Uma Prova para o Brasil

Screen Shot 2020-03-26 at 10.42.46

 

Nas decadas de  80 e 90, o Brasil começou a sentir fortemente o impacto de AIDS, outra doença fatal e traiçoeira que espalhava através do contato (sexual) entre as pessoas.  E apesar de dificuldades do sistema de saúde houve um controle e Brasil virou um exemplo positivo em como lidar com uma epidemia.  O país está diante de um novo desafio que apareceu sem aviso e cujas consequências são ao mesmo tempo previsíveis e imprevisiveis.  Em todos os países afetados pelo COVID19  e hoje são basicamente todos, há muitos conflitos e confusão em torno dos procedimentos e abordagens de proteção.  O governo chinês foi muito criticado por ter tomado medidas altamente coercitivas.  Nos Estados Unidos, o Presidente Trump também é alvo por lentidão e falta de preparo já que não existem kits de teste e mascaras suficientes para os médicos, os enfermeiros, os socorristas e os hospitais, sem falar da população mais ampla.  Na Itália, talvez atualmente a situação mais dramática, a sociedade demorou em entender os acontecimentos e agora está pagando um preço elevado.

No momento, há previsões negativas e talvez pessimistas para o Brasil.  Em primeiro lugar se o vírus alastrar, o risco de contaminações pode atingir milhões de pessoas com milhares de mortes, principalmente de idosos e pessoas com a saúde já comprometida.  O SUS pode entrar em colapso e a rede particular de hospitais e saúde também pode desmoronar.  Tudo isso muito preocupante e dramático.

Além da crise de saúde publica, vem como consequência a parada da economia.  As previsões oficiais já são de crescimento zero e ha muitas pessoas indicando uma recessão violenta com a economia perdendo em torno de 6% do produto nacional.  Com isso, a perspectiva é do aumento do desemprego já elevado com fechamento de empresas, quebradeira geral especialmente entre os pequenos negócios e possivelmente convulsão social com roubos, saques, tumultos e quebradeira geral.

As perspectivas não são boas e a hora de preparar já passou.  Entretanto algo precisa ser feito já.  A tendência no Brasil e contar com o Estado e pedir que o governo toma conta.  E certamente o governo deve ter um papel de planejar, prover informações, garantir a ordem publica e também prover auxilio aos mais necessitados.  Mais importante, especialmente se o governo não demonstra competência e presença é a ativa participação e liderança da sociedade civil.  Tem ter uma capilaridade de informações e recursos de cima para baixo e de baixo para cima.  Por exemplo, políticos municipais tem contatos com as associações comunitárias das comunidades de baixa renda devem divulgar informações e organizar preventivamente estoques de emergência e formas de distribuição.  As escolas que hoje estão sem aula podem ser centros no esforço.  As empresas tem seus trabalhadores que moram em comunidades ou em bairros.  Elas protegendo a forca de trabalho também se protegem.  Se as empresas podem trabalhar, elas devem tomar medidas como medir sintomas (temperatura etc.) e espacamento adequado para evitar transmissões.  A classe media tem zelar por suas famílias e seus agregados.  Ate hoje, a sociedade depende em larga escala de trabalhadores domésticos, não so as empregadas mas também os quebra galhos.  Muitos estão dispensando mas e preciso dar renda e ajuda.  Pense na sua responsibilidade e o que você individualmente pode fazer.  Observe bem sua consciência.  As igrejas podem ter um papel fundamental.  Alguns evangélicos com Silas Malafaia parecem me em insistir em manter cultos presenciais.  Se porventura surgir núcleos de contagio como aconteceu na Coreia do Sul, vao ter que fechar e então já sera tarde.  Refletem bem.  Os recursos arrecados pelas Igrejas (inclusive a Catolica que ainda é dominante) precisam ser organizadas de forma que podem ser distribuídas para quem precisa.  Muitos criticam a elite.  Com certeza comportamento dos ricos em países pobres muita vezes justifica o desprezo.  Entretanto, e preciso reconhecer que a postura pode e deve mudar.  Agora os empresários donos de grandes negócios, os banqueiros e os financistas também não tem interesse em ver o circo pegar fogo.  Aqueles que tem são uma minoria que deve fiscalizada e cobrada.  O momento tem que ser de união.

Vejo que há muitos comentários e alguma atividade seria em Twitter e na mídia social.  O debate é essencial mas também tem hora de parar e agir mas ação dentro dos parâmetros da lei, do bem senso e da civilidade.  Se não, pode confirmar a citação da Monica de Bolle, uma professora brasileira em Washington que em tradução para português significa: “Numa situação como essa, poderá haver uma rápida desagregação se as pessoas não confiam no governo e se sentem vulneráveis.”  Como disse no inicio, há uma tendência no Brasil do povo depender do governo mas há também frustrações constantes e a busca de quem (Bolsonaro? Lula? X?) faz uma promessa melhor.  Em vez disso, a sociedade tem que organizar e mostrar para o governo o que precisa ser feito.  Nessa dinâmica pode ter o risco de ruptura, mas não é necessário e nem desejável.  Tem que ter uma pressão da população e uma resposta resoluta e correspondente do governo. Sem uma resposta a altura, as consequências virão.

 

Dilma na California, Lula na Cadeia

 

IMG_0945
Photo by author April 18, 2018

Outro dia escrevi sobre Lula na cadeia e agora, ironicamente, assisto Dilma na Califórnia. Ela está fazendo um giro que inclui UC-Berkeley, Stanford e San Diego State University. Com certeza são bons centros acadêmicos e agregam núcleos de pesquisa que tratam do Brasil e da America Latina. Vale observar que Dilma, como militante, apresenta em locais acadêmicos. Na viagem não há noticias de encontros diplomáticos ou empresariais. É claro que no meio acadêmico e principalmente entre os estudantes, há uma simpatia pelo Lula e também pela Dilma, que se apresentam como vitimas de um golpe contra a democracia. Em Berkeley ela praticamente repetiu o discurso de Lula em São Bernardo. Pode-se prender o homen, mas não uma idéia. São vitimas do coup d’etat ainda em curso. E segundo a ex-Presidenta, sua queda virou um exercício de antropofagia onde o feitiço voltou contra o feiticeiro.  Temer, caracterizado durante o carnaval como Drácula sugando o sangue do povo, é um presidente sem popularidade.  Entretanto, Dilma omite o fato de que ele é presidente hoje pela a coligação PT-PMDB. Além disto, aparentemente ela é ambivalente com relação ao Aécio. O fato de que o Supremo o tornou réu esvaziou seu discurso de que a justiça só indicia um lado.  Ela soberbamente, está se mostrando confiante de que vencerá Aécio num eventual embate em Minas a um cargo no Senado.

Na sua palestra em San Diego, a ex-presidente enfatizou os seguintes pontos:

  1. orgulho de ser mulher, feminista e a primeira “Presidenta” do Brasil
  2. que ela foi vitima de um golpe parlamentar e que as “pedaladas fiscais” não eram diferentes de atos semelhantes do FHC e administrações anteriores e portanto não caracterizam motivo de impeachment
  3. o governo dela foi um governo popular voltado para diminuição da desigualdade e a promoção de mulheres e minorias
  4. o novo governo visa retirar os benefícios e fortalece uma direita violenta e corrupta
  5. Lula é inocente e popular, e que mesmo estando na  “solitária”,  irá vencer
  6. a polarização política agrava no Brasil. Não existe mais centro, apenas extremos. O assassinato da Marielle Franco é resultado do aumento de poder da extrema direita pelo governo atual.
  7. o PT venceu 4 eleições presidências e venceria novamente com Lula porque o seu governo e o governo do Lula foram bem sucedidos ao diminuir a desigualdade e ao promover melhoria e expansão na educação
  8. Ela e Lula representam o oposto do ódio da direita.  O golpe abriu uma “caixa de Pandora” onde as forcas do mal estão soltas.

No final da palestra não teve debate. Apenas foram apresentadas duas perguntas, a primeira lembrando como a Dilma foi um exemplo de uma mulher  que sobreviveu a tortura e a violência. A segunda pergunta tratou da necessidade de democracia.

Os “talking points” da Dilma tem fundamento mas também são sujeitos a contestação. No final, me sentimento foi de melancolia. Embora a Dilma pareça bem fisicamente, ela não cativa pela palavra. Ela não se abriu e nem ofereceu uma autocrítica. Ela não apresenta um programa além do reparo daquilo que ela percebe como injustiça.   Dilma não reconhece o esgotamento do programa do PT e nem a condenação de seus partidários por corrupção. Ela não menciona nenhum erro com relação a Petrobras e nem na promoção de grandes obras tipo Belo Monte que ameaçam o meio ambiente. Para a “ex-Presidenta”, basta o PT voltar ao poder para poder resolver os problemas do Brasil. Ela não quer tocar na perda de densidade eleitoral do partido e na falta atual de quadros. Ela não pautou a unificação da esquerda e só falou de raspão do PSOL quando mencionou a invasão do apartamento de Guarujá por militantes do MTST.

A platéia aplaudiu, teve alguns gritos de “Lula livre” e ai acabou. Enfim, viajou longe para pouca gloria e nada de novo.

Na minha opinião, o Brasil precisa de renovação.  A candidatura para o Senado em Minas é conveniente para Dilma, ja que sua eleição não representará nenhum avanço positivo, sendo apenas um ganho de foro privelegiado para si e nao para o Aecio. É certo que estamos ainda há seis meses da eleição, mas seria melhor se Dilma se empenhasse mais pelo Brasil.  Como, por exemplo, batalhar e pressionar o governo do Rio para desvendar a morte da Marielle, ou talvez simplesmente aquietar e escrever suas memórias para melhor explicar sua atuação e muitas contradições durante sua administração. Ai está minha melancolia.

IMG_0956

Photo by author: Membro da plateia 18/04/2018 San Diego State University

 

 

 

Lula: Estou Triste

Lulascreenshot

A condenação do Lula por unanimidade certamente é um marco na historia recente.  Talvez não seja surpresa, mas ainda assim mexa com as emoções.

Pessoalmente, o que me deixa triste e frustrado é aquilo que talvez podia ser sido e não foi.  Me lembro muito bem das eleições de 1989: Lula contra Fernando Collor.  Embora o Collor apareceu do nada como algo modernizante num Brasil saindo das trevas da ditadura, Lula tinha mais historia e oferecia uma narrativa de justiça muito mais atraente do que o garoto dourado que de repente galgou toda a simpatia da mídia tradicional.

Na época, Lula ainda tinha as origens de pobreza.  Ele ainda não tinha o transito fácil entre as elites.  Ele pregava uma mensagem de mudança e de esperança baseado na sua historia de migrante nordestino, de militância sindical, na sua luta contra os governos militares pelo menos desde Geisel e na personificação de uma mudança radical que prometia mais igualdade, diminuição das diferenças, libertação de jovens e mulheres e todo um projeto de busca de modernização à parte das oligarquias tradicionais.

Não tinha jeito e Collor foi eleito.  Somente, depois de uma nova passagem de construção e evolução com Fernando Henrique Cardoso, o plano Real, e a crise econômica do inicio do século, que Luís Ignácio finalmente conseguiu com todo direito e todas as honras sua eleição como presidente batendo nitidamente o candidato Tucano, Geraldo Alckmin em 2002.

Lula, eleito inicialmente criou um ambiente de incerteza, mas logo, logo com a indicação de Antônio Palocci e a carta ao povo brasileiro, Lula acabou tranquilizando o mercado financeiro e assim eliminou uma grande e potencial fonte de instabilidade.  Apaziguado o mercado, Lula galgou a simpatia não só de sua base tradicional, mas também das elites diante de sua atuação em prol das politicas econômicas tradicionais.  Prometeu e deu continuidade a politica econômica de seu antecessor.   O ambiente externo favorável puxou o crescimento e Lula soube administrar a expansão no sentido de corrigir de uma forma mais acentuada o salario mínimo e também ampliar o programa fome zero para bolsa família.  Como Presidente, ele continuou e melhorou as medidas de correção já iniciadas.

Entretanto, o grande desapontamento foi que a partir do discurso de maior igualdade, o Presidente Lula acabou aceitando e elevando uma proposta para firmar o PT no poder.  E assim começou a ampliação do poder através de medidas cooptativas e de compra aberta de votos e aliados não com o intuito de redistribuir, mas com o objetivo de criar uma base de poder assentada no controle da maquina publica usando a em favor de um projeto de acomodar aqueles que trocavam apoio politico pelo acesso aos recursos da administração publica.  Lula usou e abusou o sistema, expandindo sem preocupação, os postos de trabalho na maquina publica.

A politica de cooptação através do uso do estado a nível nacional, estadual e local funcionou até certo ponto.  Mas foi uma expansão aonde o PT e os partidos aliados não se preocuparam tanto com a boa administração, mas muito mais com o acesso aos recursos e seu uso “liberal”.  Lambuzaram-se no poder.

Infelizmente, Lula não usou educação e cultura para melhorar a aprendizagem e escolaridade.  Embora foram criadas escolas técnicas e universidades, perdeu-se em qualidade e recursos produtivos. Infelizmente, educação não foi seu enfoque.   As taxas de aproveitamento escolar não melhoraram e a baita diferença de qualidade entre a escolas publicas e privadas permaneceu.  De forma semelhante, aconteceu o mesmo com a saúde e reformas no setor primário.  Lula foi tolerante ou conivente com o MST, mas na realidade não fez nenhuma reforma agraria com assentamentos e reais inovações na oferta de recursos para trabalhadores sem terra.  Em vez disso, os supostos trabalhadores viraram apenas massa de manobra na luta politica com objetivos limitados que pouco tinham a ver com produção rural.  Durante o governo Lula e do PT expandiu-se a fronteira agrícola de mãos dadas com os latifundiários que tiveram basicamente mão livre nos cerrados e na Amazônia.  O mesmo ocorreu com a aliança desenvolvimentista do governo e os empreiteiros na construção das barragens e obras antiecológicas.  Bel Monte começou com Lula e foi em frente com sua agressão antropológica e ambiental no governo Dilma.

Enfim, Lula aprimorou um discurso baseado na sua narrativa de nordestino, trabalhador, engajado, progressista, consciente e reformista.  As boas intenções revolucionarias de mudar a distribuição de renda funcionaram enquanto os ambientes internos e externos proviam recursos suficientes num ciclo positivo.  No entanto, quando reverteu como sempre reverte, não havia uma base de sustentação.  Lula não criou nada solido no sentido de oferecer alternativas reais para os desfavorecidos.  Como sempre, a educação foi insuficiente e de baixa qualidade, a saúde também e até a mobilização politica das pessoas foi feita em troca de favores em vez de objetivos reais de mudança e participação politica.

Infelizmente, o sistema absorveu Lula e ele ofereceu pouca resistência.  Acabou aceitando um projeto de poder para favorecer, em primeiro lugar, um circulo pequeno de sicofantas, em segundo lugar um grupo de oportunistas coniventes de ocasião e em terceiro lugar aqueles que já se apoderavam da maquina publica e continuaram aproveitando de forma conivente com um governo que ficou ideologicamente cego.

Pode-se culpar Lula.  Pode-se chama-lo de grande chefe do esquema criminoso, mas é mais acertado ver Lula como quem chegou e acabou acomodando aos sistemas tradicionais do poder e distribuição de favores.  Ele chegou ao topo do sistema, mas o sistema foi maior do que ele como individuo e ele acomodou na aceitação e administração de demandas.  Assim, ele se confirmou como um populista de esquerda nos moldes do Getúlio da década de 50.

É triste porque, em principio, Lula poderia ter sido mais.  Ele poderia ter liderado a costura de um acordo nacional mais sustentável e favorável às novas classes que emergiram com a estabilidade da moeda (Plano Real e controle da inflação).  Em vez disso, ele optou por um caminho de reformas fáceis e de alcance limitado, e que hoje estão sendo revertidas.

Esta primeira condenação (com apelo) do Lula não será a ultima.  Mas o pior é que Lula se perde hoje na falta de autocritica, não admitindo nenhum erro.  Ele se acha a alma mais honesta, além de ser a própria encarnação o povo.  O que é um auto definição sem base e sem fundo.  Não houve um caminho de construção nem no sentido politico e menos ainda no sentido de um modelo econômico funcional.  Se Lula voltar, é só com as mesmas e cansadas fórmulas anti-mercado, anti-capital e anti-investimento que nunca funcionam.  Definir um modelo sustentável a longo prazo num pais com a tradição escravocrata que o Brasil tem não é fácil, mas está mais do que claro que o estado lotado e capturado por um partido, aliados e/ou castas estatais, se tornou um grande empecilho ao desenvolvimento e redistribuição.  Lula tinha em mãos a forca politica para promover alterações importantes, mas no final do dia isto não aconteceu e ficamos hoje com sua condenação, decepcionados com ele, frustrados e sem projetos.

Há gente feliz, dizendo que as instituições funcionaram.  Não é a verdade completa.  A justiça também anda capenga como a sociedade.  A construção vai ser lenta e resta saber se há um projeto no Brasil que ultrapasse Lula populista ou as elites eternamente enraizadas.

 

 

Como matar a borboleta-azul: Uma crônica da era Dilma de Monica Baumgarten de Bolle, Comentarios de All Abroad Consulting-Steve Scheibe

como_matar_a_borboletaazul_1474318505612400sk1474318505b

Acabo de ler o novo livro de Monica de Bolle.  Monica é pesquisadora senior do Peterson Institute for International Economics vinculado a John Hopkins University.  Ela também traduziu a edição brasileira do livro Capital de Thomas Piketty.  Ademais escreve blogs e colunas, enfim uma economista que publica bastante, sendo bem visível na mídia social.  Enfim, a autora reúne experiência e competência.  Recentemente, surgiram comentários na mídia que ela poderia integrar o Ministério (Planejamento?) do Presidente Temer.

Borboleta é um resumo dos anos Dilma, principalmente os erros econômicos (e em menor grau) políticos do segundo mandato.  Como uma pessoa muito bem lida, Monica conta a historia usando analogias e paralelos literários.  Assim a destruição da borboleta azul [1] representa a metáfora do período final do governo PT no poder.

Como Monica de Bolle vem acompanhando de perto (mesmo em Washington) a economia brasileira, ela usou blogs e artigos publicados como a espinha dorsal do livro.  Olhando a sequencia dos artigos que ela integra bem no livro, pode-se ver que ela já enxergava onde a economia iria chegar e as consequências politicas para a Presidente Dilma.  Um desastre pré-anunciado.

A autora enfatiza que Borboleta não é um tratado econômico “repleto de gráficos”, mas sua apresentação de uma historia cujo determinante fundamental foi a insistência da governante em não reconhecer seus erros e falhas inerentes em sua visão econômica e também politica.  Enfim, de acordo com a autora, a Presidente Dilma não foi inteligente e insistia em executar as regras da estupidez humana, na expectativa de obter um resultado diferente através repetição insistente das mesmas medidas que estavam dando errado.

Às vezes, para o leigo, e difícil distinguir com precisão as escolas e as matrizes que guiam um economista acadêmico como Monica de Bolle.  Creio, contudo, que se a grosso modo separamos ortodoxos e heterodoxos, Monica se situa no campo do liberalismo tradicional onde o mercado deve ser o determinante principal e não o estado intervencionista.  A Presidente Dilma, é claro, está no lado fazendo parte daqueles que desconfiam do mercado principalmente na situação de um pais em desenvolvimento e com um elevado grau de dependência de fatores externos.  Então, a grosso modo, Monica insiste em criticar Dilma por suas intervenções equivocadas enquanto que Dilma diz que está (ou estava) defendendo o pais e os menos favorecidos e marginalizados, que conquistaram um novo espaço com as medidas econômicas e sociais implementadas pelo governo do Lula e continuadas por ela.  Crise na opinião dela não seria por sua culpa, mas provocados pelas forcas retrogradas no Brasil, principalmente os financistas e rentistas e também pela crise do capitalismo mundo a fora.

Assim enquanto os ortodoxos pregavam austeridade, Dilma, Manteiga, e Nelson Barbosa promoviam a nova Matriz Econômica que visava a implementação de medidas anticíclicas de origem, a meu ver, Keynesiana.  Monica de Bolle não perdoa o que ela vê como prepotência da Presidenta.  Dilma depois de reeleita e mesmo com um Joaquim Levy na Fazenda insiste em uma politica fiscal insustentável e que resulta nas “pedaladas” fiscais, que eventualmente foram a justificativa, prima face, de sua degola.

Monica mostra passo a passo ao longo dos capítulos os anos 2011 até o impeachment em 2016, onde a triste figura de uma “Presidenta” se perde a partir da crise americana e europeia de 2008, que segundo Lula, tratava-se de uma “marolinha” no Brasil.  Ela e seu fiel escudeiro Ministro Mantega procuraram utilizar todas as alavancas para lidar com o fim do modelo Lulista, e também dos impactos do QE (quantitative easing) americano, do impacto na inflação, dos juros, das reservas, dos investimentos/poupança e da politica fiscal.  Mexe aqui, mexe ali e a economia continua encolhendo ate chegar a atual recessão e o quase inevitável impeachment.  De acordo com a avaliação no seu livro, Dilma, Mantega, Trombini e por Nelson Barbosa não acertaram nenhuma.

Embora o livro de Monica seja para o publico geral, não achei a leitura assim tão fácil já que ela introduz termos técnicos como dominância fiscal, erros de macro prudência e razoes de variação cambial.  Não são exatamente termos de fácil compreensão principalmente na forma que inter-relacionam.

As criticas à Dilma e seus (des) governos são diretas e sempre com embasamento nos resultados produzidos.   O governo da Dilma não teve uma politica econômica coerente e faltou habilidade em lidar com o Congresso e partidos políticos.  Ela interviu demais, descontrolando os indicadores e sinais do mercado. Por isto, ela acabou inspirando desconfiança, e como politica, foi antipática e teimosa, conseguindo desagradar gregos e troianos inclusive no seu PT.

Ate aí, tudo bem e representa o consenso pôs impeachment.  Mas a questão que emerge e que precisa de resposta é a seguinte:

Além do receituário liberal (austeridade, controle de gastos, menor intervenção, menos burocracia), o que faltou? No Brasil, o peso da cultura e do estado gigantesco nunca deixou os liberais a vontade.   Está surgindo no Brasil um vetor libertário, mas é´ algo meio estranho no contexto.  O Movimento Brasil Livre (MBL) e afins parecem mais uma minoria contestadora, querendo acabar com a corrupção, do que um movimento a favor do livre mercado.  Estes grupos parecem mais modismos vindos de fora, e não constituem um partido e/ou forma durável de representação.

Sucesso politico no Brasil depende tradicionalmente de populismo, e com políticos populistas no poder é praticamente impossível adotar as soluções de mercado que os ortodoxos como a Monica advogam.  O problema de desenvolvimento no Brasil acaba sendo não um problema de soltar o mercado e seus mecanismos, mas em resolver o quebra cabeça politico para poder soltar as chamadas forcas produtivas.  Mas as instituições são fracas, os partidos são veículos de promoção individual, ou apenas agrupamentos que buscam ganhos próprios e individuais ao modo do PMDB.  O PT em seus documentos e cartas seria um belo partido socialista, mas as ações individuais de seus principais membros denunciam qualquer feição socialista em nome do avanço individual encoberto em uma retorica social.

Mas a questão não é só´ político-econômica.  Recentemente, um outro economista, Alexandre Rands Barros, lançou o livro Roots of Brazilian Economic Backwardness (Elsevier, 2016) publicado em inglês.  Este sim é um tratado cheio de gráficos e tabelas, podendo assustar até os experts.  Mas basicamente Barros argumenta, diferente de Monica, que o atraso relativo do Brasil vem do problema histórico de formação de capital humano.  Quer dizer que mesmo se o Brasil operasse de acordo com as expectativas de economistas ortodoxos, ainda assim estaria atrasado.

Creio que o argumento de Barros não é novo e estudiosos como Claudio de Moura Castro e Simon Schwartzman, entre outros, tem pautado no mesmo sentido.

Sem entrar nos méritos acadêmicos, o que me parece interessante e misterioso no Brasil, é tentar entender como uma sociedade, com a herança de escravidão, racismo, corrupção, desigualdade, ignorância cultivada, elites distantes e arrogantes e um povo sofrido ainda consegue existir.  Como é que o Brasil ainda não entrou numa guerra civil aberta?  O que é o super-bond que segura?  Apesar do estado e sociedade em situação de falência, o Brasil ainda possui uma atração como um lugar que encanta pela beleza do povo, pela cultura, pelo potencial e até, pasmem, pela cordialidade.  O povo ainda se declara otimista e feliz.  Como? Por que?

Monica de Bolle, economista ilustre e excelente contadora de casos talvez esteja trabalhando numa historia ou conto, com final feliz, que venha a ajudar esclarecer o mistério.  Assim espero.

[1] Quando cheguei ao Brasil no inicio da década de 60, a bandeja com as asas encrustadas era um “souvenir” de praxe e demonstrava a abundancia do “exótico”.

In with the Old

republica-velha-1

Institutional gymnastics in Brazil deserve a gold medal. Politicians orchestrated a slick maneuver that led to President Dilma’s impeachment but saved her, at least temporarily, from the loss of the right to hold political office in spite what the Constitution mandates. This bit of political chicanery orchestrated by Renan Calheiros, the Workers Party (PT) and Supreme Court Justice Lewandowski, and likely sanctioned by President Temer, amply illustrates the permanence of Brazil’s political culture of accommodation and innovation through the use of the “jeitinho”.  The move further weakens respect for the Constitution, the Supreme Court and the overall political process.  In the end, it means institutional degradation and for anyone looking from the outside in, they can only scratch their head and wonder if Brazil will ever have rules that apply in a universal fashion.  If you are a foreign investor thinking about playing in this trillion-dollar market, what is your impression?

The impeachment (with attenuation) raises basic questions that demand answers: Is Brazil’s culture perverted in such a way that institutions cannot solidify and function? For how long will the Brazilian political body be subject to the whims and wiles of manipulative and astute members of the political elite?  Why do the major economic players condone and acquiesce in such ad-hoc maneuvering?  What is necessary for institutional stability and growth?

The short answer goes back to Brazil’s historical heritage, the weight of slavery and patrimonialism. Brazilians are aware of and frustrated by contemporary anecdotes about the difficulty of encountering the promised future.  Some say that Brazil needs another 500 years to shake off the elitist centralization inherited from the Portuguese crown plus another plus another 500 years to remediate the sins of the world’s most intense slave trade.  In 1800, slaves made up more than half of Brazil’s population and Brazil still has the largest share of African blood in the Western world.  Paradoxically, miscegenation, partially driven by demographics, led both to the myth of racial democracy but also reaffirmed Brazil’s unequal distribution of power and property based on racism.  “White” society prevailed over the many gradations of darker and poorer.  Brazil took its time in abolishing slavery (1888) and even by the end of the Empire (1889), suffrage in the newly proclaimed Republic favored the rural based patrimonial elites who could control “their” people and guide the limited suffrage that would come into place.  Illiterates were barred from voting and education was restricted, thus favoring the status quo.

From the abolition of slavery and the Republic to the present day, the vestiges of the system remain in place.  Even the shift of population from 90% rural in the 19th century to 90% urban in the 21st has only slowly, extremely slowly, begun to reverse this inheritance.  Brazil remains stubbornly unequal in education, income and the distribution of power and participation. This unevenness can be seen along the racial spectrum from white to black, rich to poor, the privileged to the destitute, from those who live in hillside favelas to those with beach-front homes.

Even as Brazil industrialized, urbanized and made great strides in wealth generation and economic opportunity, social advancement remained highly dependent knowing the right people.  Brazilians always have had to value what is called a high IQ or in Portuguese, Quem Indica – Who do you know?  Years ago, young women aspired to marrying a functionary of the Bank of Brazil and today young people are still avid seekers of employment in the public sector and preferentially to a post based on personal referral.

Since the 1930’s and even before, economic development has been state led.  Those with political power and those able to create economic surplus looked to the government for investments, loans, incentives, protection, and the benefits to be derived from positions and sinecures in state run enterprises.

With power and resources, those in government treated society and the population in a paternal and/or populist manner. Look at how members of Congress members of the president’s administration behave. Their policies and favors are for friends and family.  Although society and the economy have grown in sophistication and complexity, the political system remains largely traditional.  It is and always has been the duty of the governing to anticipate, control and genuflect toward popular demands.  In Brazil, the government has a long history of signaling and promoting social and economic benefits.  Thus today’s labor code (CLT) with its roots in the Estado Novo dictatorship provides Brazilian workers with the benefits of European social democracies before these were actually demanded and negotiated in a political struggle.  Cooptation and control prevailed over political mobilization and the winning of rights through active political participation.

While Brazil is a capitalist economy, nothing gets done without the government.  Statist ideology, state capitalism, state control and intervention are all too present.  Brazil needs to decide the role of the state in the 21st century economy.  Dilma was ejected because the state fell down on its ability to perform and coopt.  The new President promises changes and is trying to promote a more traditional style of capitalism with competition, rules, private property and the right to profit.  However, the current system is stacked against this.  And while, the Worker’s Party has expanded the state as an employer since 2003, this tradition started much earlier with entrenched interests in the state with its tentacles in all sectors is difficult to budge.  Politicians don’t want to change as they can allocate resources in the form of jobs and benefits.  Those on the receiving end or even potentially on the verge of power also lack incentive to change.

Economic complexity, a population of 210 million, a GDP that has shrunk to less than 2 trillion, societal diversity and increasing yet still poor levels of education are all factors demanding a new model.  Not much will happen with President Temer.  He has only one bullet and that is to somehow revive the economy and this will be a challenge.  Moreover, his term is too short and if he tries to run for reelection in 2018, that act will trigger another crisis.  Brazil needs to find leadership but the population also needs to decide on a future where the state has a greatly reduced role in collecting and allocating resources.  Because this will involve pension reform, tax reform, privatization, de-bureaucratization, losses of access to easy jobs and privileges, the process can only take place over a long time frame.

It remains to be seen if the old can survive until the future arrives.

Cultura Politica, Cultura e Passagens

Tunga

Tunga, “a luz de dois mundos” no Palacete das Artes Rodin Bahia. Foto de Márcio Lima

Vi hoje que faleceu o artista Tunga. Eu o conheci de forma superficial quando éramos jovens por volta de 1973. Na época fiquei no Rio na casa de seu pai Gerardo Melo Mourão. Como Gerardo se hospedou em minha casa enquanto nos Estados Unidos, ele me convidou para ficar no seu apartamento. Era uma coisa de permuta, reciprocidade e a cordialidade brasileira de antigamente.

A cultura política, como as pessoas, tem também sua evolução natural. As pessoas morrem mas a cultura continua e transforma. Embora o Tunga foi um artista de renome, só as pessoas digamos “cultas” e interessadas o conhecem. Da mesma forma, Melo Mourão foi um grande poeta, mas poucas pessoas que não são das áreas de política e cultura já ouviram falar. Seu livro principal de poesia “O Pais dos Mourões” e’ conhecido por connoisseurs, mas o publico geral desconhece. Assim, a arte de Tunga talvez pareça esquisita para a maioria das pessoas.

Na cultura política, atualmente estamos com um poeta bem menor na presidência e a sua volta um montão de pessoas suspeitas. Ele mesmo também e’ ficha suja. O problema, entretanto, não e’ corrupção. O problema e’ cultura e cultura política. Da mesma forma que ha’ uma vasta separação entre a cultura artística de elite e o povo, ha também a mesma separação entre o povo e o político. A cultura tradicional que era orgânica e praticamente de fazenda e casa grande acabou. A cordialidade vinha da relação do pai e do patrão e do patrimonialismo condescendente. Nessa cultura era possível resolver os problemas através de uma incorporação estratégica com base na oferta de benesses e na manutenção de um contrato informal entre o dono da fazenda ou coronel e de seus agregados.

Ao longo do século 20 a herança escravagista permaneceu e ainda ha’ os elevadores de serviço e os uniformes de domesticas para garantir e manter a “correta” separação.

Só que o pais chegou ao século 21 e, em 2016, temos mais de 200 milhões de pessoas, todo mundo morando nos centros urbanos. A escravidão acabou e não ha’ mais como manter a relação patriarcal direta. Se bem que o Estado tenta e os partidos no poder também. Por exemplo, a Constituição de 1988 sacramentou e incorporou os interesses de grupos organicamente estruturados. O governo de Temer, por sua vez, acaba de anunciar a criação de mais 14 mil empregos federais.   Mas hoje o pais não tem mais como pagar os empregos, a estrutura e os “direitos” adquiridos. Alem disso, ha’ o problema sistêmico onde os “Donos do Poder”, na expressão do Raymundo Faoro, acostumados a aproveitar do sistema como se fossem proprietários, acabam de lentamente descobrir que tal manipulação já não e’ mais aceitável. A estrutura esta’ ruindo e esta’ levando quem se julgou acima de tudo.   E’ interessante observar a indignação dos políticos tradicionais ameaçados pelo Ministério Publico.

A cultura do povo e a cultura política estão completamente defasadas. A economia por sua vez sofre com as amarras das estruturas da cultura e do sistema de poder. A atual administração talvez esteja engatinhando em liberar e “liberalizar” a economia, as restrições, regras e burocracias. Mas enquanto não mudar a cultura, o Brasil seguira’ aos trancos e barrancos. Todos sabemos que e’ preciso reformar e ampliar a educação, de forma que realmente alfabetize, capacite e ensine a pensar. Isto não esta’ acontecendo. Ampliou-se o alcance mas perdeu-se na qualidade. A cultura de elite segue, mas todavia dependente dos benesses. A política continua também sem reforma e o custo da campanha praticamente exige praticas ilícitas. Como mudar? E’ um trabalho de gerações. Pena que não começou antes.

 

Erros e Acertos nas Previsoes para 2015

Chegou a hora de avaliar os erros e acertos das previsões que fiz o ano passado. Aqui esta o link para minhas “profecias”:

https://allabroadconsulting.wordpress.com/2015/01/02/previsoes-para-2015-e-a-posse-da-presidenta/

Comecei o blog dizendo: “Por mais que a gente quer uma alteração de rumo, esta difícil enxergar o que pode mudar.” Como nada mudou, alias só piorou, acertei de cara.

Abaixo também cito as palavras ou promessas da Presidenta no seu discurso de posse. Ao que parece, ela ainda não cumpriu nenhuma e a idéia do lema de pátria educadora acabou banalizado com 3 ministros em 1 ano: Gomes, Janine, e Mercadante. Nenhum teve capacidade e/ou recursos para educar ninguém.

Teci previsões quanto a economia, a Petrobras e o setor primário. No geral, acertei.

A economia passou por um ano difícil com o PIB encolhendo mais de 3 por cento. Os preços de “commodities” (petróleo, soja, minério de ferro e celulose) caíram e o setor primário exportou em US$ aproximadamente 10% a menos em 2015 comparado com 2014. A Petrobras, que não quebrou (ainda), trocou de presidente e mesmo assim o valor das ações continuou caindo. Tenho amigos no mercado que acham que a PBR esta quebrada, e realmente estaria, se não fosse o “backup” do governo que não vai deixar o maior xodó do Brasil ir a bancarrota.

Errei grosseiramente na previsão de cambio. Sendo tímido e algo confiante no Real previ a mudança de 2.70 para apenas 3.10, ligeiramente acima de 10 por cento. Hora bolas, o ano terminou com o real encostando em 4 ou uma desvalorização de 50 por cento. Se 2016 for igual ou pior a 2015 então podemos esperar o real entre 6 e 7 em dezembro. Será?

Em principio, a desvalorização do real deveria ajudar as exportações mas como o Brasil exporta hoje basicamente commodities, os preços caíram e a demanda também. A industria que perdeu, ha’ tempos, seu mercado ainda não recuperou sua produção e nem seus clientes externos. Especificamente no setor automobilístico, o México já ultrapassou o Brasil em termos de produção e produtividade. Ai a falta de avanço acaba em atrasos e encolhimento de um setor que foi importante nas exportações e que hoje vai perdendo significância. O Brasil não produz exatamente “carroças” mas a produção não e’ de vanguarda e nem de altíssima qualidade.

Falei também de protestos e movimentos de rua. Tivemos sim, mas ainda não alteraram o quadro político. Ao final do ano, a movimentação de rua pro – Dilma estava talvez numericamente maior do que anti-Dilma. O povo esta cansado e resignado.

O ano passado, literalmente “achei estranho” que ninguém das grandes empreiteira havia sido preso. De repente no meio do ano, a PF prendeu Marcelo Odebrecht e outros executivos das maiores empresas de construção do Brasil. Então estava equivocado ou certo? Mais de seis meses presos sem acusação formal e negação de habeas corpus continua me parecendo estranho. Creio também que haverá algum tipo de leniência para os grandes empresários e Dilma já esta falando de um novo PAC de construção civil.

Transcrevo aqui as promessas que Dilma fez para o primeiro semestre de 2015.

  • transformar em crime e punir com rigor os agentes públicos que enriquecem sem justificativa ou não demonstrem a origem dos seus ganhos; 2) modificar a legislação eleitoral para transformar em crime a prática de caixa 2; 3) criar uma nova espécie de ação judicial que permita o confisco dos bens adquiridos de forma ilícita ou sem comprovação; 4) alterar a legislação para agilizar o julgamento de processos envolvendo o desvio de recursos públicos; e 5) criar uma nova estrutura no Poder Judiciário que dê maior agilidade e eficiência às investigações e processos movidos contra aqueles que possuem foro privilegiado. (Fonte: discurso de posse)

Como eu previ, nada disso aconteceu e nada esta na pauta do Congresso.

Finalmente, comentei a tentativa da Dilma em se afastar do Lula na nomeação dos ministros. O principal exemplo foi o Joaquin Levy que durou um ano. O substituto, Barbosa, embora não afiliado ao PT e’ muito mais próximo ao Lula e ao ex-ministro Mantega. Enfim, Dilma começou fraca e continua fraca e sem opções. Mas o pais também se ressente de alternativas e, a não ser que apareça uma prova contundente de corrupção da Presidenta, ela continuara ate o final.

Resumindo, acertei algumas e errei outras coisa. A avaliação pelo menos faz a gente refletir um pouco, para ver se apura as observações.