Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil

Me lembro muito bem do 7 de setembro de 1963 quando minha sobrinha, de uns 7 anos no interior de Minas, desfilou com seu grupo escolar portando a bandeira nacional com muito orgulho. Oito meses depois veio o golpe militar e a independência foi cada vez mais um meio para manipular o sentimento nacionalista. E’ interessante que continua assim, com um governo dito de esquerda, mas na realidade sem rumo, que se fecha atrás de tapumes em Brasília. Triste espetáculo para quem tem medo de governar.

Ficar a pátria livre hoje significa a manutenção da democracia. Dilma, por sua vez, se diz defensora do processo político e isso merece elogios. Mas não e’ suficiente. Em tempo de crise, alguém precisa de visão e poder de articulação e como desde 2010, ela vem perdendo legitimidade, ela não tem a capacidade de liderar uma equipe, de interagir com o Congresso e definir o por que de sua postura. Ela parece e o pais parece a mercê dos elementos. Culpa-se a crise alheia, culpa-se a seca, culpa-se a oposição mas não chega a oferecer, articular ou visualizar um caminho alternativo.  E tudo isto apesar dos votos de mais de 50 milhoes de eleitores.  Nao ha terceiro turno mas trata-se de fazer algo positivo.

Dilma esta longe de um programa socialista e do socialismo esposado nos documentos dos Petistas. Mas ela também não apóia um programa liberal do Levy ou de qualquer agente de mercado. Sem definição e sem posição, a inflação já vai para mais de 10 por cento ao ano e pega em cima dos pobres, dos assalariados e dos aposentados do setor privado. (Os aposentados pelo governo federal estão em situação bem melhor). Enfim arrebenta em cima de 80 por cento do pais. Com certeza, a gradativa percepção e eventual realização plena das perdas explica a falta de popularidade. Isso aliado a idéia que o governo não oferece uma solução ou um caminho.

Morrer pelo Brasil hoje talvez representa a falta de opções.  As perspectivas vão sumindo. Quem passou da classe sem consumo para a classe com o consumo  agora “perdido” provavelmente vai acabar se resignando ou revoltando de forma individualista as vezes com crime mas mais provável na semi clandestinidade do semi mercado informal e na volta para os jeitinhos tradicionais de sobrevivência urbana que complicam a eventual possibilidade de organização e arrumação. A organização das estrutura urbanas e arranjos sociais mais produtivos depende de um quadro formal na comunidade ou num sentido mais amplo onde a sociedade civil em organizacao consegue interagir com um governo organizado e com programas que o poder publico legitimo consegue prover e promover.  Ja que ha desconfianca, ja que nao ha sucesso, ja que a vaca vai para o brejo, o atual sistema tende a desagregar e penda para apenas o lado repressivo sem apontar o caminho para a reconstrução.  As oportunidades estao indo pelo ralo.

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