Carnaval 2020 – Falta de Decoro e Progresso

Screen Shot 2020-02-22 at 18.28.26Foto: https://www.metropoles.com/brasil/apos-selfies-trator-de-cid-gomes-volta-para-obra-em-sobral

Como mostra a foto tirado em Sobral, CE, o Brasil continua um país complicado.  Nada de novidade.  Faz um ano o recém empossado Presidente publicou um vídeo improprio perguntando o que é “golden shower”?  Agora no Carnaval novamente há mais polemicas com um Senador de “esquerda” tentando invadir um quartel com trator e levando tiros.  Enquanto isso no Sul, o Presidente agride uma jornalista e outras mulheres com grosserias e mentiras sobre seu comportamento.  Não basta as ofensas só do Bolsonaro mas seu “Posto Ipiranga” acaba de pedir desculpas aos funcionários públicos por tê-los chamados de “Parasitas” e também às empregadas domésticas que aparentemente estavam gastando muito dinheiro com viagens a Disney.

Enfim os ranços, traços e tradições classistas e racistas acabam entrando em choque com a narrativa que o Brasil não tem distinção nem de cor e nem de raça sendo assim um país muito cordial onde não existem conflitos de classe ou entre as camadas sociais. Reina a paz social e o Carnaval manifesta então a igualdade e relações amistosas com suas gozações e brincadeiras amigas. Os homens (machos por sinal) se fantasiam de mulheres ou de bebês com chupetas. Não existe portanto nem machismo e as fêmeas estão muito bem com sua nudez natural.

Agora, de carnaval em carnaval, passa-se um ano, uma década ou até um século.  A questão que não cala entretanto é como fica o tal progresso ou desenvolvimento depois da festa Momesca?  O ano iniciou com o canto de sucesso da reforma da previdência, dos juros, “nunca antes na história”, de tão baixos e de promessas que a economia iria crescer a uma taxa de 2.5 a 3%.  Agora no meio do carnaval, o mercado e as pessoas começam, ironicamente, cair na realidade.  O dólar vai para algo em volta de 4.4 reais (também nunca antes) e o crescimento provavelmente será inferior 1.9%.

Potencial, todos sabem, que o país tem.  Mas o país não deslancha com medidas técnicas saídas da Ministro Guedes ou do Presidente do Banco Central.  Em vez disso, o país precisa de uma solução política, mas como?  Certamente não será através de um senador num arroubo de machismo tentando derrubar um portao da polícia militar amotinada com uma retroescavadeira.  Também não será com o filho do Presidente Bolsonaro dando banana as mulheres indignadas. O que o Brasil precisa é de um consenso que deve consistir minimamente em torno dos seguintes pontos:

  • Democracia com eleições e imprensa sem censura
  • Reforma política com voto distrital
  • Medidas reais contra crime e corrupção
  • Reforço real ao sistema educacional, principalmente educação de base
  • Reforma do Estado para desatar os nós criados por grupos de interesse e pela burocracia que tolhe a iniciativa.
  • E carnaval e futebol para todos.

Em princípio os 6 pontos refletem um consenso básico existente na sociedade brasileira.  O problema surge nos detalhes e na execução.  Temos que reconhecer que o Presidente Bolsonaro ganhou democraticamente a eleição com 57 milhões de votos e ampla margem sobre seu concorrente.  E o povo espera novas eleições como as municipais deste ano.  Há uma democracia em construção mas funcionando.

Como juiz, Sergio Moro ganhou respeito e popularidade por seu papel no combate a corrupção, incluindo a condenação do ex-Presidente Lula.  Entre a população há a expectativa ou talvez melhor a esperança que o Moro ainda seja, como Ministro da Justiça, um instrumento eficaz contra crime e corrupção.  De fato, a queda real de homicídios e outros crimes da um lustre.  O perigo entretanto existe com a expansão da criminalidade sob controle de grupos milicianos onde o Ministro não tem sido eficaz ou ate desinteressado.  Além disso, a Lava-Jato já não tem o respaldo de antes.  Portanto, o Ministro deve sentir um certo constrangimento inconfessável.

As reformas listadas (política, educação e do Estado) dependem da competência política do executivo e seu poder de articulação com o Congresso, além de pautar as propostas de forma que passam pela Justiça e sobretudo o Supremo.  Bolsonaro começou seu governo com familiares políticos e assessores partidários mas o Presidente não demonstra poder de comunicação e gestão.  Então sua equipe palaciana hoje é quase totalmente de militares reformados.  Dentro do quadro político tradicional, existe um risco grande que os militares acabam sem poder de execução e com a imagem institucional arranhada diante da frustração de expectativas.

As ligações entre o Presidente e Ministro Guedes também podem estar estremecidas.  Bolsonaro desde candidato anuncia que não entende de economia e por seu histórico nunca foi liberal em nada.  Guedes com certeza não é político e também comete deslizes de comunicação nas suas tentativas de empurrar suas reformas.  Hoje, ninguém sabe quais são as prioridades e quem vai fazer o meio de campo com o Congresso onde as modificações básicas têm que ser aprovadas.  Por exemplo, o que vem agora? Qual reforma? A administrativa, a tributária, a independência do BC, os PECs?  Nada é claro e tudo é constrangido pela camisa de forca dos limites fiscais, com o orçamento comprometido com despesas mandatórias.

Lembrando o passado, desde o final dos governos militares, vejamos erros e oportunidades repetindo:  Sarney com corrupção e redemocratização; Collor com projeto pessoal corrupto e abertura econômica; Itamar Franco com o Plano Real mas sem grande respaldo politico, Fernando H. Cardoso competente na politica mas ambicioso demais na sua ganancia de um segundo mandato; Lula como o “cara” num cenário internacional favorável mas afogado pelo mar de lama construído em seu entorno; Dilma Rousseff como herdeira que se demonstrou inepta politicamente e apenas uma “gerentona” para estocar os ventos;  Michel Temer um politico hábil constitucionalista que cedeu as tentações golpistas; para desembocar no Capitão revoltado, exaltado e populista que promete reunir os brasileiros com Deus e a Pátria Amada mas sem levar em conta que não sabe o caminho e agora vive reclamando contra tudo e todos que supostamente o perseguem.

Muitos agora aceitam e justificam a agressividade e falta de decoro do Presidente e família como resposta a roubalheira e suposto projeto comunista do Lula, do PT e do Fórum de São Paulo.  A oposição, por sua vez, enxerga o “fascismo” avançando e aí constrói-se a imagem de uma baita polarização pelo menos na esfera da mídia social.  Confio, entretanto, que as eleições municipais mostrarão que não é bem assim e em mais dois anos novas eleições darão oportunidade para uma nova alternância no poder.  Só com essa lenta, mas progressiva construção democrática que podemos esperar a criação de um quadro favorável para o crescimento da economia onde as medidas reformistas têm um real respaldo e efeito pratico.

Vamos esperar o Carnaval passar para o ano começar e torcer que a sociedade civil se manifesta de forma madura e democrática.

2020 – Previsões para um Brasil Cheio de Desafios

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Acabo de analisar minhas previsões do ano passado e agora antes que acabe o mês de janeiro, estou apresentando minhas ideias para o Brasil no ano novo. Estamos terminando o primeiro ano do governo Bolsonaro e também começando uma nova década. Não sei se estarei com energia daqui uns 10 anos, em 2030, então vamos fitar apenas 2020.

Em primeiro lugar, vejo que o Brasil tem 3 desafios principais: 1) Manter e aprimorar a democracia; 2) diminuir a desigualdade econômica e social, e 3) crescer e desenvolver.

Olhando para o futuro próximo, temos duas posturas bem brasileiras.  Como no Brasil gostamos de oscilar entre a euforia do carnaval e a depressão da derrota no futebol.   Então a primeira perspectiva seria uma visão otimista. A segunda seria ver o futuro com pessimismo. Na realidade, há a terceira alternativa de nem tanto para o mar e nem tanto à terra. Já que não ha concordância com o que é ótimo ou ruim, devemos colocar o meio termo como algo mensurável e aí pode fazer uma avaliação “objetiva”.

Torcemos para o ótimo e aceitamos o bom. No caso, se o país “escapar” do discurso autoritário do Presidente Bolsonaro e de sua desconfiança da eficácia do projeto democrático e ateamo-nos as instituições para garantir a vida política (imprensa livre, liberdades individuais, 3 poderes separados) para ter então eleições municipais normais com oposição e voto livre.  Assim os agentes econômicos encontrarão num quadro institucional mais solido a confiança para investir e haverá criação de empregos e expansão da riqueza. Com a política e a economia funcionando, de acordo com regras de jogo, haverá uma tendência quase que normal para diminuir a desigualdade.

Ao contrário, temos o lado do pessimismo. No caso, a economia continuara estagnada, as ameaças tipo AI-5 e movimentos extremistas para denegrir e até quebrar, ocorrerão com mais frequência com a falta de regras e haverá apenas apelos para figuras políticas de natureza populista e messiânica. Nessa situação, não se constrói a democracia e dificilmente a desigualdade poderá diminuir. Olhando para América Latina e países próximos ao Brasil, o Chile talvez seria um exemplo do positivo enquanto Argentina seria o polo negativo com seu declínio já secular. Com isso, não quero dizer que o Chile seria o ideal e que Argentina seria o “anti”. Como os protestos recentes em Santiago demonstram, há problemas por lá. E Argentina, por sua vez, realizou sua eleição e sucessão de forma democrática. No caso específico do Brasil, por seu tamanho, potencial e liderança regional, o país é um caso a parte que precisa definir o fim e os meios para chegar lá.  O Brasil quer ou não quer a participação política com crescimento e atenuação do fosso econômico e social?

Vamos lá então com as previsões mensuráveis da economia:

  • 1)  Crescimento: PIB a 1,8% sem crescimento do setor secundário (indústria) e turbulência no mercado agroexportador. É provável que Xi Jinping e Trump chegam a um acordo parcial favorecendo os fazendeiros americanos e prejudicando as exportações brasileiras, principalmente de soja. Com mais um ano de crescimento fora da curva do “milagre brasileiro” (Veja Delfim Neto e a década de 70), a inflação oficial continuara baixa, com a estatística oficial registrando 5%. Vejo que os gastos com gás de cozinha, com escola e com saúde estão aumentando a um ritmo de mais de 5%. Haverá pressão também no aumento do preço de combustíveis, tanto por parte da Petrobras quanto por parte das distribuidoras.
  • 2)  Emprego: A taxa de desemprego deve permanecer em torno de 11 a 12% da população economicamente ativa (PEA). Com isso haverá uma ligeira melhoria com menos desempregados, mas mais pessoas trabalhando no setor informal e também na “Uberizacao” das atividades.
  • 3)  Investimento estrangeiro: Ao longo da última década, Brasil recebeu anualmente algo em torno de 60 bilhões de US$ em FDI (Foreign Direct Investment). Estimo que a entrada de recursos continuara no mesmo montante ou ate mais chegando a 70 bilhões. As principais áreas serão óleo e gás, infraestrutura de energia e em menor grau de saneamento básico, atividades financeiras incluindo FINTECHs e por fim educação e saúde que são áreas lucrativas que carecem de investimentos e podem atrair estrangeiros. Apesar do alinhamento ideológico do Presidente Bolsonaro com o Presidente Trump, os Estados Unidos não lideram como pais de origem de recursos. Também deve-se notar que os investimentos estrangeiros vindo dos EUA e da Europa, não serão para atividades novas, mas na forma de manutenção, modernização e em casos isolados expansão de atividades industriais tipo no setor automotivo. Embraer será um caso de desinvestimento devido a aquisição pela Boeing, mas com os problemas causados na companhia pelo 737 Max, a Boeing não devera deslocar imediatamente produção e a cadeia de fornecedores para os EUA.4) Privatizações: Apesar de prestigiado pelo Presidente, os planos do Secretario Especial Salim Mattar de privatizar algo em torno de 200 empresas publicas apresenta um grande desafio e a meta não será atingida. Certamente a Petrobras, a Eletrobrás, e ate a EBC (Empresa Brasileira de Comunicações) continuarão sob o controle do governo.

    Afinal com as eleições municipais o Congresso terá um tempo reduzido para debater e eventualmente aprovar a venda de companhias publicas. A pauta também não e’ popular entre os empregados e funcionários que também farão forte lobby contra. Enfim o discurso existe, mas não tem um cronograma ou um mapa que mostra para o investidor estrangeiro o “caminho das pedras”.

    5) Desigualdade econômica e oportunidades: Vou manter a minha previsão do ano passado do aumento de desigualdade usando o fator Gini como medida. Devo dizer também que a educação de base seria o principal meio para atenuar, e a atuação do Ministro de Educação tem sido muito mais política e de guerra cultural do que no sentido de realmente melhorar qualitativamente o ensino de primeiro grau.

  • 6) Juros: A taxa de juros a 4,5% nunca teve tão baixa e há um consenso entre os empresários (pelo menos os grandes) que isso por si representa uma grande oportunidade.  Esperamos que sim, mas a realidade é um pouco diferente. As linhas de crédito dos bancos comerciais são muito mais elevadas.  Os novos programas do BNDES voltados para pequenos e médios empresários, ainda são amplamente desconhecidos e pouco aproveitados.  Ademais, os empresários ainda assumem a postura conservadora de ver para crer e com a desconfiança não arrisquem.  Os consumidores, por sua vez, estão pendurados e as taxas que são oferecidas continuam exorbitantes.  Finalmente se a economia volta a crescer, os juros vão subir.

Previsões Sociais

  • 1)  Violência: Em 2019 para nossa surpresa, os números da violência, pelo menos em homicídios, caíram. Por outro lado, o número de mortes causados pela polícia aumentou ultrapassando 5000. Com certeza, a queda é importante e entender a causalidade mais importante ainda. Não creio que compreendemos as razoes. Pode ser uma trégua entre os carteis emergentes, pode ser algum pacto entre os criminosos e o aparato de segurança do governo ou pode ser ate progresso positivo da civilização brasileira onde as pessoas estão dispostas a usar outros meios de resolução de conflito. Todavia, do meu ponto de vista nada de básico mudou e os números de violência em 2020 serão iguais ou piores do que 2019.

2)  Amazônia e Terras Indígenas: Haverá mais mortes de índios em conflitos de terra e mais invasões.  Os incêndios, entretanto, serão menores em 2020 do que em 2019 já que o governo está sendo forcado a reconhecer o impacto negativo no resto do mundo.  Apesar disso, o Ministério de Meio Ambiente estimulará a mineração, a exploração de madeira e a expansão da fronteira agrícola em prejuízo a floresta original, principalmente no Para.

3)  Brasil continuará do Acordo de Paris (Clima) mas não contribuirá para medidas que visam reduzir aquecimento global.

4)  O governo Bolsonaro incorpora um moralismo e conservadorismo forte ao lado de um pragmatismo liberalizante na economia.  A Bancada da Bíblia, a Ministra Damares e o cristão das cruzadas, Ernesto Araújo, são os representantes mais destacados do moralismo e conservadorismo.  Sergio Moro, o Ministro da Justiça também estaria nesta ala, mas ele está sendo mais fluido ideologicamente, procurando, me parece, ser o condutor de seu projeto pessoal. Para tanto ele precisa sobreviver, com alguma produção e prestígio, o governo Bolsonaro.  Se o Bolsonaro conseguir manter a aprovação entre 30 a 40%, seus ministros “cristãos” permanecerão.  Senão deve cair em primeiro lugar, Weintraub da Educação.  Os pragmáticos como Guedes da Economia, Tereza Cristina da Agricultura e Tarciso de Infraestrutura estão seguros a não ser que tenham que comprar uma briga com os anti-globalistas.  Se porventura, o Presidente Trump for derrotado então os anti-globalista também perdem.

Finalmente Previsões Políticas:

  • 1)  O grande evento político do ano são as eleições municipais. Com sua popularidade mais ou menos restrita e com relativa pouco poder do bolso, o Presidente terá influencia apenas por seu prestígio pessoal.  Em Rio e São Paulo, os novos prefeitos não serão do grupo de apoio ao Presidente.  Seu novo partido não está organizado ainda e tem relativamente poucos recursos financeiros e então não terá impacto forte na eleição.  O PT, como oposição também está em situação desfavorável podendo no máximo manter o número de prefeituras que atualmente tem e recebera menos votos do que nas últimas eleições municipais.

2)   Além das eleições municipais, haverá também novas escolhas para a presidência e a mesa da Câmara e do Senado.  Não há garantia que Rodrigo Maia e David Alcolumbre, Presidentes da Câmara e do Senado serão reconduzidos já que o regime interno não permite.  Mas minha aposta é que pelo menos um dos dois e provavelmente os dois serão reeleitos através de manobras corriqueiras dentro do Congresso.  De qualquer forma, quem quer que seja não será aliado automático do Bolsonaro.

3)  A eleição presidencial no EUA poderá afetar pesadamente.  Mas minha previsão é que o Trump, a contragosto de muitos, será reeleito.  Os Democratas não têm um candidato que inspira confiança na condução da economia.  Trump está em cima da proverbial “carne seca” e seu discurso de “performance”, militarismo e nacionalismo vai convencer outra vez.  Se o Trump não for reconduzido, a ala anti-globalista no Brasil vai cair e provavelmente acabarão também as chances de Bolsonaro em 2022.

O poder é curioso e o uso do poder na governança e administração tem consequências.  Se as instituições conseguem funcionar com relativa grau de autonomia, independente das pessoas, que ocupam os cargos podemos ter um certo otimismo com relação ao Brasil.  Se por outro lado, as pessoas no poder conseguir atropelar e personalizar a instituições corremos perigo e caímos no pessimismo.  Ou como comentei no início temos algo no meio e Brasil irá como sempre aos trancos e barrancos com um voo de galinha na economia e de acordo com vieses populistas e individuais na política.  Espero que o Brasil consegue a alternativa otimista, mas não temos garantias.

 

Grading my 2019 Predictions – Brazil

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I have a hard time believing that 2020 marks my 57th year from the issue of my first Carteira de Estrangeiro.  One would think that after a lifetime, I would have a grip on what is going and what might happen and while sometimes I have an inkling worth sharing, there are times when we are wide of the mark.  With this, it is time to look back at my 2019 forecast with its hits and misses.  Here is the link (https://allabroadconsulting.wordpress.com/2019/01/20/brazil-predictions-2019/)

I divided the predictions into 3 groupings: Political, Economic and Social.

Politics: 1) My first prediction had to do with Foreign Minister Ernesto Araujo and I stated that it was likely that his crusade against all things global and leftist would likely not last a year and he would be replaced.  His campaign continues but his rhetoric seems increasingly irrelevant.  Personally, I have nothing against an individual espousing strong religious belief and standing up for them.  However, as Foreign Minister, one expects results.  Instead, both Bolsonaro and Araujo have been caught off guard by Trump’s mercurial decisions on imposing/removing/reimposing and then removing again.  Araujo would like to take credit for a European Union/Mercosur accord, but the Amazon burn threw this off track.  The fires stained Brazil’s image and Araujo has not helped putting them out.  He has only clamored about Brazilian sovereignty over the Amazon and this would not even be contested except for what European countries see as unapologetic mismanagement.  Brazil has yet to move the Embassy from Tel Aviv to Jerusalem as promised.  Nor has Brazil achieved anything in Venezuela where Itamaraty’s chief has supported ousting Maduro to no effect.  Finally, Brazil started by alienating the new government in Argentina but has since become a bit more pragmatic and it is actively supporting the more right-wing interim President of Bolivia who took over after Evo Morales had to resign.  So, while still heading Itamaraty, Araujo has been largely ineffective and mostly ignored by Finance Minister Guedes.

2) I thought Sergio Moro would be embarrassed enough to step down.  He did not but his stature, while still high among a majority of the Brazilian public, has definitely been tarnished as he has had to accept President Bolsonaro’s put downs.  His latest comeuppance was having to accept the creation of a special “citizen’s judge” as a new instance for case review.  In reality, this decision may help Bolsonaro’s sons and associates further delay and put off their corruption cases.  On a positive note, Brazil’s 60 thousand plus homicides have actually declined substantially even though the government has facilitated acquiring firearms.  On the other hand, police killing have broken records as security forces feel unleashed and see reduced likelihood of being held accountable.

3 & 4) These predictions were correct as Social Security reform did pass in a somewhat watered-down version with a long phase in period and with the military and judges, prosecutors and justice officials preserving most of their special benefits.  While the least will be most impacted, investors, entrepreneurs and businesspeople almost universally favor the reform, and this represents a major political shift in Brazil.

5 & 6) Point 5 dealt with some wishful thinking that Bolsonaro could be impeached.  This will not come about under circumstances even if his family members are somehow condemned for corruption.

General Mourao continues as Vice-President and will remain so throughout the whole term.  In this sense, the political institutions seem solid and there are no obvious military movements to replace the Captain with a higher-ranking officer.

Economics: 1) After years of corruption, mismanagement and recession, I was optimistic that the economic cycle would kick in and I predicted a 2.2% growth rate.  Certainly wrong!  Confidence continued to lag and mismanagement in many areas under the President’s direct control dragged on and the economy in spite of promises by Minister Paulo Guedes only expanded at about 1%.

2) Inflation.  Here I was off the mark as inflation went down as lack of confidence led to lackluster growth and inflation going down instead of up.  The year 2018 ended with inflation of less than 4% versus my prediction of 6% plus.

3) Interest rates: Wrong again: The benchmark SELIC rate sits at an historic low of 4.5% and I predicted it would have been around 8%.  In looking at whatever optimism and achievements might be expected in 2020, this low interest rate is universally cited as a positive factor and has indeed favored the government as it has reduced the interest burden as the government is the largest borrower.

4) Foreign Direct Investment (FDI): Correct.  I stated that Brazil would attract over 60 billion in FDI by the end of November 2019, Brazil’s Central Bank registered 69.1 billion dollars.  The largest share of this FDI went into investments in the Oil & Gas business targeting mainly offshore operations.  In this prediction, I made reference to Bolsonaro’s ideological distrust of the Chinese who he had accused of “buying Brazil”.  Over the year, he has changed his posture and is now more favorable or perhaps more realistic in being more welcoming to the Chinese as investors especially in oil and gas, energy distribution, and infra-structure.

5) Inequality: The statistics for 2019 are not in so my affirmation using the Gini index is inconclusive.  However, education is fundamental for inequality reduction and the Ministry of Education has been adrift and tainted by the ineffectiveness of its leadership.  While unemployment has dropped to just under 12%, the informal sector is growing as witnessed by the return of engraxates, mainly minors, who work the bars at night providing shoeshines to samba beats.

Social Policies: 1) Violence.  I am pleased that I was only partially right here.  The number of homicides in Brazil have fallen remarkably from over 60 thousand per year to less than 45 thousand in 2019.  Most of this drop can be attributed to an accommodation amongst the major gangs who run the drug trade and other illegal activities in Brazil’s big cities but increasingly in mid-size urban areas as well.  The bad part and I was right about this are that murders committed by the police are indeed over 5000 per year and there is the idea of a carte blanche.

2) Indian and Quilombola lands:  Brazil was in the negative news mainly for the major upswing in the destruction of the Amazon caused by fires.  At the same time, violence, land invasions, illegal logging and mining and other illicit activities resulted in the death of Indians.  The main public agencies, i.e. FUNAI, for protecting tribes and tribal lands have been gutted.  Support for Quilombola communities through NGO’s and government policy have been stopped and or blocked.

3) Brazil did not withdraw from the Paris Climate Agreement, but it did help throw a wrench into the Madrid COP-25 climate meeting.

4 & 5) Bolsonaro’s popularity, mayoral elections and the opposition.  The President’s approval ratings have fallen from over 70% to about 40% in just over a year.  Still a major share of the population strongly supports the Bolsonaro administration.  Opposition is active, but the PT even with Lula out of jail, is no longer the force it once was.  Lula has failed to think beyond his own person and project.  As a result, a new leadership on the left and/or center has failed to gain traction.  The mayoral elections this year will provide a point of focus and perhaps the beginning and strengthening of a more democratic and socially liberal governance. 

6) Infra-structure: Brazil’s Ministry of Infra-Structure set itself apart from as a technically competent and well guided sector of the government.  Its focus has been on roads, ports, airports, railroads and improving, through public-private partnership and outright privatization, Brazil’s lagging infra-structure.  In the 2019 predictions, I referred specifically to sewage infra-structure noting that approximately 50% of Brazil’s households are not connected to basis sanitation systems.  Some small progress has been made in this area in the past year, with work on the legal framework for privatizations and partnerships.  However, the basic problem of lack of public resources or the political will to address the problem still exists.

7) Evangelicals and Minister Damaris.  Yes, evangelical influence continues to grow, and no Damaris was not replaced.  As a matter of fact, she is the most or the second most popular, after Sergio Moro, in Bolsonaro’s Cabinet.  Her connection to poorer women without a university or even high school diploma has been on a sentimental and visceral basis where she has tapped into deep socially conservative roots.  In this she has not been tainted by suspect actions and family corruption as has the President.

Finally, I stated that “in spite alienation and anomie, Brazilian society will not break down like Venezuela nor will it revert to a right-wing military dictatorship.”  Certainly, this is correct, in spite of, and perhaps because of President Bolsonaro’s dictatorial penchant.  He cannot govern alone.  His support among the military is tenuous at best and as a result, Brazil will continue on its muddling path.

My grade for the 2019 predictions: a B with a little condescension.

Christmas

Epoca de Natal e festas. Fim de um periodo e novos comecos. Podemos renovar a esperanca e nossa energia.
Espero que conseguimos. E sempre tem o exemplo de Cristo!

allabroadconsulting

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 Photo: Estado de Minas, Dec. 12, 2017

Make a resolution to enjoy the holidays.  A lot of people complain about the consumerism, the false sense of obligation, the forced camaraderie and the need to be “whatever”.   And, you know, they are right.  Nevertheless, individually, we can be sincere, develop meaning, create understanding, express solidarity and just be friendly, kind and sympathetic without being maudlin or without being pretentious.

Celebrate with family, with loved ones, with friends and if you have none of these, then celebrate with others by giving of yourself and not worrying about perceptions and consequences.

Those of us who are in the United States, we have to recognize the materiality and wealth existent here.  No doubt, we have certain advantages because of the wealth, but being cognizant of this fact, there is no need for pride and pomp.  Those of us in Mexico and Brazil and other…

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O Bonito do Bolsonaro!

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Meu último blog foi um pouco pessimista.  Veja aqui: https://allabroadconsulting.wordpress.com/2019/11/09/does-brazil-die-and-kill-the-world/

Só as palavras morrer e matar em inglês já dão o tom.  Recebi de leitores de direita, algumas críticas, afirmando que sou de esquerda e que sou anti-Bolsonaro.  Meus amigos de esquerda por sua vez, me cobraram a não intervenção de estrangeiros na Amazônia, da mesma forma que os críticos do outro lado.  Então como procuro ser “objetivo, neutro e equilibrado”, queria alavancar coisas positivas e, quem sabe, equilibradas do governo de Bolsonaro.

Em primeiro lugar, não conheço pessoalmente o Presidente e assim não tenho animus pessoal.  Assim procuro separar a personalidade dos fatos.  Penso que podemos separar o Presidente do estilo de campanha e de exaltação, diferente do Presidente dos atos publicados no Diário Oficial.  A ideia aqui é de que as instituições, ou seja, as regras do jogo, as leis, as normas e um respeito as tradições, ainda em construção, devam e possam frear coisas mais questionáveis.

Então, apesar das intervenções aludindo o AI-5, as ameaças a mídia e os comentários desvairados de certos ministros, as regras do jogo ainda se impõem.  O Congresso continua funcionando, as eleições municipais de 2020 serão normais, há liberdade para criticar o judiciário e a imprensa continua sem censura previa.  Para pessoas como eu que viveram na pele o período de 1964 a 1985, a atualidade representa ainda uma democracia em construção e não o controle militar e nem o fascismo.  A Constituição de 1988 ainda vigora com todos seus méritos e defeitos.

Então nitidamente, positivo, apesar das ameaças, o Brasil ainda é um país que se coloca na coluna das democracias.  Se o Presidente Bolsonaro não atingir suas metas prometidas (acabar com a corrupção e reduzir a violência) ou se a percepção e os desejos do eleitorado mudarem ate as eleições, ele não será reeleito.  Existe oposição. Existe também um sistema caótico e bagunçado de partidos múltiplos e, portanto, oportunidades para conquistar o poder através do voto direto.

A economia crescendo a 1% ao ano certamente não deve ser motivo de orgulho.  Enfim a população cresce a 1.7% ao ano o que significa que o povo está empobrecendo.  Mas, crescimento positivo também tem que ser visto como muito melhor do que recessão.  A previsão para a expansão econômica em 2020, segundo consenso de economistas e agentes financeiros sondados pelo Banco Central (Boletim Focus) é de 2%, o que é ainda pouco, mas na direção certa.

Teoricamente, a economia é cíclica e no caso do Brasil a expectativa seria de recuperação já que a economia não tem demonstrado pujança há mais de 5 anos.  Muitos culparam a corrupção nas administrações de Temer e Dilma/Lula e esperam, com a eleição do Presidente Bolsonaro, promessas de correção de rumos.  E de fato, a nomeação do Juiz Sergio Moro para ser o Ministro da Justiça ainda é visto pelo eleitorado como avanço.  Entretanto, a economia depende da confiança dos investidores e aqui há um paradoxo interessante.  O mercado de ações medida pelo índice da BOVESPA está batendo recordes atingindo cerca de 111,000 pontos.  Isso compara-se de forma muito favorável com o índice de menos de 50,000 pontos em 2015 quando a Presidente Dilma Rousseff ainda governava.  Entretanto, enquanto a bolsa mais do que dobrou, o crescimento do PIB decepcionou.

O trabalho do Ministro Paulo Guedes e sua equipe econômica aparentemente inspira mais confiança nos investidores (nacionais e estrangeiros) da bolsa do que nos participantes da economia “real”.  Guedes, por sua vez, reclama a necessidade de tempo para que as reformas do sistema de trabalho e do regime previdenciário surtam efeito.  Nota-se também que o governo Bolsonaro está ganhando o crédito das reformas que já foram tentadas no passado.  Por exemplo, a reforma da previdência proposta por Fernando Henrique Cardoso, que não passou por apenas 1 voto.  As reformas alcançadas no governo Bolsonaro embora contestadas passaram com maiorias razoáveis no Congresso Nacional que por sua vez deve indicar uma mudança real por parte da sociedade e do Congresso em termos de suas prioridades.  Há um reconhecimento crescente e positivo na necessidade fazer mudanças reais na administração publica que buscam um estado mais eficiente e produtivo, e, diga-se de passagem, menos corrupto.

As iniciativas de Salim Mattar, o Secretario Especial de Desestatização também vão exatamente na direção de reduzir o peso e o ônus de controle central de atividades produtivas.  No Brasil, são centenas de empresas estatais que sempre serviram os políticos locais para alocar parentes, amigos e cabos eleitorais.  O que parece no momento, e isso pode ser muito positivo, é que a sociedade começa aceitar o fato de que o custo dessas empresas seja maior do que o benefício.

O setor primário, a agro-indústria, vem há tempos sendo o motor da pouca expansão.  e também contribui para a entrada de reservas através das exportações.  A China é grande consumidor da soja, milho e açúcar brasileiro, mas há outros mercados também como Europa e América do Norte.  E o Brasil tem condições favoráveis de aproveitar-se da guerra comercial entre o Estados Unidos e a China.  Infelizmente, apesar das oportunidades, a política de promoção de exportações ainda está em definição.  De positivo aqui, me parece, há a tomada de consciência dos grandes produtores que, embora lenta, consequencia de clientes na Europa e outros locais, que estão preocupados com o meio ambiente, o aquecimento global e agricultura sustentável.  Até o Blairo Maggi, ex-ministro e o “rei” da soja já reconheceu a necessidade de ter uma atuação pelo menos um pouco mais “ecológica”.

O Ministro Tarcísio Freitas da Infraestrutura vem atuando com discrição, mesmo sendo reconhecido como um dos funcionários mais competentes.  A iniciativa mais propagada é a rodovia BR-163 Cuiabá – Santarém.  Essa estrada existe desde a década de 70 e sempre com promessas de melhoria, mas foi só no Governo Bolsonaro que foi totalmente pavimentada.  A ligação de Mato Grosso ate o Rio Amazonas representou maior eficiência no escoamento da produção de soja e outros produtos agrícolas do cerrado.  Além disto, a rodovia também facilitou o acesso a regiões da Amazônia legal que devem ser tratadas com cuidado e fiscalização, o que nunca existiu ate então.

A pasta infraestrutura enfoca a privatização parcial da Infraero e os aeroportos administrados pela autarquia da Infraero. Para quem viaja pelo Brasil por via aérea, é fácil notar as melhorias nos aeroportos privatizados comparadas com as ainda sob o controle estatal.  A infraestrutura também abrange o sistema portuário onde privatizações e melhorias estão em curso.

Nas cidades, há indícios de uma pequena retomada na construção civil, possivelmente como reflexo dos juros com a taxa SELIC a 5%, embora o spread ainda seja considerável.

Enfim, após quase um ano da nova administração, no lado positivo, vislumbra-se na economia uma pequena diminuição do desemprego, um pequeníssimo crescimento econômico com alguma promessa de melhoria, e alguma coisinha mínima de possibilidade de desestatização e diminuição de burocracia.  Na parte social, há estatísticas mostrando uma baixa na taxa de homicídios.  Na parte institucional, apesar de ameaças veladas tipo volta de AI-5, o Congresso, o Supremo e a burocracia continuam funcionando embora haja os embates de uma democracia, senão consolidada pelo menos como ideia, na falta de outras opções.  Na parte política, o Presidente ainda tem uma base fiel embora a fidelidade dependa da expansão do sucesso e do poder de convencimento do Presidente.  Embora eleito com quase 58 milhões de votos, os novos desafios eleitorais já vêm aproximando o que também é bom.

 

Does Brazil Die and Kill the World?

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Anyone that has read my blog over the years knows that I am consistently optimistic about Brazil even in the midst of hard times and bad news.  So, the question is why the pessimistic title?

There are several reasons.  The Brazilian diaspora is taking off again.  People with brains and resources are seeking to migrate to the USA, Canada, Portugal, New Zealand, Australia, England and basically any place with more immediate opportunity.  The economy, in spite of reforms promoted by Paulo Guedes, who is attempting to reduce the size and impact of the public sector, remains stubbornly stagnant.  Brazilians have little confidence in their institutions and investors even less so.  In spite of Bolsonaro’s promises, both corruption and violence make living in Brazil a major challenge.  Inequality and the perverse income maldistribution have worsened with recession and stagnation.  Moreover, this lack of economic growth which should be cyclical is becoming structural and more deeply embedded.  Statistics show Brazilian manufacturing retracting.  The one bright spot in recent times had been Embraer, its supply chain and the export of Brazilian designed and manufactured jets, but with the acquisition by Boeing, Embraer production may move to the US and certainly Brazilians have lost control.  Other manufacturing is caught up in demands for protectionism which only tends to increase the competitive gap with advanced economies.  Instead of increasing complexity in the industrial sector, Brazilian companies are reverting back to the semi-industrialization of products.  Thus, Brazil is successful in pulp but not in paper, iron and not steel, generic pharmaceuticals and not advanced or innovative drugs, old model vehicles instead of first in the class.  Mexico has overtaken Brazil in both quantity and quality of automotive production.  Agricultural and the agroindustrial complex are the current darling, but instead of intensifying production and modernizing infra-structure, Brazil has opted for further expanding the agricultural frontier into the Amazon for soy and cattle.  The mid and long-term impacts lead to a legitimate concern about reaching a tipping point where fires, farms and cattle ranches affect the rain cycle creating droughts and a much dryer savannah or even desert.  Long term, many predict that the environmental impact will lead to massive climate change and apocalyptic consequences on a world scale.

So, Brazil’s involution has major consequences.  If the Amazon region is, in reality, a main determinant in climate change, Brazil can be viewed and, is indeed, criticized for its short-sighted management and goals, under the current government as it opens up mining, logging,  farming and generally invasive activities in protected areas at the expense of native populations and nature itself.  The consequence of this policy and climate change denial may be catastrophic in less than a generation.  Is Brazil setting itself up for an international intervention?  Is the paranoia of the Brazilian military and nationalists justified?  President Bolsonaro has reinforced the claims of sovereignty but will these be respected if the future of the whole world population is convinced that it is threatened by floods, fire, rising oceans and natural disasters related to the compromised Amazon region?

Brazil’s current stagnation is generally blamed on the irresponsible economic policies of the leftist governments of the 21st century, and especially the disastrous administration of Dilma Rousseff.  Now Brazil’s offshore pre-salt oil fields with reserves of over 200 billion barrels should place the country in the very top tier of all oil producing countries.  However, it may be that this wealth could go waste.  Along with the destruction of heat sinks such as the Amazon, fossil fuels today are also viewed as the main culprit in climate change and the tipping to catastrophe.  Interesting the major oil companies want to become energy entities and are listening to a 16-year-old from Sweden (Greta Thunberg) while they consciously pursuing two parallel endeavors.

First, they want to produce and sell as much oil as possible while they still can.  Saudi Arabia’s Aramco is the world’s most valuable company and controls some 20% of the world’s traditional energy.  Aramco’s IPO will raise funds to continue and expand production.  Aramco’s cost per barrel and its level of production can almost dictate the world price of oil affecting directly other oil producers including Brazil and the USA.  While Brazilians are aware of the shrinking horizon for oil production, they lack the resources to quickly and effectively bring their oil reserves to the market.  The auctions this week took place without the participation of the major oil companies and raised a fraction of the resources that were expected.  The result is that Brazil’s production will be further delayed and that the country will have to offer more favorable terms to attract the participation of the majors.  Without them, the oil will stay in the ground and the country may miss this chance for wealth.

Aware of the move to alternative energy, the oil companies have jumped on the bandwagon.  Exxon, Shell, Total and the Chinese companies are all pursuing wind, solar, and other non-fossil fuel sources and not only playing lip service to the youthful protesters that Ms. Thunberg has mobilized.  Europe, American states such as California, the signatories of the Paris agreement have all accepted as inevitable the move away from fossil fuels.

The consequence for Brazil can be dire.  It is faced with a double whammy of the perspective of loss of resources from oil exploration and from possibly becoming a pariah state because of its Amazonian mismanagement and the loss of markets for its primary sector.  The market for red meat will shrink, the market for oil will shrink and Brazil may not even be able to sell its soybeans.  Already the European Community has threatened to put on hold the free trade agreement with Mercosur (mainly Brazil and Argentina) pending Brazil’s response in dealing with indigenous peoples and the treatment of the Amazon.

What are the options?

Mining?  The last years have been a disaster with death and destruction from the collapse of tailing dams.  In addition, with the slowdown in China and elsewhere the price of iron ore has fallen to less than half the high during the commodity boom.

Oil and Gas? Can Brazil adjust fast enough to the demands of the world markets.  I am not optimistic.  More than decade has been lost since Lula declared “self-sufficiency”.  Since then Petrobras has come close to bankruptcy and the legal framework for bringing investment to the sector is proving insufficient.  Changes can be made but oil alone is not Brazil’s salvation.

Manufacturing?  Brazilian industry with few exceptions is not competitive in the world market.  The best companies have already moved abroad.  Those companies that focus on the domestic market have to rely on food, drink and basic consumables.

Banking, finance and IT?  Brazil’s banks have long connived in an oligopolistic fashion.  FinTech’s, based on the IT revolution may have a future but their market share is less than 1% of all financial activity.  Information technology in Brazil plays no innovative or leading role in spite of the presence of Google, Qualcomm, Facebook, Linked In and others.  Unsurprisingly, Brazil’s best IT talents have already moved to the many “silicon valleys” where their talents are justly rewarded.  How many will return to Brazil?  Not many.

Employment and education? For the past 3 to 6 years, some 12 to 14 million working age Brazilians have been unemployed.  Without growth in industry and the increasingly mechanized nature of agriculture, few new jobs are available and most of these are in the service sector with low pay and high turnover.  Educational levels have remained low and the current administration by attacking science and the universities has not gained credibility even though it has promised to improve basic education, where Brazilian primary and secondary students consistently underperform compared to their peers in other countries.

Government? Traditionally, Brazil’s middle class has always wanted a public sector job and the role of politicians has been to provide these.  Now, everyone recognizes that the state no longer has any carrying capacity and as a result access and patronage are shutting down.

Tourism? Brazil is lovely and has many natural wonders and not only beaches.  However, Brazil’s image of corruption, violence and government venality has not helped.  And now, the oil spill in the South Atlantic, plus the lame Brazilian response to the clean-up have further compromised this sector.

Agriculture? Brazil will continue to export its primary products: coffee, orange juice, sugar, cotton, soybeans.  This is not enough to sustain its highly urban population (over 80% in cities of more than 100 thousand).

While none of this is encouraging, Brazilians are resilient.  Perhaps, the long tradition of improvisation may offer a way out.  Certainly, society needs to mobilize in a constructive fashion, but it may be that forthcoming protests (Lula released today) will lead to more tear down before things can be built up again.

 

 

E Assim Caminham ou Descaminham as Instituições

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Já estamos na reta final de 2019 e creio que dá para visualizar algo do futuro do Brasil com o não tão novo governo legitimamente eleito do Presidente Bolsonaro. Sabemos que há um movimento pendular na política como há ciclos na economia. A esquerda perdeu porque foi implicada na corrupção e roubalheira. A direita ganhou porque conseguiu isolar Lula. O alento que resta para quem votou a contragosto era que as instituições funcionariam.

No meu otimismo, também andei pensando assim. As eleições seguem o calendário e as pessoas tem liberdade para manifestar. Mas infelizmente, a realidade se impõe.

No final de 2015, escrevi um blog aqui com o titulo: Brasil to the Bottom, with No Bounce, aonde comentava o fracasso da política econômica mas também talvez a chegada ao fundo do poço. Infelizmente, estava equivocado. Os brasileiros continuaram cavando e o buraco ficou maior ainda. Hoje, a estagnação continua e o setor industrial está encolhendo. O produto nacional era acima de 2 trilhões e hoje é menor com menos inovação e complexidade.   As reformas da previdência e do trabalho ainda estão incubados e não surtem efeito. Assim a esperança e confiança que devem acompanhar um novo governo estão sendo desperdiçadas e não há previsibilidade de dias melhores na economia a curto prazo. Apesar dos juros mais baixos na historia do Banco Central, os bancos comerciais continuam com os spreads tradicionais que beiram a extorsão. Só os mais ousados arriscam por a mão do bolso onde ninguém tem confiança. Os tradicionais agentes de desenvolvimento como BNDES, Petrobras, as grandes construtoras, e outros campeões nacionais ainda não se recuperaram do desmonte provocado pela corrupção e administração de compadres dos governos anteriores.

Até este ano, tinha a expectativa que a justiça brasileira havia atingido um ponto de inflexão e que haviam reais mudanças de comportamento já que a operação Lava Jato conseguiu a façanha de prender elementos da elite que antes tidos como intocáveis. Era uma instituição pelo menos na parte liderado pelo Juiz Sergio Moro tido como exemplar. Infelizmente, no novo governo, estamos assistindo uma realidade, não inesperada, mas incomoda. Toda a operação da Lava Jato agora sofre ameaças e o juiz herói já perdeu seu lustre como um ministro num governo que não convence como idôneo e responsável. O segmento da população que mais apóia o Presidente está desconfiado do Supremo Tribunal Federal e a maioria de seus membros. Ironicamente, os “inimigos” togados principais – Gilmar Mendes e Dias Toffoli – suspenderam as investigações contra Flavio Bolsonaro e seu assessor Queiroz. Agora será que vão escapar da ira?

Embora o Ministro da Justiça divulgue a queda parcial do numero de homicídios, ao mesmo tempo cresce a violência e truculência por parte da policia, evidenciada pela morte de inocentes, inclusive crianças e jovens.

Se a justiça oferecia um alento institucional que agora se esvazia, a situação de outros setores parecem ainda mais preocupantes. O Presidente e o Ministro de Meio Ambiente negam a existência de incêndios anormais na Amazônia e, ao mesmo tempo, culpam sem provas ONGs (não identificadas) como culpados pelos fogos.

O Chanceler, Ernesto Araujo, lidera, enfrentando resistência interna de diplomatas de carreira, sua cruzada anti globalista questionando o consenso cientifico a respeito do clima. Entretanto, seus esforços não convencem e nem oferecem retorno positivo. Sua postura somada a “defesa da soberania” sobre a Amazônia ameaça a implementação de acordos importantes como o Mercosur-Uniao Européia. A briga infantil com ofensas a primeira dama de um pais amigo subtraem a legitimidade do Ministério para defender os interesses do Brasil.

Na educação, ha um Ministro cuja competência é questionada por seu currículo e erros de português. Mas o mais importante parece ser sua briga com as universidades federais. A disputa parece ser de apenas natureza política-ideologica que não leva a nada. Suas sugestões de favorecer a educação de base podem ser bem vindas mas até agora o que se tem de noticia é o estabelecimento de colégios voltados para a formação e disciplina militar.   Nada contra na medida apropriada mas isso não é uma política educacional para as necessidade do mercado no Século XXI.

Na questão de infra-estrutura, parece que ha índices positivos com privatizações que devem promover a expansão de serviços e eficiência. Toda privatização, entretanto, esbarra na estrutura estatal que para os políticos e para o publico representa oportunidade de recursos e empregos. O pessoal (políticos e publico) não quer abrir a mão. Assim, em pleno 2019, o pais continua com a pobreza básica de 50% da população sem uma conexão a rede de esgoto. Isso tem claras ramificações para a saúde publica e o meio ambiente.

E falando sobre a instituição da Presidência, ainda em estilo de campanha política de rua, o Capitão Bolsonaro mantém sua forma franca e muitas vezes desbocada e agressiva de se expressar. É obvio que as palavras tem peso e muitas vezes a fala do Presidente retira algo da dignidade que as pessoas imaginam que o cargo deve ter. Por outro lado, precisa-se entender que o Presidente na assinatura e na escrita aparenta ser mais ponderado ou controlado.

Brasil está passando por um período de transição. O pais ainda é jovem e a democracia mais nova ainda. Os retrocessos nítidos estão em curso mas espera-se que não sejam nem permanentes e nem irreversíveis. Argentina, por exemplo, está continuando um declino secular e não tem encontrado um caminho político econômico. O vizinho do norte, Venezuela, está um caos, tendo experimentado riqueza relativa do petróleo e agora a crise sem fim de um pais de um só produto principal, que não conseguiu criar instituições duradouras. O Brasil tem mais potencial, mais recursos, mais diversidade, maior complexidade e mais pessoas que os países vizinhos, mas senão encontrar um modelo institucional que não seja apenas formal mas de substancia real, o pais continuará sendo apenas a promessa vaga de um futuro melhor, que não chegará nunca.

Quando se fala que as instituições estão funcionando, refere-se a realização das eleições de 2020 e 2022 e a independência e liberdade da imprensa. Mas as eleições e os meios de comunicação não vão resolver sozinhos os problemas. Se não aparecer um consenso maior que acabe em reformar e reforçar novas e boas regras do jogo, será difícil o pais alcançar o progresso desejado.