Licões de Capitão

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O líder das pesquisas sem Lula ficou famoso e há muitos anos vem dando lições e parece que a plateia está gostando.  As aulas são simples e aqui vão 7 resumos:

  • O homem tem que ser macho e se proteger e preservar a família contra o mal
  • Há males na sociedade como bandidos, homossexuais, feministas e comunistas
  • Para se defender a sociedade, é sobretudo os homens/machos que devem se armar e não ter medo de se defender ou mesmo atacar quando o risco está presente
  • A ditadura ou melhor os governos militares foram bem-sucedidos e contribuíram muito para o desenvolvimento do Brasil
  • O uso da violência e ate da tortura e aceitável no combate ao mal
  • Como pregam muitos evangélicos, as mulheres devem submeter-se ao homem que é a cabeça do lar.
  • Só com autoridade, respaldado pela Forcas Armadas é que se pode combater o mal

A representação que o candidato da direita apresenta é de um homem de bem, um homem forte, um homem decidido, patriota e cristão que supostamente tem um passado sem maculas e que não faz parte da política corrupta tradicional.

O problema que vejo não é o “candidato capitão” em si.  O problema maior, que as pessoas, em sua maioria, não quer admitir, é que as lições do Capitão refletem muito bem a essência da sociedade brasileira no momento.  O ambiente é de medo, de pavor, da busca do bem e da busca de soluções imediatas.  O momento também é descrença, de ceticismo e de desespero.  Essa conjunção abre um amplo caminho apos mais de 30 anos de redemocratização, 16 anos de PT e 8 anos de democracia social do PSDB. Desses anos todos a interpretação fácil e aparente é que a democracia só resultou em corrupção e benefícios para uma elite política desacreditada e descomprometida com a realidade do dia a dia da população.  Pelo menos desde a eleição do Fernando Henrique Cardoso e depois do Lula e da Dilma a percepção é que nem centro esquerda e nem esquerda foram capazes de resolver as questões básicas de emprego, educação, saneamento básico e saúde.  Só se escuta que o pais foi saqueado, que nada funciona como deve e que não ha solução fora de um figurão forte.

Assim, o problema então não é o capitão em si.  O problema maior reside na sociedade que não tem mais paciência com o processo democrático e suas falhas e prefere aceitar os valores autoritários como alternativa dos valores liberais.

Diz a direita, que o PT e os partidos de esquerda querem implantar um regime comunista sem direitos individuais e com o controle do estado sob os meios de produção.  Diz a direita que a esquerda quer promover a ideologia de gênero, o homossexualismo, a liberação do aborto e a destruição do lar com mulheres que não respeitam os maridos e que valorizam seus próprios interesses acima dos interesses da família liderado pelo patriarca.  Diz a direita que os esquerdistas querem pedofilia e não a pedagogia tradicional.  Assim fala a direita e encontra grande ressonância com suas afirmações fantasiosas e mentirosas mas ainda engolidas.

Antes de esfaquear e talvez matar, outra vez, o capitão de forma figurativa, seria bom olhar o nível de crença e evolução da sociedade.  A eleição de uma chapa de oficiais reformados, ou seja, de uma dupla autoritária dará legitimidade e carta branca.   Aqueles que estariam no poder dificilmente vão aceitar as normas de convivência da sociedade liberal.  Eles estão mais aptos para apenas atacar aquilo que definem como o mal.  Quem não aceitar as novas regras terá que calar e consentir ou sair.  Em todo lugar, onde existem governos militares e/ou autoritários mesmo eleitos, a solução passa pelo ataque aos inimigos.  Infelizmente, a memória é curta.  As pessoas não lembram dos desaparecimentos, das perseguições, da censura, do medo e do controle arbitrário imposto pelos militares e seus fieis servidores civis.  Portanto a solução oferecida apenas engana sem resolver.

Às vezes, se progride e depois vem um retrocesso.  Por exemplo, Lula saiu do governo em 2010 com aprovação de 80% do povo.  E agora esta na prisão com uma taxa de rejeição em torno de 40%.  Muitos que adoravam Lula endeusam hoje o “mito”.  O Brasil com o PT entrou no retrocesso, mas a eleição de uma fantasia da direita não tem probabilidade de corrigir os problemas e se “endireitar” algo vai criar novos problemas e ate mais anarquia.

Tinha-se a ideia que o Brasil estava decolando economicamente e tornaria um pais democrático com mercado funcionando em harmonia com empresas estatais.  A partir da Dilma e especialmente seu segundo mandato, ruiu tudo.  Hoje não existe uma crença consolidada da possibilidade de uma politica democrática no Brasil e com isso o pais apela mais uma vez para seu passado autoritário.  E talvez pior, não há vontade entre os candidatos de qualquer lado de definir o modelo econômico que poderia ajudar na busca da democracia.

Muitos fecham os olhos, mesmo sabendo, que as ditaduras são arbitrarias e só funcionam em beneficio daqueles com acesso direto ao poder.  Mas como a ilusão é parte essencial da vida vamos as eleições.

 

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Fogo Amigo: Comentarios

Aqui vai uns comentarios de meus amigos Laerte e Marcia, brasileiros recem chegados aqui nos EUA.  Tratam do meu ultimo blog de 8 de setembro logo apos o incendio e o ataque a faca.

https://allabroadconsulting.wordpress.com/2018/09/08/bala-fogo-faca-e-acomodacao-o-choro-e-livre/

Steve, comentários após conversa com o Laerte.

O texto é bastante emotivo e acho que reflete o sentimento de frustração de alguém que é de fora, mas ao mesmo tempo é tanto ou mais brasileiro do que muitos de nós.

O que está acontecendo no Brasil merece uma análise um pouco mais profunda do que classificar os brasileiros entre cordiais e não cordiais. O nosso país é uma grande mistura, sempre foi. A criminalidade está avançando, é verdade, mas não é apenas no Brasil. Todos os países da América do Sul e América Central estão sendo tomados por uma onda de violência absurda. Gangues e o tráfico de drogas estão por trás disso e o buraco é bem mais abaixo do que podemos ver – esse grande poder econômico está financiando os políticos e os governos e isso me parece um caminho sem volta. Eu não costumo ser pessimista, mas acho que eles vão tomar tudo. E os Estados Unidos que se cuidem.

Eu tomaria um pouco de cuidado com os termos superlativos (marquei no texto em amarelo) do tipo “nunca”; “inúteis”.

Acho que você tem toda razão quando diz que falta responsabilidade e podia explorar um pouco melhor esse ponto. Eu acompanho governo federal desde 1990. Participei de um programa de saneamento que foi super eficaz (conseguimos gastar os 500 milhões de dólares financiados pelo BID) em 215 obras de sistemas de esgoto pelo Brasil – foi um sucesso como modelo gerencial. Mas, e daí? as coisas não continuam. O assunto é entregue a políticos, a partidos que querem apenas usar o dinheiro em benefício próprio – nomear os companheiros e desviar. Essa tem sido a regra. O governo FHC também fazia, mas com um pouco mais de pudor…. escolhia certas áreas e entregava. Outras não. Deu no que deu: são já décadas de descaso com o saneamento, educação, saúde, segurança. Desses, acho que o assunto segurança é mais complexo porque vai além da gestão. É guerra velada. Eu vejo um modelo como responsável muito mais do que culpa de quem.

A pergunta “vai mudar algo” é muito complexa de se responder… o que vai mudar, depende de muita coisa… e não vai ser no curto prazo seja lá o que nos aguarda o futuro. Eu não concordo com a sua frase de que o Brasil assiste passivo e acomodado as coisas erradas que estão acontecendo…. há movimentos da sociedade importantes que surgiram nos últimos tempos, de protestos (MBL, Vem Pra Rua), de maior transparência (Observatório Social, Transparência Brasil), e outros tantos. A questão é que eles não têm força e ainda quando ganham essa força têm seus limites. E o limite está na caneta. Quem toma as decisões são os governantes. Um bom governo, com gestão mais técnica ajudaria muito.

Sobre o não funcionamento das coisas: acho que uma parte é reflexo do que eu chamo apagão da educação, que vem apagada desde a redemocratização. Entregar a formação básica para os municípios sem que se tenha dado condições institucionais para isso foi o maior erro que o Brasil cometeu. “Ah, mas precisamos descentralizar as políticas públicas”. Tá… se você quiser que eu cuide de 5 dos seus 10 filhos pra você enquanto você viaja, vai ter que me dar uma força para arrumar camas e pagar a comida deles! Isso foi o que não aconteceu no Brasil. Os municípios estão sempre em estado de penúria. A má qualidade na educação está levando para o mercado profissionais sem qualidade e o resultado disso é que tudo tem que ser refeito ou corrigido. A produtividade despenca!

Sobre os crimes sem solução: a justiça também está corrompida e não há um “ente” que possa fiscalizá-la! Quem é que vai dizer para o Gilmar Mendes que ele não tem legitimidade para soltar os bandidos que solta? Especialmente o “Barata” (de cuja filha ele foi padrinho de casamento) – o Barata é o dono das maiores empresas de transporte urbano do Ceará e Rio de Janeiro, conhecidas pela corrupção, formação de cartel e ineficiência.

Quando vc diz que o brasileiro assiste passivo e besta você está querendo chacoalhar o brasileiro ou ofender? Como brasileira, eu te pergunto: fazer o que? só podemos votar! Vc acha que esse tipo de frase ajuda?

Sobre reinar o pessimismo: é verdade, muito disso tem a ver com a esperança que os brasileiros depositaram nos governos de esquerda e o que receberam de volta foi a realidade do que acontece por trás dos partidos políticos e suas  coligações espúrias. Há o lado bom. Graças às investigações e o noticiário, finalmente o brasileiro pode entender como funcionavam as campanhas e as negociatas, a compra de votos, a troca de favores. Eu acho que na verdade tudo isso faz parte de um processo de transformação, doloroso, mas necessário. Hoje as campanhas já são financiadas de outra maneira, por exemplo, ainda que possivelmente haja dinheiro por baixo dos panos. Temos uma lei da ficha limpa que impede que políticos condenados em 2a instância se candidatem.

Sim, o Brasil continua cordial. Mas agora, as pessoas estão assumindo de forma mais contundente suas posições políticas. E estamos num momento de grande polarização. Como a criança que cai quando começa a andar, assim é nossa democracia. Nunca se discutiu tanto política, e isso tem sido feito de forma desequilibrada porque ainda não somos uma democracia madura. Muitas pessoas ainda vão morrer, árvores vão cair, porque é necessário, porque assim foi e tem sido com o resto do mundo. O que me diz dos milhões que morreram no regime nazista? E as centenas de milhares de sírios? E os 65 milhões de refugiados?

Assim caminha a humanidade, eu incluída, com minhas imensas dúvidas e muita observação.

 

 

Bala, Fogo, Faca e Acomodação: O Choro é Livre

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Foto: Reuters

O Brasil tem uma reputação de ser o paraíso cordial. Entretanto, está complicado.  Alem de milhares de crimes e homicídios anuais, os hidrantes para combater incêndios nunca tem água.  Desde meus tempos de menino, me pareciam inúteis. Faltava e ainda falta também o básico: saneamento, segurança, saúde, escolas e mais um pouco de tudo, principalmente responsabilidade.

Era uma vez, e o país estava em construção mas perdeu o caminho.  (Será que foi culpa dos ianques imperialistas e do ano 1963 quando cheguei?  Duvido mas tem gente que acha e querem que a culpa seja dos outros.) Será que foi quando Tancredo  morreu?  Será que foi o golpe?  Ou foi culpa dos Portugueses? Será que importa?

E as tragédias da semana chocam.  Mas dai?  Vai mudar algo?  O Brasil assiste passivo e acomodado o desaparecimento das florestas, a poluição das águas, o extermínio de culturas indígenas, o roubo dos bandidos, dos políticos, dos quem podem e muitas outras desgraças.  A polícia matou 5 ou 6 rapazes dentro de um carro no Rio o ano passado e não aconteceu nada.  A vereadora do Rio foi brutalmente assassinada e seis meses depois nada.  Um meliante idiota fugiu com um carro arrastando atrás uma criança que morreu triturado e nada.  Um atirador oficial de helicóptero matou um menino de uniforme escolar e nada. Você sai na rua e separa o dinheiro para o assaltante e nada.  Você paga um condomínio alto e o elevador não funciona.  Você paga impostos e cadê os serviços.  E nada!  O museu pegou fogo…outra vez!  E nada!

Vamos pensar bem.  O brasileiro assiste passivo, besta.  Não faz nada.  Será que é covardia ou só falta de opção.

Em menos de um mês vem a eleição, quando serão escolhidos presidente, deputados federais, senadores e governadores. O foco da campanha está na presidência, mas o que importaria em termos de mudança seria o Congresso e as Assembleias.  O Congresso não vai renovar e as poucas associações locais são pulverizadas, controladas ou sem densidade e recursos.  Reina o pessimismo e não sem razão.

Quantas pessoas precisam morrer?  Quantas arvores precisam cair?  Quantas pessoas precisam tornar vitimas?

Sim, o Brasil continua cordial, em família, na turma da praia, na mesa do botequim, na torcida do time, mas não abre a boca lá fora e não perturba, senão vai ser agredido talvez só verbalmente, talvez só na gozação mas pode ser também de outra forma.  Todo cuidado é pouco.

Tranca tudo a sete chaves e não confia em ninguém.  Talvez só Jesus salva mas desconfia do Bispo.  Enfim espera a eleição passar, prepare o passaporte e mala para escapar.  Leva sua idéia do Brasil contigo que a idéia no Brasil já não existe.  Veja se lá fora melhora e assuma a responsabilidade que ninguém quer assumir no Brasil.

E boa sorte que você merece por sofrer tanto!  Mas não se acomode mais.

Nada original, mas o choro é livre enquanto a gente reconstrói a esperança que a eleição deverá celebrar.

My Voters Guide to the Brazilian Elections

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At the end of August, we are now a little more than 40 days from the first round of Brazil’s elections.  Here I want to focus on the presidential election and specifically the 4 leading candidates.  I am leaving ex-President Lula off my guide as, although he is seriously campaigning from his cell in Curitiba it is totally unlikely that he will overcome the legal obstacles impeding his candidacy.  Even so he is the elephant in the room and I will add a few comments on legitimacy and relevance.

The field is crowded and free television campaign time starts on Friday, August 31.  Traditionally time on TV has had a major impact on election results, however with the growth of social media and cable TV (which does not have to carry the campaign ads), many suggest a declining influence of this traditional medium.

The four leading candidates are: Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes and Geraldo Alckmin.

Here’s why people will vote for them.

Jair Bolsonaro is from Rio and retired as Captain from the Brazilian Army.  He has served in Congress for over 20 years but has virtually no legislative accomplishments.  Instead he has become famous and has assumed the moniker- Myth- as he has successfully packaged himself as anti-establishment in spite of his track record.  He is most famous for his macho authoritarianism, his attacks on minorities and gays, his promise to arm the police, the army and the population so they can protect themselves from the criminal gangs and cartels that have taken over much of Rio.  He also affirms that he will eliminate corruption even though he has been accused of various levels venality, nepotism and illicit enrichment.

Bolsonaro represents a popular strain of Brazil’s dictatorial and militaristic past especially in Rio where the right wing has always been prevalent with active and retired military personnel.  Rio’s ongoing violence also makes Bolsonaro simplistic appeal to violent enforcement feel sensible in the absence of an effective state presence.  And as violence and crime are major threads running throughout the country, Bolsonaro’s chutzpah in selling his solution gains favorable repercussion.

Currently, he polls in first place with about 20% of the electorate’s preference.

Marina Silva, a former Senator and Minister of Environment under Lula polls in second place with 16%.  Ms. Silva ran for President in 2014 with the support of Brazil’s greens.  But she is also popular because of her background as a poor woman born in precarious conditions in the Amazon, and rose to prominence without cutting her roots.  Although she had been a member of Lula’s PT party, she separated herself and showed independence and strength in forming Rede, meaning network as a political party representing protection of the environment, Indigenous populations and at the same time a more market friendly approach to economic development.  In 2014, her running mate was the founder and president of Natura, Brazil’s biggest natural cosmetic corporation.  Marina, like Bolsonaro, is also an evangelical Christian.  While over 60% of Brazil’s population still define themselves as Catholics, evangelicals have clout disproportional to their numbers.  So Marina offers an image that Brazil’s masses can associate with.  At the same time, she has worked to become acceptable to elites by advocating for liberal, read less statist, economic policies and reforms.  She also is the favorite candidate among Brazil’s women voters.

Marina has around 12% of the declared votes when Lula is not among choices.

Ciro Gomes is a fairly curious candidate.  He has always pushed left leaning credentials but has moved in and out of over 8 political parties.  He served as a Minister under Fernando Henrique Cardoso who used to on left but is now considered a right wing “neo-liberal” and anathema to the PT and other left wingers.  Ciro also served as governor of Ceara, a state in Brazil’s northeast which while grossly unequal in wealth distribution, has made better progress in economic recovery than most of the rest of the country.  Typically, northeastern states are controlled by local oligarchs and Ciro Gomes comes out of this tradition.  Still he is tip toeing around Lula’s imprisonment and seeking to attract the votes from the poor and the northeast of Brazil that gravitate toward Lula.  One of his leading economic, yet populist, proposals is to reform Brazil’s credit rating agencies where many people in lower economic groupings: C, D and E have files disavowing their credit worthiness and thus limiting their credit and purchasing power.

Ciro is also notorious for shifting political allegiances and for being a loose cannon.  There are many popular You Tube videos of him cussing out partisans, opponents and just about anyone who crosses his path in an unfavorable fashion.

Ciro is polling in single digits at 9% of voter intentions.

Finally, Geraldo Alckmin, the ex-governor of Sao Paulo and soundly defeated (by Lula in 2006) presidential candidate is, almost by default, the PSDB or Tucano candidate.  All of Brazil’s presidential elections in the 21st century have come down to run offs between the PT (read Lula) and the PSDB.  The Tucanos only gained the presidency once with Fernando Henrique Cardoso.  Alckmin suffers from the lack of charisma and is viewed as a loser in presidential races.  He achieved the rare feat of receiving fewer votes in the run-off round in 2002 than he did in the first round.  He also suffers from the lingering effects of Aecio Neves’ defeat against Dilma in 2014 and Neves’ major involvement in corruption although he has been protected by his seat in the Senate and the lack of political will to pursue sitting politicians.  Alckmin has had his own brushes with corruption in Sao Paulo and is certainly viewed as the old whereas someone like Bolsonaro is perceived to represent a new path.  Still Alckmin is a competent politician and a fairly effective manager.  He has the support of business and will be unlikely to support anti-market and “creative” economic policies.  As a social democrat, it is fair to say that he is sensitive to Brazil’s gross inequalities but will try to correct them with market friendly policies perhaps similar to those that Lula actually pursued in his first term.  Alckmin has put together a political alliance with Brazil’s centrist politicians which gives him much more TV time than any other candidate.  It could also theoretically lead to a Congressional base that would allow him to govern.  Nevertheless, these traditional centrists are notoriously corrupt and self-serving and could abandon the candidate should he be elected.  Moreover, many see his centrist support as a compromise with tradition and corruption.

Alckmin is polling at around 7% and it remains to be seen if he can improve this with his free TV time and coalition support.

Of course, Lula is the elephant in the room.  From his jail cell, he has registered as the PT candidate and leads all polls and has actually become more popular since his imprisonment.  Nevertheless, the law is crystal clear that he cannot be a candidate as he has been convicted on appeal by the very legislation that he personally signed in 2010.  Oh the irony!  Still the problem is that the election without his participation risks illegitimacy and irrelevancy.  Unfortunately, President Dilma, even though incompetent, should not have been impeached.  Had Lula been tried while she was still president, his condemnation would be more favorably accepted even with the questionable evidence related to the apartment and purported bribe.  With Dilma’s defenestration and the subsequent failures of President Temer, the PT allegations of a political coup d’état designed to eliminate Lula and the PT as a force have greater meaning.

Although Lula is popular, he will not be able to transfer enough votes to his anointed successor Fernando Haddad who currently has less than 5% in the polls.

Elections should bring legitimacy and stability.  However, a cloud hangs over the October contest and Brazil will still have a tough future no matter who comes out with a victory.

 

Descendo a Ladeira – 2018

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Imagem: Alexandre Figueiredo-Linhaca Atomica

Já me disse um amigo que o Brasil é o pais do futuro e sempre será.  Assistimos atônitos o pais em crise e para piorar, nem o futebol se salvou.  Machado de Assis descreveu o país no seu conto mais famoso – O Alienista.  Aí descobriu-se que todos pertencem ao manicômio.  Enfim é um pais de loucos e de loucuras.  Como explicar a condenação de um ex-presidente e depois o ping-pong da solta/não solta.  Como entender um presidente negociando favores com empresários na calada da noite no próprio palácio?  Como entender as extravagancias dos políticos e burocratas num quadro de total escassez de recursos?

As instituições: executiva, legislativa e justiçaria estão em frangalhos.  Vem daqui a pouco as eleições e o candidato mais popular é o nulo ou voto em branco.  Quem pode, está votando com os pés e mudando de país.  No inicio do ano, as previsões oficiais para a economia era um crescimento acima de 2%, nada espetacular, mas pelo menos acima do crescimento demográfico.  Atualmente 1.5% e a previsão máxima e com a população expandindo em torno de 1.7%, cada pessoa esta ficando mais pobre individualmente.

Desde a eleição de 2014, propaga-se que as instituições estão funcionando.  Dilma ganhou a eleição e foi empossada apesar dos protestos, choros e ciladas do Tucanato.  Seu impedimento também supostamente ilustrava legalidade e procedimentos corretos com as votações na Câmara e no Senado.  Entretanto, engana-se quem achava que teria uma melhoria qualitativa com o novo governo (saído do bojo do velho).  O atual presidente se mostrou tão ou mais comprometido com as praticas nefastas e em vez de reforçar a justiça ou o legislativo, o governo acabou promovendo a continuidade da descida.

No inicio da Lava Jato, o judiciário apresentava-se como o núcleo solido guardião da lei.  Tanto os promotores públicos quanto aos juízes e desembargadores orgulhavam-se da continuada profissionalização, competência e isenção na aplicação da lei.  Mas vemos os “doutores” e togados cada vez mais politizados.  Talvez o exemplo mais claro é o STJ que está divido em torcidas.

A administração atual procura apoio apontando o baixo índice de inflação, mas fecha os olhos para a inflação, que só está aparentemente sob controle pelos efeitos nefastos da falta de crescimento de demanda e de empregos.  Há estimativas que o Real que já beira aos 4 reais por dólar vai acima de 5 em 2019.  Assim o encadeamento negativo elevara fatalmente a inflação e a estagnação persistira.

Machado falava de alienação como estado psicológico, mas também há alienação de produção e patrimônio.  No momento, o Brasil esta liquidando.  A Petrobras esta se desfazendo de ativos importantes, a Boeing esta no processo de comprar a Embraer e a Braskem também esta no bloco de vendas.  O Brasil numa posição de fraqueza, se rende ao capital internacional.  Os nacionalistas de esquerda e direita choram, mas não tem ideias alternativas ou quando tem não batem com a realidade.   Tem propostas de aumentar os impostos, cobrar as dividas (INSS), e nacionalizar setores produtivos, mas não enxergam bem as consequências.  Esquecem que o estado e as empresas estatais e paraestatais refletem a sociedade desigual. A produção, consumo e distribuição dentro do estado aumenta em vez de atenuar a desigualdade.  Os salários, gastos e despesas muitas vezes são desproporcionais a produção e retorno.  Quem esta dentro da maquina quer defender a unhas e dentes os benefícios consagrados (muitas vezes em lei e até na Constituição) e todos, independente de suas orientações politicas, querem uma boquinha.  Veja como exemplo a indústria de concursos públicos.

Num pais de mais de 200 milhões de habitantes e dimensões continentais, há sempre oportunidades e iniciativas.  Entretanto, a descida da ladeira demonstrado pelo o desaparecimento de centros de excelência, a estagnação da educação, a insegurança pessoal, a falta de um sistema de saneamento básico e as precárias condições de saúde além do declínio econômico e politico evidenciam a crise.  Enquanto o Brasil não encara de frente seu conflito histórico entre liberdade e igualdade não há perspectivas a não ser a continuidade de soluções parciais e incompletas.  A desigualdade e tão gritante e tão enraizada que a sociedade acaba se acomodando na mesmice de sempre.  Ao mesmo tempo, o Estado e a sociedade restringe a liberdade das forcas de mercado que poderiam acelerar a produção e o crescimento.  Os partidos e os candidatos se recusam a encarar o problema, procurando ficar apenas em chavões que não agradam ninguém.  O México com AMLO tem agora pelo menos um presidente eleito com maioria de 53 e apoio majoritário no legislativo com um programa de esquerda, embora com risco de cair no populismo fácil ao curto prazo.  O Brasil por sua vez não tem candidatos com programas nítidos.  Enquanto isso no final da ladeira tem o precipício, senão …

Se a população, a sociedade civil, as organizações coletivas, os indivíduos, empresários e trabalhadores se unissem, talvez possam encontrar um caminho.  O Brasil é uma sociedade coletiva e as pessoas querem fazer parte de algo, para encontrar o sentido do que é ser brasileiro, que seja algo além de um complexo de inferioridade.

 

 

Cup and Culture

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Source:Altivo Neto,  http://www.180graus.com

The World Cup is underway and Brazilians have painted their neighborhoods in the national colors.  However, as the Folha de Sao Paulo reports, residents have used Argentina’s sky blue and white instead of Brazil’s green and yellow.  Although perhaps partially in jest, the paint job reflects Brazil’s perplexing and difficult moment. Indeed, Brazil played a disappointing 1 x1 tie in its opener against Switzerland and President Temer is officially Brazil’s least popular President with a rejection rating above 80%.  So not much room for optimism.   The electoral campaign for the general elections in October will not officially start until after the end of the Cup but the field of candidates, if one can believe the polls, comes down to right wing former military captain Jair Bolsonaro, leftist former governor Ciro Gomes, environmentalist and former candidate in 2014, Marina Silva and Sao Paulo’s former governor and perennial presidential candidate Geraldo Alckmin of the PSDB.

Former President Lula has watched from jail in Curitiba over the last 2 months but continues to insist he is candidate although his corruption conviction excludes his running.  If he is included in the polling, he leads all candidates by a good margin.  Lula also has an appeal pending and it is being judged on June 26 in Brazil’s Supreme Court.  A favorable ruling could lead to his release but he would still be forbidden from running according to election rules.

While the Cup and Carnaval usually bring out Brazil’s well known creativity and light hearted improvisation, things seem to be different this time around as the blue and white paint job in Teresina seems to show.  The economy has barely pulled out of the two-year recession which started in earnest in 2015 and the current estimates for growth will perhaps, at best, keep up with Brazil’s demographics at 1.7 percent per year.  The Temer administration adopted a slogan that Brazil had come back 20 years in 2”.  The population, of course, understood this to mean that Brazil had gone back 20 years in the 2 years since Temer replaced impeached President Dilma Rousseff.

Brazilians are upset.  They have rejected the entrenched politicians and their support of populists to the right (Bolsonaro) or to the left (Ciro) indicate not so much their love of the candidates but mainly the despair of the old political system and the corruption.  Faith and favor in democracy is at an all-time low as Brazilians perceive that politicians have manipulated the system to their exclusive benefit.  While the vote is mandatory, close to 40% of the electorate are likely to null their ballots showing their revolt and consternation.

The foul mood correlates closely with the economic stagnation.  Those with resources are seeking opportunities in Portugal, other European countries and the US even in the face of Trump’s anti-immigration policy.  Brazilians love traveling abroad but only leave definitively when they feel the doors of opportunity have closed and they need to find hope (a defining characteristic of the Brazilian personality) outside the country.  Veja, one of Brazil’s leading news weeklies, reports that some 62% of Brazil’s young people would abandon the country if they could.

Brazilian essayist and play write Nelson Rodrigues during the World Cup of 1958 identified Brazil’s “stray dog” complex as a result of the monumental Maracanazo loss to Uruguay in the World Cup Final of 1950.  He also noted Brazil’s countervailing extreme in the feeling that with Brazil’s first Cup win in 1958, no other country can match skill and innate creativity of the Selecao as evidenced by its unmatched 5 Cup trophies.  Still, moods swing to extremes.   When the national team performs well, everyone takes part with exuberance and solidarity.  When things go poorly, people lament, complain and cry collectively.

Fernando Lanzer and Jussara P. Souza, in their recent book Para Entender a Cultura Brasileira, use Gerd Hofstede’s cultural dimension methodology to interpret.  Indeed, Brazilians score high on Hofstede’s collectivism measure where individuals define themselves as members of a collective group.  They also score high the “power distance” or acceptance of authority and authoritarian aspects of society which affect the individual.  A third dimension deals with “uncertainty avoidance” and here Brazilians also score relatively high demonstrating a desire for predictable and stable situations.  The combination of these measures might help explain the popularity of Bolsonaro or Ciro Gomes or even Lula’s popularity as a benevolent, yet strong, paternalistic figure.

Of course, culture challenges sociological measures and even using all 5 of Hofstede’s dimension in combination, it is still impossible to accurately predict what factors will lead to mass protests or even lasting celebrations.  Everyone knows that carnival lasts less than a week but Brazil’s skepticism regarding the national team will only be alleviated if Marcelo and his companions can kiss the trophy again and even such a victory is pyrrhic  Certainly more is needed to cure and mature the national psyche.

Brazil’s needs are clear and they go beyond the Cup, futbol and partying.  These are diversions and the real demands are for economic growth with less inequality, better basic education, more individual responsibility and respect for others.  While simple, their achievement requires consistent investments in the basics (education, health, water and sewage).  However as long as there is no consensus and polarization continues, Brazil relegates itself to stray dog status, a country with potential but without success.  On the other hand, as Brazilians leave the country, and get increased exposure to the rest of the world, there is also the possibility of broadening participation, greater access to mobility through individual initiative and a recognition of the good readily available in the Brazilian mind, heart and soul.  Mexico’s great educator, Jose Vasconcellos, called Brazil’s mixture the great universal race and It is still possible that this great mestizo country may yet find a way out its quandary.

 

Institute of the Americas: XXVII La Jolla Energy Conference – Comments by Steve Scheibe at www.allabroadconsulting.wordpress.com

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Author’s photo of conference panel

 

In 1991, a barrel of oil sold for an average of US$36.00.  Last year, the average was around $42.00 as the following chart shows.  Today, oil is in the mid $60s.

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There was a lot of talk in the 1990s about peak oil and running out of it one day.  It is amazing how the world changes but still things stay the same.  Oil is now relatively abundant, more complicated to extract, more is known and feared about environmental impact and consequently alternative and more sustainable sources of energy are increasingly important.  Thus climate change, sustainability and the future of energy production have become increasingly important parts of our energy network and its future.

The Institute’s Energy Conference has shown great value and staying power.  Its organization and execution is a formidable task and the Institute of the Americas and Jeremy Martin and staff deserve kudos for another year of success.  A cursory overview of the program (https://www.iamericas.org/lajolla/) attests to the Conference reputation and prestige.

This year’s Conference drew speakers from Mexico, Brazil, Argentina, the USA and numerous organizations such as Brazil’s ANP, Mexico’s energy regulator and the CFE as well as Argentina’s producers and control sectors.  The oil giants were also present with high-ranking executives from Exxon Mobil, BP, other majors as well as companies in consulting, construction and distribution.  Non-Government Organizations (NGO’s), representing civil society and environmental interest participated on equal footing with market driven business organization.  Finally, the Conference always attracts academics and journalists who specialize in energy and related policies.

Oil, gas and other energies intertwine with politics and this is certainly the case in Latin America.  Of course, Maduro’s reelection in Venezuela, the race in Colombia and the upcoming races in Mexico and Brazil were frequently discussed both on and off the record.  The main concern for the industry and investors has been to divine the future.  Investments run in the billions of dollars and while time lines and linkages can be established, the future prices of oil and the future national policies cannot be predicted with much accuracy.  The ongoing business challenge for the industry is to find predictability in unstable and weak institutional structures and rapidly changing markets.

Here is a brief summary of the main points by the major energy producing countries highlighted at the conference in alphabetical order:

Argentina:  President Macri replaced the populist Peronists Nestor and Christina Kirchner.  The Kircheners governed between 2003 and 2015 with a mixed record of growth and stability and a pronounced animosity to too much foreign participation in the energy sector.  Their price control policies hampered investments and nearly broke the power generation and distribution sector.  President Macri’s challenge has been to try to revive the sector while at the same time controlling inflation and soften the hit on people’s pocket books with the rise of energy prices.  With Cristina Kirchner, electricity and other energies were subsidized at around 50% of production costs.  This led to unreliability and frequent outages.  Under Macri, the government has installed a new regulatory authority and is attempting to make the sector attractive to both foreign and domestic investors.  Natural gas plays an important role and has brought Chile and Argentina closer in a symbiotic with the former at times supplying natural gas or being a market as Argentina opens up offshore and onshore resources.

Brazil: The international oil sector perked up on Brazil with the 2016 impeachment and Brazil’s ongoing offshore auctions have been widely seen as successful.  Exxon Mobil, a major investor, has returned, as have other foreign oil companies (???).  The black cloud on the horizon is the lack and increasing loss of legitimacy of the Temer government.  Normally, Decio Oddone, the head of the ANP (Brazil’s oil/gas regulator), has attended the La Jolla Conference.  But Decio did not come this year and I suspect that was due to the current truck-drivers’ strike over the cost of diesel fuel. This strike started on the eve of the conference and caught the government by surprise although informed parties such as Mr. Oddone knew that the crisis was brewing.  The consequence of the strike, which still has not been settled after 10 days, has led to wide productive paralysis and a half point loss in 2018’s estimated GDP, plus the further weakening of the government.  So again, the lack of stability and weak institutions has come to the fore.  Overall, presenters on Brazil such as Raphael Moura of the ANP, Nelson Narciso, of NNF Consulting a former ANP director and Thiago Aragao of Arko Consulting were all optimistic about potential and excellence at Petrobras after the Lava Jato clean up. But they were sober about the current political moment and the October elections.  Aragao tweeted: “The positioning of candidates endorsing political interventions at Petrobras is not a positive sign for 2019.”

Mexico: Like Brazil and Colombia, the our next-door neighbor is also in the final months of a presidential campaign with the results likely impacting the energy sector.  Under the current unpopular administration of the PRI’s Pena Nieto, energy reform in Mexico advanced in an unprecedented fashion with important openings, especially in the natural gas market.  US and other foreign companies have already invested billions in Mexico’s pipeline logistics and gas distribution.  The likely victory of Andres Manuel Lopez Obrador (AMLO) is sometimes perceived as threatening this change due to AMLO’s leftist and populist programs as a presidential candidate in two previous elections.  However, the speakers and panelists were uniform in emphasizing that these changes had been written not only into law but also into the Mexican Constitution.  So it is unlikely that these changes can be reversed.  Although AMLO leads in all polls, it is unlikely that he will have a 2/3rds majority in Congress to reverse the changes that reduced PEMEX’s monopoly position in production and distribution.

Venezuela: Before the conference, the Institute retweeted a prediction of Maduro’s fall before the end of the year.  However, the Chavistas have been notoriously resillient and the consensus among Congress participants was that the regime would likely remain in power through 2018.  Still all speakers agreed that the Maduro administration has been a disaster for the oil based economy and Venezuelan society.  Hyperinflation runs at 11000% per year, thievery riddles the national oil company PDVSA, there is an accelerating decline in oil production on a month to month basis at above 4% and oil revenues will fall to less than $10 billion in 2108 or about half the revenue generated in 2017.  Venezuela’s government has stopped paying bills, is bankrupt and only survives due to grudging support from Russia and China, which still see the country as an anecdote to US presence and power in Latin America.   Although President Trump and his administration have mentioned military intervention and have imposed further sanctions, it is unlikely that the US actions will have any positive impact.  So from an energy perspective, Venezuela continues its dive to irrelevancy.

Renewable and sustainable energy have a growing presence at the La Jolla Conference and, in this context, Chile, Argentina and Bolivia gain further relevance as major sources of the raw material for lithium batteries for electric vehicles.  Personally, I found it interesting that speakers at the Conference included natural gas in the discussion of renewables alongside wind and solar.  Gas has a role in the cleantech revolution. The variability inherent in wind and solar energy plus the storage issues continue to present challenges.  It was noted that fossil fuel energy has a history dating back more than 120 years and, by comparison, the alternative clean energy sector is still in its infancy.

Once again the La Jolla Conference provided insider insights and a great opportunity for meeting and greeting in a professional but very cordial atmosphere.  Everyone is looking forward to the next conference.