comunicação nas suas tentativas de empurrar suas reformas.  Hoje, ninguém sabe quais são as prioridades e quem vai fazer o meio de campo com o Congresso onde as modificações básicas têm que ser aprovadas.  Por exemplo, o que vem agora? Qual reforma? A administrativa, a tributária, a independência do BC, os PECs?  Nada é claro e tudo é constrangido pela camisa de forca dos limites fiscais, com o orçamento comprometido com despesas mandatórias.

Lembrando o passado, desde o final dos governos militares, vejamos erros e oportunidades repetindo:  Sarney com corrupção e redemocratização; Collor com projeto pessoal corrupto e abertura econômica; Itamar Franco com o Plano Real mas sem grande respaldo politico, Fernando H. Cardoso competente na politica mas ambicioso demais na sua ganancia de um segundo mandato; Lula como o “cara” num cenário internacional favorável mas afogado pelo mar de lama construído em seu entorno; Dilma Rousseff como herdeira que se demonstrou inepta politicamente e apenas uma “gerentona” para estocar os ventos;  Michel Temer um politico hábil constitucionalista que cedeu as tentações golpistas; para desembocar no Capitão revoltado, exaltado e populista que promete reunir os brasileiros com Deus e a Pátria Amada mas sem levar em conta que não sabe o caminho e agora vive reclamando contra tudo e todos que supostamente o perseguem.

Muitos agora aceitam e justificam a agressividade e falta de decoro do Presidente e família como resposta a roubalheira e suposto projeto comunista do Lula, do PT e do Fórum de São Paulo.  A oposição, por sua vez, enxerga o “fascismo” avançando e aí constrói-se a imagem de uma baita polarização pelo menos na esfera da mídia social.  Confio, entretanto, que as eleições municipais mostrarão que não é bem assim e em mais dois anos novas eleições darão oportunidade para uma nova alternância no poder.  Só com essa lenta, mas progressiva construção democrática que podemos esperar a criação de um quadro favorável para o crescimento da economia onde as medidas reformistas têm um real respaldo e efeito pratico.

Vamos esperar o Carnaval passar para o ano começar e torcer que a sociedade civil se manifesta de forma madura e democrática.

2020 – Previsões para um Brasil Cheio de Desafios

economia-brasil

Acabo de analisar minhas previsões do ano passado e agora antes que acabe o mês de janeiro, estou apresentando minhas ideias para o Brasil no ano novo. Estamos terminando o primeiro ano do governo Bolsonaro e também começando uma nova década. Não sei se estarei com energia daqui uns 10 anos, em 2030, então vamos fitar apenas 2020.

Em primeiro lugar, vejo que o Brasil tem 3 desafios principais: 1) Manter e aprimorar a democracia; 2) diminuir a desigualdade econômica e social, e 3) crescer e desenvolver.

Olhando para o futuro próximo, temos duas posturas bem brasileiras.  Como no Brasil gostamos de oscilar entre a euforia do carnaval e a depressão da derrota no futebol.   Então a primeira perspectiva seria uma visão otimista. A segunda seria ver o futuro com pessimismo. Na realidade, há a terceira alternativa de nem tanto para o mar e nem tanto à terra. Já que não ha concordância com o que é ótimo ou ruim, devemos colocar o meio termo como algo mensurável e aí pode fazer uma avaliação “objetiva”.

Torcemos para o ótimo e aceitamos o bom. No caso, se o país “escapar” do discurso autoritário do Presidente Bolsonaro e de sua desconfiança da eficácia do projeto democrático e ateamo-nos as instituições para garantir a vida política (imprensa livre, liberdades individuais, 3 poderes separados) para ter então eleições municipais normais com oposição e voto livre.  Assim os agentes econômicos encontrarão num quadro institucional mais solido a confiança para investir e haverá criação de empregos e expansão da riqueza. Com a política e a economia funcionando, de acordo com regras de jogo, haverá uma tendência quase que normal para diminuir a desigualdade.

Ao contrário, temos o lado do pessimismo. No caso, a economia continuara estagnada, as ameaças tipo AI-5 e movimentos extremistas para denegrir e até quebrar, ocorrerão com mais frequência com a falta de regras e haverá apenas apelos para figuras políticas de natureza populista e messiânica. Nessa situação, não se constrói a democracia e dificilmente a desigualdade poderá diminuir. Olhando para América Latina e países próximos ao Brasil, o Chile talvez seria um exemplo do positivo enquanto Argentina seria o polo negativo com seu declínio já secular. Com isso, não quero dizer que o Chile seria o ideal e que Argentina seria o “anti”. Como os protestos recentes em Santiago demonstram, há problemas por lá. E Argentina, por sua vez, realizou sua eleição e sucessão de forma democrática. No caso específico do Brasil, por seu tamanho, potencial e liderança regional, o país é um caso a parte que precisa definir o fim e os meios para chegar lá.  O Brasil quer ou não quer a participação política com crescimento e atenuação do fosso econômico e social?

Vamos lá então com as previsões mensuráveis da economia:

  • 1)  Crescimento: PIB a 1,8% sem crescimento do setor secundário (indústria) e turbulência no mercado agroexportador. É provável que Xi Jinping e Trump chegam a um acordo parcial favorecendo os fazendeiros americanos e prejudicando as exportações brasileiras, principalmente de soja. Com mais um ano de crescimento fora da curva do “milagre brasileiro” (Veja Delfim Neto e a década de 70), a inflação oficial continuara baixa, com a estatística oficial registrando 5%. Vejo que os gastos com gás de cozinha, com escola e com saúde estão aumentando a um ritmo de mais de 5%. Haverá pressão também no aumento do preço de combustíveis, tanto por parte da Petrobras quanto por parte das distribuidoras.
  • 2)  Emprego: A taxa de desemprego deve permanecer em torno de 11 a 12% da população economicamente ativa (PEA). Com isso haverá uma ligeira melhoria com menos desempregados, mas mais pessoas trabalhando no setor informal e também na “Uberizacao” das atividades.
  • 3)  Investimento estrangeiro: Ao longo da última década, Brasil recebeu anualmente algo em torno de 60 bilhões de US$ em FDI (Foreign Direct Investment). Estimo que a entrada de recursos continuara no mesmo montante ou ate mais chegando a 70 bilhões. As principais áreas serão óleo e gás, infraestrutura de energia e em menor grau de saneamento básico, atividades financeiras incluindo FINTECHs e por fim educação e saúde que são áreas lucrativas que carecem de investimentos e podem atrair estrangeiros. Apesar do alinhamento ideológico do Presidente Bolsonaro com o Presidente Trump, os Estados Unidos não lideram como pais de origem de recursos. Também deve-se notar que os investimentos estrangeiros vindo dos EUA e da Europa, não serão para atividades novas, mas na forma de manutenção, modernização e em casos isolados expansão de atividades industriais tipo no setor automotivo. Embraer será um caso de desinvestimento devido a aquisição pela Boeing, mas com os problemas causados na companhia pelo 737 Max, a Boeing não devera deslocar imediatamente produção e a cadeia de fornecedores para os EUA.4) Privatizações: Apesar de prestigiado pelo Presidente, os planos do Secretario Especial Salim Mattar de privatizar algo em torno de 200 empresas publicas apresenta um grande desafio e a meta não será atingida. Certamente a Petrobras, a Eletrobrás, e ate a EBC (Empresa Brasileira de Comunicações) continuarão sob o controle do governo.

    Afinal com as eleições municipais o Congresso terá um tempo reduzido para debater e eventualmente aprovar a venda de companhias publicas. A pauta também não e’ popular entre os empregados e funcionários que também farão forte lobby contra. Enfim o discurso existe, mas não tem um cronograma ou um mapa que mostra para o investidor estrangeiro o “caminho das pedras”.

    5) Desigualdade econômica e oportunidades: Vou manter a minha previsão do ano passado do aumento de desigualdade usando o fator Gini como medida. Devo dizer também que a educação de base seria o principal meio para atenuar, e a atuação do Ministro de Educação tem sido muito mais política e de guerra cultural do que no sentido de realmente melhorar qualitativamente o ensino de primeiro grau.

  • 6) Juros: A taxa de juros a 4,5% nunca teve tão baixa e há um consenso entre os empresários (pelo menos os grandes) que isso por si representa uma grande oportunidade.  Esperamos que sim, mas a realidade é um pouco diferente. As linhas de crédito dos bancos comerciais são muito mais elevadas.  Os novos programas do BNDES voltados para pequenos e médios empresários, ainda são amplamente desconhecidos e pouco aproveitados.  Ademais, os empresários ainda assumem a postura conservadora de ver para crer e com a desconfiança não arrisquem.  Os consumidores, por sua vez, estão pendurados e as taxas que são oferecidas continuam exorbitantes.  Finalmente se a economia volta a crescer, os juros vão subir.

Previsões Sociais

  • 1)  Violência: Em 2019 para nossa surpresa, os números da violência, pelo menos em homicídios, caíram. Por outro lado, o número de mortes causados pela polícia aumentou ultrapassando 5000. Com certeza, a queda é importante e entender a causalidade mais importante ainda. Não creio que compreendemos as razoes. Pode ser uma trégua entre os carteis emergentes, pode ser algum pacto entre os criminosos e o aparato de segurança do governo ou pode ser ate progresso positivo da civilização brasileira onde as pessoas estão dispostas a usar outros meios de resolução de conflito. Todavia, do meu ponto de vista nada de básico mudou e os números de violência em 2020 serão iguais ou piores do que 2019.

2)  Amazônia e Terras Indígenas: Haverá mais mortes de índios em conflitos de terra e mais invasões.  Os incêndios, entretanto, serão menores em 2020 do que em 2019 já que o governo está sendo forcado a reconhecer o impacto negativo no resto do mundo.  Apesar disso, o Ministério de Meio Ambiente estimulará a mineração, a exploração de madeira e a expansão da fronteira agrícola em prejuízo a floresta original, principalmente no Para.

3)  Brasil continuará do Acordo de Paris (Clima) mas não contribuirá para medidas que visam reduzir aquecimento global.

4)  O governo Bolsonaro incorpora um moralismo e conservadorismo forte ao lado de um pragmatismo liberalizante na economia.  A Bancada da Bíblia, a Ministra Damares e o cristão das cruzadas, Ernesto Araújo, são os representantes mais destacados do moralismo e conservadorismo.  Sergio Moro, o Ministro da Justiça também estaria nesta ala, mas ele está sendo mais fluido ideologicamente, procurando, me parece, ser o condutor de seu projeto pessoal. Para tanto ele precisa sobreviver, com alguma produção e prestígio, o governo Bolsonaro.  Se o Bolsonaro conseguir manter a aprovação entre 30 a 40%, seus ministros “cristãos” permanecerão.  Senão deve cair em primeiro lugar, Weintraub da Educação.  Os pragmáticos como Guedes da Economia, Tereza Cristina da Agricultura e Tarciso de Infraestrutura estão seguros a não ser que tenham que comprar uma briga com os anti-globalistas.  Se porventura, o Presidente Trump for derrotado então os anti-globalista também perdem.

Finalmente Previsões Políticas:

  • 1)  O grande evento político do ano são as eleições municipais. Com sua popularidade mais ou menos restrita e com relativa pouco poder do bolso, o Presidente terá influencia apenas por seu prestígio pessoal.  Em Rio e São Paulo, os novos prefeitos não serão do grupo de apoio ao Presidente.  Seu novo partido não está organizado ainda e tem relativamente poucos recursos financeiros e então não terá impacto forte na eleição.  O PT, como oposição também está em situação desfavorável podendo no máximo manter o número de prefeituras que atualmente tem e recebera menos votos do que nas últimas eleições municipais.

2)   Além das eleições municipais, haverá também novas escolhas para a presidência e a mesa da Câmara e do Senado.  Não há garantia que Rodrigo Maia e David Alcolumbre, Presidentes da Câmara e do Senado serão reconduzidos já que o regime interno não permite.  Mas minha aposta é que pelo menos um dos dois e provavelmente os dois serão reeleitos através de manobras corriqueiras dentro do Congresso.  De qualquer forma, quem quer que seja não será aliado automático do Bolsonaro.

3)  A eleição presidencial no EUA poderá afetar pesadamente.  Mas minha previsão é que o Trump, a contragosto de muitos, será reeleito.  Os Democratas não têm um candidato que inspira confiança na condução da economia.  Trump está em cima da proverbial “carne seca” e seu discurso de “performance”, militarismo e nacionalismo vai convencer outra vez.  Se o Trump não for reconduzido, a ala anti-globalista no Brasil vai cair e provavelmente acabarão também as chances de Bolsonaro em 2022.

O poder é curioso e o uso do poder na governança e administração tem consequências.  Se as instituições conseguem funcionar com relativa grau de autonomia, independente das pessoas, que ocupam os cargos podemos ter um certo otimismo com relação ao Brasil.  Se por outro lado, as pessoas no poder conseguir atropelar e personalizar a instituições corremos perigo e caímos no pessimismo.  Ou como comentei no início temos algo no meio e Brasil irá como sempre aos trancos e barrancos com um voo de galinha na economia e de acordo com vieses populistas e individuais na política.  Espero que o Brasil consegue a alternativa otimista, mas não temos garantias.

 

Grading my 2019 Predictions – Brazil

grading-on-the-curve

I have a hard time believing that 2020 marks my 57th year from the issue of my first Carteira de Estrangeiro.  One would think that after a lifetime, I would have a grip on what is going and what might happen and while sometimes I have an inkling worth sharing, there are times when we are wide of the mark.  With this, it is time to look back at my 2019 forecast with its hits and misses.  Here is the link (https://allabroadconsulting.wordpress.com/2019/01/20/brazil-predictions-2019/)

I divided the predictions into 3 groupings: Political, Economic and Social.

Politics: 1) My first prediction had to do with Foreign Minister Ernesto Araujo and I stated that it was likely that his crusade against all things global and leftist would likely not last a year and he would be replaced.  His campaign continues but his rhetoric seems increasingly irrelevant.  Personally, I have nothing against an individual espousing strong religious belief and standing up for them.  However, as Foreign Minister, one expects results.  Instead, both Bolsonaro and Araujo have been caught off guard by Trump’s mercurial decisions on imposing/removing/reimposing and then removing again.  Araujo would like to take credit for a European Union/Mercosur accord, but the Amazon burn threw this off track.  The fires stained Brazil’s image and Araujo has not helped putting them out.  He has only clamored about Brazilian sovereignty over the Amazon and this would not even be contested except for what European countries see as unapologetic mismanagement.  Brazil has yet to move the Embassy from Tel Aviv to Jerusalem as promised.  Nor has Brazil achieved anything in Venezuela where Itamaraty’s chief has supported ousting Maduro to no effect.  Finally, Brazil started by alienating the new government in Argentina but has since become a bit more pragmatic and it is actively supporting the more right-wing interim President of Bolivia who took over after Evo Morales had to resign.  So, while still heading Itamaraty, Araujo has been largely ineffective and mostly ignored by Finance Minister Guedes.

2) I thought Sergio Moro would be embarrassed enough to step down.  He did not but his stature, while still high among a majority of the Brazilian public, has definitely been tarnished as he has had to accept President Bolsonaro’s put downs.  His latest comeuppance was having to accept the creation of a special “citizen’s judge” as a new instance for case review.  In reality, this decision may help Bolsonaro’s sons and associates further delay and put off their corruption cases.  On a positive note, Brazil’s 60 thousand plus homicides have actually declined substantially even though the government has facilitated acquiring firearms.  On the other hand, police killing have broken records as security forces feel unleashed and see reduced likelihood of being held accountable.

3 & 4) These predictions were correct as Social Security reform did pass in a somewhat watered-down version with a long phase in period and with the military and judges, prosecutors and justice officials preserving most of their special benefits.  While the least will be most impacted, investors, entrepreneurs and businesspeople almost universally favor the reform, and this represents a major political shift in Brazil.

5 & 6) Point 5 dealt with some wishful thinking that Bolsonaro could be impeached.  This will not come about under circumstances even if his family members are somehow condemned for corruption.

General Mourao continues as Vice-President and will remain so throughout the whole term.  In this sense, the political institutions seem solid and there are no obvious military movements to replace the Captain with a higher-ranking officer.

Economics: 1) After years of corruption, mismanagement and recession, I was optimistic that the economic cycle would kick in and I predicted a 2.2% growth rate.  Certainly wrong!  Confidence continued to lag and mismanagement in many areas under the President’s direct control dragged on and the economy in spite of promises by Minister Paulo Guedes only expanded at about 1%.

2) Inflation.  Here I was off the mark as inflation went down as lack of confidence led to lackluster growth and inflation going down instead of up.  The year 2018 ended with inflation of less than 4% versus my prediction of 6% plus.

3) Interest rates: Wrong again: The benchmark SELIC rate sits at an historic low of 4.5% and I predicted it would have been around 8%.  In looking at whatever optimism and achievements might be expected in 2020, this low interest rate is universally cited as a positive factor and has indeed favored the government as it has reduced the interest burden as the government is the largest borrower.

4) Foreign Direct Investment (FDI): Correct.  I stated that Brazil would attract over 60 billion in FDI by the end of November 2019, Brazil’s Central Bank registered 69.1 billion dollars.  The largest share of this FDI went into investments in the Oil & Gas business targeting mainly offshore operations.  In this prediction, I made reference to Bolsonaro’s ideological distrust of the Chinese who he had accused of “buying Brazil”.  Over the year, he has changed his posture and is now more favorable or perhaps more realistic in being more welcoming to the Chinese as investors especially in oil and gas, energy distribution, and infra-structure.

5) Inequality: The statistics for 2019 are not in so my affirmation using the Gini index is inconclusive.  However, education is fundamental for inequality reduction and the Ministry of Education has been adrift and tainted by the ineffectiveness of its leadership.  While unemployment has dropped to just under 12%, the informal sector is growing as witnessed by the return of engraxates, mainly minors, who work the bars at night providing shoeshines to samba beats.

Social Policies: 1) Violence.  I am pleased that I was only partially right here.  The number of homicides in Brazil have fallen remarkably from over 60 thousand per year to less than 45 thousand in 2019.  Most of this drop can be attributed to an accommodation amongst the major gangs who run the drug trade and other illegal activities in Brazil’s big cities but increasingly in mid-size urban areas as well.  The bad part and I was right about this are that murders committed by the police are indeed over 5000 per year and there is the idea of a carte blanche.

2) Indian and Quilombola lands:  Brazil was in the negative news mainly for the major upswing in the destruction of the Amazon caused by fires.  At the same time, violence, land invasions, illegal logging and mining and other illicit activities resulted in the death of Indians.  The main public agencies, i.e. FUNAI, for protecting tribes and tribal lands have been gutted.  Support for Quilombola communities through NGO’s and government policy have been stopped and or blocked.

3) Brazil did not withdraw from the Paris Climate Agreement, but it did help throw a wrench into the Madrid COP-25 climate meeting.

4 & 5) Bolsonaro’s popularity, mayoral elections and the opposition.  The President’s approval ratings have fallen from over 70% to about 40% in just over a year.  Still a major share of the population strongly supports the Bolsonaro administration.  Opposition is active, but the PT even with Lula out of jail, is no longer the force it once was.  Lula has failed to think beyond his own person and project.  As a result, a new leadership on the left and/or center has failed to gain traction.  The mayoral elections this year will provide a point of focus and perhaps the beginning and strengthening of a more democratic and socially liberal governance. 

6) Infra-structure: Brazil’s Ministry of Infra-Structure set itself apart from as a technically competent and well guided sector of the government.  Its focus has been on roads, ports, airports, railroads and improving, through public-private partnership and outright privatization, Brazil’s lagging infra-structure.  In the 2019 predictions, I referred specifically to sewage infra-structure noting that approximately 50% of Brazil’s households are not connected to basis sanitation systems.  Some small progress has been made in this area in the past year, with work on the legal framework for privatizations and partnerships.  However, the basic problem of lack of public resources or the political will to address the problem still exists.

7) Evangelicals and Minister Damaris.  Yes, evangelical influence continues to grow, and no Damaris was not replaced.  As a matter of fact, she is the most or the second most popular, after Sergio Moro, in Bolsonaro’s Cabinet.  Her connection to poorer women without a university or even high school diploma has been on a sentimental and visceral basis where she has tapped into deep socially conservative roots.  In this she has not been tainted by suspect actions and family corruption as has the President.

Finally, I stated that “in spite alienation and anomie, Brazilian society will not break down like Venezuela nor will it revert to a right-wing military dictatorship.”  Certainly, this is correct, in spite of, and perhaps because of President Bolsonaro’s dictatorial penchant.  He cannot govern alone.  His support among the military is tenuous at best and as a result, Brazil will continue on its muddling path.

My grade for the 2019 predictions: a B with a little condescension.

Christmas

Epoca de Natal e festas. Fim de um periodo e novos comecos. Podemos renovar a esperanca e nossa energia.
Espero que conseguimos. E sempre tem o exemplo de Cristo!

allabroadconsulting

Screen Shot 2017-12-22 at 15.31.27

 Photo: Estado de Minas, Dec. 12, 2017

Make a resolution to enjoy the holidays.  A lot of people complain about the consumerism, the false sense of obligation, the forced camaraderie and the need to be “whatever”.   And, you know, they are right.  Nevertheless, individually, we can be sincere, develop meaning, create understanding, express solidarity and just be friendly, kind and sympathetic without being maudlin or without being pretentious.

Celebrate with family, with loved ones, with friends and if you have none of these, then celebrate with others by giving of yourself and not worrying about perceptions and consequences.

Those of us who are in the United States, we have to recognize the materiality and wealth existent here.  No doubt, we have certain advantages because of the wealth, but being cognizant of this fact, there is no need for pride and pomp.  Those of us in Mexico and Brazil and other…

View original post 285 more words