Tres Semanas e Tres Dias

Há três semanas que cheguei no Brasil e estamos agora há três dias da eleição.  Em janeiro no meu blog de previsões, cantei Lula como vencedor com 54% do voto em segundo turno.  A situação de hoje pela mídia tradicional sugere que Lula pode até vencer em primeiro turno com um pouco mais do 50% dos votos validos.  Não sei não. 

Viajei um bocado visitando São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Rio.  Nas conversas com taxistas e motorista Uber e nos encontros senti o dilema de falta de opção do eleitor.  Bolsonaro é tido como autentico por seus seguidores e, entre muitos como grosseiro, e mesmo bipolar, mas ainda mais honesto do que o Lula e seus partidários.  Claro que os apoiadores de Lula partem para o argumento das equivalências do orçamento secreto, “rachadinhas” e compra de imóveis com dinheiro vivo.  A polarização existe de fato mas o que acho mais importante na eleição é justamente a definição dos anseios e vontades.  E nesse sentido nem Lula e nem Bolsonaro representam bem o que o Brasileiro quer.  A campanha do Bolsonaro tem por fundo agora só o antipetismo e um clamor contra a esquerda.  Enfim não tem uma proposta positiva, embora os ministros como Guedes (Economia) e Sachsida (Minas e Energia) procuram enfatizar a agenda liberalizante e progresso na economia com inflação caindo e PIB crescendo mais do que esperado.  Entretanto o discurso em defesa do Presidente não parece ganhar muita ressonância nem entre os representantes do mercado (vulgo Farialimers) e muito menos entre a população geral que vê os problemas e pobreza diária.  Enfim uma luta.

 Pelo lado do Lula, apenas um apelo do tipo “Lula, paz e amor” e a ideia de uma consciência social aonde o Estado deve intervir e promover o desenvolvimento e bem estar mas sem explicar exatamente como.

Em termos de aspirações, sinto que o povo quer menos tumulto, mais estabilidade, mais oferta de emprego, mais escola e mais saúde.  Ao contrario de 2018 quando a pauta era moralização e desgosto, agora a questão real é a economia mas na base de emprego, salário, e ajuda real para aqueles que não tem.  As tentativas populistas do Bolsonaro vão nesse sentido mas aparentemente não estão ganhando novo eleitores.  O programa do Lula por outro lado procura resgatar a boa imagem dos anos de ouro do Lula mas basicamente o povo não lembra.  Bolsonaro se desgastou e Lula, apesar de velho, rouco e taxado de desonesto ainda representa uma alternativa com um pouco mais de esperança.

Entre Lula e Bolsonaro, o primeiro incorpora mais o otimismo, o beneplácito, e a boa vontade diante a população.  O segundo, por outro lado, nega a fome, culpa a pobreza, agride as mulheres e minorias e exalta um machismo, existente mas decadente, na sociedade.  No final das contas o lado menos agressivo e chato deve vencer.

Brasileiro, profissão esperança, vai prevalecer na eleição do Lula.  Falta saber se as instituições e a dinâmica política do poder, das maquinações econômicas e do moral, no sentido, da busca de uma sociedade mais transparente e humano, terão a possibilidade de controlar a ganancia e o estatismo que caracterizou a administração Petista no passado.  Com certeza, o desafio é grande.

Tem o debate na TV hoje mas há poucos indefinidos e, portanto, não deverá alterar o resultado.

A Perversidade que Vem para o Bem

Acabo de assistir a posse do Min. Alexandre Morais na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral.  O rito foi bastante instrutivo e de certa forma creio que foi especial.  No passado a posse seria um evento num calendário oficial e contaria com a presença de autoridades mas não tantas como hoje.  O drama vem sendo montado há tempo e existe uma nítida coincidência de fatores.  Bolsonaro vem criticando Morais ha muito.  Morais promete combater “fake news” e garantir a democracia e a lisura das eleições, opondo-se frontalmente com as criticas bolsonaristas.  A campanha eleitoral iniciou oficialmente hoje também.  A cerimonia contou com a presença do ex-Presidente Lula sentado bem na frente do seu adversário e principal concorrente.  Estavam presentes os ex-Presidentes Sarney, Lula, Dilma e Temer e FHC se fez presente através de uma carta a qual Morais fez referencia em seu discurso.  Além desses mais de 20 governadores compareceram bem como prefeitos das principais capitais.  Bolsonaro ficou calado.  Parabenizou Morais pela posse mas não aplaudiu o discurso.  Prevaleceu o decoro e entre os preteridos, aproveitadores e espertos, salvaram-se todos.

Todos os discursos, até do Augusto Aras, Procurador Geral da Republica e aliado do Presidente prestigiaram as instituições, a realização rotineira de eleições e a lisura do processo.  Enfim, entre os poderes oficiais, pelo menos no âmbito da cerimônia, não ha espaço para aventuras ou movimentos de contestação do sistema.

É verdade que nem o “povão” e nem os militares estavam presentes.  E como noticiou o Estado de São Paulo há mais de uma centena oficiais das Forcas Armadas recebendo salários e prebendas de mais de um milhão de reais.  Pelo lado do povo, Bolsonaro pode aludir ao tamanho de seus comícios mas resta saber se isso traduz em votos reais na hora.  Bolsonaro alega que tem maioria e repete o repertorio Trumpista de suposta maioria mas sem convencer, pelo menos até o pleito.

Nas falas de Bolsonaro, nos seus discursos, para sua plateia tem se mesquinhez, todo tipo de ataques e diminuição das instituições.  Talvez o melhor exemplo foi quando ele convocou os embaixadores estrangeiros e denunciou, sem convencer, a suposta precariedade do sistema eleitoral.  Há muito tempo ele despreza o Supremo e as instancias do judiciário e só recentemente, depois de um desprezo meio arranjado, se recompôs com o Congresso e principalmente os políticos tradicionais que tanto criticava.

São males e estragos que ele faz com seu populismo e vontade de manter se no poder.  Mas felizmente, o evento de hoje demonstra capacidade institucional de controle e manutenção de regras e da lei.

Lula também presente no evento não tinha a palavra e sentado ao lado da Dilma se conteve.  Lula, Dilma e os seus súditos do PT poderiam estar contentes já que lideram nas pesquisas.  Como a memoria é curta, talvez esquecemos dos estragos e do mal que fizeram com a Petrobras, outros estatais, e todo o sistema de corrupção que estabeleceram numa relação nefasta entre um partido de “trabalhadores” e uma elite politica e econômica.  Felizmente, o sistema reagiu.  Moro, Dalton e outros da Lava Jato justamente criticados, ainda tiveram um papel relevante no combate a corrupção e a conscientização, pelo menos temporária, da população.  Na época as instituições funcionaram e pela primeira vez, peixes graúdos, inclusive políticos, empresários e operadores foram presos e entraram, pela primeira na prisão com penas reais.  Na época do mensalão e depois no Petrolão/Lava Jato as instituições ganharam corpo.  É verdade que houve um refluxo.  Acabou-se novamente com prisão depois de condenação na segunda instancia e novas leis foram criadas que voltaram a favorecer os que cometem crimes e atos de corrupção.  Mas, para mim, o sistema hoje mostra que, como a maré, outro refluxo virá fortalecendo e avançando.  Não haverá milagres democráticos nem com Lula e nem com Bolsonaro e provavelmente um ou outro trará novos estragos mas a crescente complexidade demanda que as coisas funcionam de acordo com regras compactuadas e acordadas.  Com eleição, temos esperança, e mesmo os males acabam criando, ou talvez melhor, provocando a sociedade civil a reagir e demandar a continua construção da democracia.

Brazil – Between a Rock and a Hard Place: Nothing New

As usual, Brazil finds itself between a rock and a hard place, faced with the unenviable choice between two traditional populists in the upcoming election.  But fortunately, most Brazilians lean toward democracy and open elections as opposed to the absence of means of political expression. The democratic system, with the 1988 Constitution, has held up until now, in spite of multiple and manifest deficiencies.  And it should continue to do so. But there is also a lot of frustration as Brazilians want economic opportunity, jobs, education, health care, security, not to mention wanting to be heard periodically.  These basics are lacking and many people feel that their best opportunity starts at the international airport, but if they can’t leave, they easily fall prey to populist promises and the traditional expectation that the state should provide.

The first round of the general election takes place in just two months and the official campaign begins in August with the allocation of free TV time and the use of government resources handed to the parties for campaigning.  This year’s election is unprecedented in that it pits two presidents against each other.  Moreover, the apparent ideological difference between the two candidates is stark.  On the one hand, former President Luiz Ignacio Lula da Silva (2002-2010) comes from the left with his origins in the Brazilian labor unions.  Jair Bolsonaro 2018-present) seeks reelection from the right and emphasizes his military background and his support of the military regime that ruled Brazil from 1964 to 1985.

On the surface, Brazil election might illustrate a traditional clash between socialism and capitalism, central planning versus the free market, and state-owned enterprise as contrasted to private initiative.  This superficial perspective hides the complexity and the reality.  Since at least the 1930’s Brazil’s government has played a preponderant role in organizing the economy and taking responsibility for development, as well as anticipating social demands by supplying, at least in theory, the  social services typical of social democratic European nations.  Government driven organization slowed the development of civil society and created expectations that the best opportunities would be in the government and in state owned or national enterprises.  The idea is to be on the side of whoever controls the state apparatus.

Any contrast, between Lula and Bolsonaro along right/left or capitalist/socialist lines, is misleading as both come out of the context of dependency upon the state.  Bolsonaro joined the military seeking a career.  When he was essentially retired, or thrown out, he leveraged his experience to become a congressman and as a back bencher did little except use his office to help family and friends while advocating for military pensions and benefits.  In a somewhat similar fashion, Lula came out of poverty in Brazil’s northeast and became a laborer in Sao Paulo.  Having natural charisma, Lula worked with his hands long enough to lose a finger and then became entrenched in the union movement, also supported by government funding.  One could argue that neither has held a real job over the last 30 to 40 years.  In spite of this each was elected with over 50 million votes, showing the volatility of the electorate and each candidate’s popularity and populist appeal.

Opinion polls show Lula leading the race.  Bolsonaro, on the other hand, is desperately seeking to gain inroads on Lula’s support by spending on the poor, favoring certain interest groups like truckers, evangelicals and the military.  Bolsonaro’s 2018 program, based on being an outsider, a moral crusader, an enemy of corrupt governance and an advocate of privatization is basically in shambles.  In practice, the President has yielded to the venality of the political class, now feeding pork to politicians in return for their support.  At the same time, he uses the tried and true sloganeering against communism. 

Lula, in turn, has no program that he wants to express openly and hopes that voters might remember the so-called good times of his previous administrations that benefited tremendously from a much more favorable environment with China’s demand for Brazilian commodities.  This has changed and perhaps more people remember, as is typical, the corruption scandals of his party’s administration rather than the good things that happened such as landing the Olympics (2016) and World Cup (2014).  It remains to be proven that Lula can actually revive his popularity which at one point was unparalleled.

Bolsonaro’s reelection effort thrives on creating instability and the illusion that a strong “moral and Christian” leader is needed to deliver results.  So, he threatens to close the Supreme Court or reject the results of the election due to supposedly corruptible and ineffective electronic voting devices.  He taking pages from the Trump playbook,  and if he loses the vote, he could then attempt some sort of January 6 type maneuver.  A coup or putsch or even semi-legal contesting may happen but won’t result in success.  Brazil’s electoral system will prevail in the end.  Brazilian civil society has gradually matured and its current complexity requires rule of the law and institutional stability.  In the end, the populace supports this process.

If Lula is elected, he too will be kept in check in terms of any more radical statist measures or attempts at consolidating power independent of Congress and the courts. 

True, the polarization makes it difficult for Brazil to find success but, in the end, progress will be made in solving and reconciling.  It may not be in the next four years or even in the next 10 but as sure as God is Brazilian (Deus é Brasileiro), the country will improve because the people, the complexity and wealth of resources demands that it do so.

À Procura

Sempre misterioso e muitas vezes místico, o Brasil por falta de noção de si está sempre a procura de uma identidade.  As ideias antigas parecem que já não são mais adequadas: a modernidade chegou mas não vingou, o país tropical bonito por natureza já não convence, o país do futuro não confia em si.

Aqui e acola, ha pontos de inflexão.  A Embraer, por exemplo, depois de ter sido quase adquirida pela Boeing, se destaca agora no desenvolvimento de VTOLS (vertical or short take-off & landing) autônomos, certamente uma grande indústria e tecnologia de futuro.  Ao mesmo tempo, no século XXI, o país se destaca como produtor de commodities e tem que trocar um caminhão de soja por um iphone.  Será isso o que um país extremamente urbanizado quer?

As cidades com suas desigualdades agravadas são percebidas como campos de conflito e miséria e a praça publica mostra nitidamente os extremos.  As elites entram através de garagens e portarias controladas, e os miseráveis dormem embaixo das marquises vizinhas.  E assim a sociedade segue e aceita com certa naturalidade e resignação.

Ha 200 anos da Independência e num ano eleitoral, existem duas candidaturas numa situação impar.  Um presidente buscando a sua reeleição e um ex-presidente procurando retomar o cargo e prometendo o resgate de uma promessa perdida.  Algo como metade da população rejeita contundentemente um ou outro e uma terceira opção não ha.

O jogo entre Lula e Bolsonaro é exatamente isso: um jogo com as torcidas tocadas a base da emoção e não do racional.  Cada candidato alimenta do outro e o olhar desesperado, inflamado ou apaixonado não deixa espaço para um debate razoável e muito menos racional.

O beco sem saída foi construído ao longo dos anos e infelizmente se o buraco é fundo, os participantes continuam cavando.  Os anseios são claros: emprego, renda, saúde e educação dentro de um quadro de liberdade e previsibilidade com a expectativa de que, se as coisas não funcionam, elas podem gradativamente melhorar.  O problema entretanto, parece que não ha o otimismo e alegria de antes.

A pobreza e desigualdade se explicam mas não resolve.  As elites se viram ou vão embora e os que não tem acabam resignados ou revoltados.

Com certeza, ha pontos positivos.  Apesar dos tumultos, a eleição será realizada, os resultados serão respeitados e não haverá golpe de direita e nem de esquerda.  O país se encontrará novamente lá na frente ou não.  O cinismo é real mas a esperança também é. 

Estou torcendo com emoção mas também tentando descobrir um pouco de razão que justifica essa esperança de um futuro melhor.  O país merece mas também tem que se esforçar para tanto.

Brazil Impressions: Trip 778!

I live in Brazil.  I live in the USA.  I travel back and forth and here are my latest quick impressions, from Belo Horizonte, on this June, 2022 sojourn.

Results of slavery: ongoing racism and elitist mentality with striving for social separation and hierarchy maintenance.

Much wealth, much poverty.  Inequality as always and possibly worse.

Fear and accommodation.  Many people are desperate and there is a feeling of hopelessness for many on the streets.  Much passive/aggressive behavior.

Lots of variety and options in supermarkets, but the best supermarkets pretty much sell only to upper middle class and higher.  The employees at the supermarkets cannot afford many of the items on sale.

Dirt and desolation.  Even in the better parts of the cities, you see lots of trash and detritus on the streets.  More so than in the past.  Also there seem to be more rag and trash pickers and all have darker toned skin.  Many people are living on the streets.  The numbers appear to have increased.

Asking taxi drivers who they are going to vote for generates an uncomfortable reaction.  They don’t want to admit to having a candidate.

Friends are friends and want to get together but usually “tomorrow”.

Family strife is common.  Problems of what to do with the kids and a newer problem of what to do with old people.  There is a whole industry that has arisen around elder care.  This is fairly new.

People complain about inflation and gas prices.  So what’s new?

There is no crisis except for the ongoing crisis which never seems to end.  In my 60 years in Brazil, I don’t remember a period without a crisis.

Futbol continues to be the main form of entertainment for men and novellas for ladies.  The most popular novela now is Pantanal, an updated version of the a novela of the same name from the late 80’s.  Not a rerun but a rewrite to update to the mores of the 21st century, and Pantanal was already risqué when first produced 40 years ago. Same old story, scantilly clad women and older ladies talking about maids, men, and children.

Razor wire and electronic fencing around schools, houses, buildings, but maybe that is better than 18 years old with high-powered, rapid-fire armaments.

There seems to be a greater visibility of transgender and individuals exploring sexual identity.  At the same time, the press and social media report many instances of aggressive and violent actions.

There are more gay bars and openly so then before.

Avoidable natural disasters continue to kill 10s and 100’s.  Right now, the news reports over 100 deaths from rains and mudslides in Pernambuco.  These slides and collapses have occurred in the same areas in the past and authorities continue to allow construction in totally unsafe areas.  Again, the poor always pay more.

The weight of Portuguese culture, the pervasive bureaucracy, the relationships of dependence on the state or the patron to provide, the conscious denial of basic education, the maintenance of all types of barriers, many of which are purposefully constructed, come together to impede social and economic ascension and change. 

At the same time, with nearly 230 million people, society is too complex to be easily managed and controlled.  As a result, there is a desire for democracy but also a tremendous fear of the popular, as masses threaten the status quo of the elites.  Thus, Brazilians are rightly skeptical of elections and democracy.  Authoritarianism attracts as it promises simple or simplistic solutions to complex problems.

In many ways, Brazil aspires to be an advanced social democratic nation.  The public health service is well structured and functional but underfunded and under fire by the private sector which sees it as competition.  Brazil provides special access for elderly and the disabled.  Every side walk is supposed to be user friendly for the lame and the blind.  At the same time, there are aberrations that lead one to marvel such as where the truncated domes lead directly to a power pole.  At the same time, that the country requires private owners to provide public services for the less able, the government cannot provide sewage for nearly half the population.

Brazilians are suffering from a creativity crisis.  Very little invention and innovation is taking place.  Instead, foreign trends are copied and often in an inept manner.  Examples are gyms and pet shops.  Brazilians seek and value status as important differentiation markers so they want to have a pet or get buffed at the gym.  The problem is that the cost of entry is relatively low and there are now so many of these types businesses that one cannibalizes the other.  Too much supply for too little demand.  The same goes for personal services.  Barbershops and salons supposedly have the latest international styles, but only dodgy fashion and many do not make enough income to stay in business.  I can’t see anything new; just repetition.

Thinking Clearly About Gun Violence by Dr. Karl E. Scheibe (1)

The recent spate of mass shootings in the U.S. has produced a flood of outrage, fear and argument about how to account for these events and how, “Please God”, we might control them. Yesterday, Senator Chris Murphy was practically on his knees in the Senate, asking with evident pathos what our nation’s leaders might do to reduce the likelihood of incidents such as the reported killings of 21 people in Uvalde, Texas.  I am in sympathy with Senator Murphy.  But I have reservations about the depth and scope of his proposals.  Should we not seek to eradicate mass shootings as a regular event in our nation—not just diminish their frequency?  I then heard him refer to the difficulty of obtaining support for such weak proposals as making routine background checks or diminishing the supply of ghost guns.  Too weak, say I. 

The first point of thinking clearly about gun violence is that no amount of the display we saw at Uvalde, Texas is now nor ever will be acceptable.  We need to think about the fundaments of this problem.  Why is the United States of America uniquely troubled with gun violence?  And why is this problem becoming worse over time, despite an overwhelming public interest in making our schools and streets and shops safe from gun violence?  As a first step toward genuine progress, let us recognize that the what we are doing now is not satisfactory.  Effective action toward the eradication of gun violence must be based an understanding of what is wrong in our system and then we can work to fix it.  

This first step of establishing a more radical goal for the reduction of gun violence is of critical importance.  Unless we think that such a thing is possible, it is guaranteed that it will not be accomplished.  The status quo is immensely powerful and the forces for maintaining that status quo are massive, and only partially recognized.  The NRA has been such a force, as have been the lobbying resources of the weapons industry. The manifest defeatism of our congressional champions bespeaks a lack of will to change the status quo.  As an organization, the NRA is currently in tatters—and yet the shadow of fear that that they have generated remains a paralyzing force. 

The easy availability of firearms such as the AK-47 is an open scandal.  The only reason for the production and distribution of such a weapon is to impart the capacity to kill swarms of human being quickly and effectively. How could such a tool ever end up in the hands of an 18-year-old civilian?  I observe that it is less trouble to buy an AK-47 than it is to buy a handful of cherry bombs.  When I was a kid, I could buy fireworks easily, on the street or through the mails.  Fireworks are still available, of course, but access to them is carefully regulated, and the accidental harm they produced a generation ago is a thing of the past.   The need for effective laws to govern access to weapons is obvious.  And the major barrier to the enactment of such laws is the self-fulfilling prophecy that such laws would be difficult to enact.  The problem here is lack of will—a fatal weakness for our social fabric.  Let us first believe that this can change.

Here are some other examples of unclear thinking about gun violence:  The Texas killings had no sooner been announced than reporters announced that authorities were investigating the background of the killer, with particular attention to what his motives might have been.  Also, the mental status of killers is automatically examined, based on the facile assumption that mad acts must be occasioned by the madness of the perpetrator.  In fact, there is little benefit in seeking explanations for gun violence by examining the motives of the perpetrator.  And it is simply a sham to operate on the belief that gun violence is a product or mental illness or deranged thinking.  It does not help to examine motives or to think about mental illness as explanatory—there are clearly red herrings, obscuring the simple but unpleasant truth. 

Thinking that gun violence is a manifestation of mental illness is tantamount to explaining one mystery by inventing another. There is no warrant for thinking that gun violence might be reduced if the general level of mental health in our population were improved.  The current population of the United States is a little less than 333,000,000 people.  Despite or because of its hideous nature, gun violence in this huge population has an extraordinarily low base rate of occurrence—certainly less than one such incident for every million people per year in our borders.  In this mass of humanity, bizarre, unaccountable, and whacko occurrences are inevitable.  This trick is to make it less likely that these aberrations will result in human deaths because deadly weapons are so near at hand.  We need to make it difficult to weaponize deviant spasms.

The number of firearms in the United States of America exceeds the size of our population, reaching nearly 400,000,000, according to recent estimates.  Per capita, we are easily the world leaders in firearms.  I invite the reader to perform the exercise of inquiring about per capita firearm possession by nations worldwide.  I have performed such an inquiry—takes just a couple of minutes.  Your results will match mine—we are flooded with guns.  It is as simple as that.  This observation does not make vestigial NRA supporters content that we have enough guns.  Reason is not operating here—just blind habit. 

What if we should take the task of reducing or eliminating gun violence seriously?  What might this entail?  The example of New Zealand comes to mind.  The Prime Minister of New Zealand, Jacinda Ardern, was recently in this country, and provided for us a simple and compelling account of how New Zealand acted to remove assault weapons from the streets of New Zealand, after a mass shooting in Christchurch in 2019.  They instituted a set of laws restricting purchase of assault weapons and instituted a buyback program for those weapons currently in the country.  The results have been gratifyingly positive. 

         Of course, New Zealand is a small and relatively homogenous country.  Even so, I allow myself to imagine a swell of public courage in the United States of America that will result in a similar disarmament of our population.  We will retain guns, as have new Zealanders, but they will be fewer in number by far and will be employed for plinking away at tin cans, as used to be my practice—or hunting, which I also practiced in my youth. 

         We need to do whatever it takes to initiate such a popular movement and to establish it as a permanent part of our political and social lives.  Life is not a charade. Once a child is dead, it will never live again.  Once you are born, you have a right to life.  Let us take this responsibility seriously.  Fewer weapons will result in saved lives.


[1] Karl E. Scheibe is Professor of Psychology Emeritus at Wesleyan University and a licensed Clinical Psychologist.  He is author of eight books, including The Drama of Everyday Life (Harvard, 2000), and an essay entitled “Legitimized Aggression and the Assignment of Evil.”(American Scholar, 1972)

With Karl’s permission, I am posting his text here for reflexion.

Simples, Complexo e Complicado!

Rural Willys, Decada de 60, estrada e mecanica simples

O Brasil está cheio de problemas.  Nada de novidade!  Mas olhemos a evolução para tentar entender.

Do meu ponto de vista, o país passou do simples para o complexo num curto período, e a sociedade brasileira não conseguiu acompanhar a evolução.  Não tantos anos fazem, as coisas eram bem mais simples.  A ordem social era nítida.  Havia ricos, alguns no meio e uma grande maioria pobre.  Os com privilégios criaram um sistema bastante funcional para si e com uma aceitação razoável pelos de baixo.  A pobreza e o analfabetismo eram a norma.  O branco era branco e o preto era preto com algumas exceções.  Quem tinha educação superior era “doutor”, bacharel, ou medico.  Eram as profissões de prestigio.  Grande parte da sociedade era rural e vivia na dependência do patrão, do Senhor e a consequente relação patriarcal.  Quando havia um problema, recorria-se ao Senhor para resolver.  O homem era homem e tinha seus direitos.  A mulher seria sempre subordinada numa ordem natural das coisas.  Os varões eram criados para eventualmente assumir o papel do pai, e as moças esperavam casar-se com quem elas gostassem mas dentro dos parâmetros de raça e classe.  Quarto ano do primário bastava para grande parte da sociedade, e as mulheres mais ambiciosas poderiam cursar o normal para serem professoras.  Raras eram as mulheres que entravam na faculdade e, uma vez lá, eram vistas com desconfiança.

Tinha uma igreja, a Católica.  Cada cidade tinha seu padre e havia obediência a hierarquia clerical.  O Papa era supremo, com ordens de Roma de preferencia em Latim, que teria que ser interpretadas para os leigos.  Um protestante assustava e a reação intima era “Cruz Credo”.

O espaço dividia entre a casa grande e a senzala, e depois entre as casas da cidade com o barracão no fundo para os criados, e depois para os apartamentos com “dependência completa”.  Quem tinha carro e empregada domestica se distinguia do resto, que andava a pé ou de lotação.  Tinha o bom colégio, geralmente marista, e tinha as escolas publicas que eram para quem não podia pagar o particular.  A universidade mais desejada era a federal que era muito disputada e que só tinha na Capital.  As universidades católicas eram caras e expandiram mais tarde.

O namoro começava em casa sob o olhar dos pais e com sua aprovação.  Não se podia sair a não ser acompanhados.  Era normal a moca casar-se virgem e também normal o rapaz ter suas experiencias nas casas de tolerância.  Não havia divorcio e o homem podia ter, sem muito questionamento, seus casos.

Enfim ate mais ou menos 1960, as coisas eram bem simples, claras e de certa forma inquestionáveis.  A mudança veio com uma velocidade assustadora.  Dentro de poucos anos e a olhos vistos, a sociedade adquiriu uma complexidade, embora aceita de forma parcial  e ainda incomoda.  As mulheres ficaram independentes, a família ruiu, o divorcio passou a ser normal, o preto quis direitos, o pobre não quis ser submisso, os trabalhadores e pasmem, ate as empregadas, quiseram os seus com carteira assinada, férias e 13º. 

O sistema politico que tinha partido da monarquia e depois o republicano, foram seguidos de partidos de proprietários rurais, depois UDN com interesses industrias e urbanos, eventualmente surgindo de cima para baixo, um partido para quem trabalha, PTB. 

No século XX, os bacharéis, ciente de seus interesses, importaram uma estrutura republicana simples e moderna com três poderes.  Porem, espertamente se resguardaram, garantindo uma complexidade de operações e de legalidade, que só poderiam ser compreendidas por eles.  Ao mesmo tempo, enquanto a sociedade se transformava, o sistema educacional continuou separador e elitizante.  A universidade federal seria gratuita para todos, porem só as elites conseguiam ultrapassar as barreiras de entrada.

A população passou rapidamente de 50 milhões com a maioria no campo para 220 milhões com mais de 85% em densos centros urbanos.  A riqueza expandiu muito mais continuou extremamente centralizada e concentrada. 

Esse crescimento populacional súbito exigiu mudanças de comportamento e forcou a abertura para todo tipo de posicionamento individual.  Ganhou-se o direito de ser um “individuo” mas perdeu-se a identidade orgânica e coletiva da família, da igreja e do agrupamento social primário. 

De repente o Brasil passou de um país conhecido por sua democracia racial para ser considerado a terra que excluiu negros, índios e ainda as mulheres (principalmente as mulheres negras).  Ao mesmo tempo, abriu se o espaço para autoidentificação de gênero e orientação sexual.

Na aparência ou “para inglês ver”, os bacharéis criaram um sistema democrático, que resultou hoje em dezenas de partidos políticos, e ninguém entende o que representam.

Desafio aos meus colegas cientistas políticos a me explicar esse sistema eleitoral, que proporciona partidos tais que permitem que um Tiririca não só se elege, mas também puxa um bocado de correligionários.  O sistema jurídico, como parte do sistema criado também vai além da compreensão.  Quem é que pode explicar as decisões?  Um dia um politico ou um empresário recebe uma condenação e, em seguida, tudo é revertido. 

Enquanto isso, o pobre que vende maconha na esquina ou pratica um furto, acaba na prisão e muitas vezes não consegue nem ser julgado, e certamente sem defesa, já que ele dificilmente teria acesso a um advogado.  O presidente consegue tumultuar o processo e ameaça as instituições, e do outro lado, querem que as coisas mudem ou não, conforme o interesse e o politicamente correto do momento.

Enfim, do simples passou para o complexo.  Todo mundo de fora é burro.  Os cães ladram e a caravana passa.  Da para voltar para o passado simples?  Não, mas quem pode construir o futuro na santa ignorância?  Complicado, ne!?

Revolução, Golpe, Eleição e 31 de março

Num país como o Brasil, que não consegue encontrar o caminho para o desenvolvimento econômico e social, acabamos aceitando a falta de progresso e optamos por alternativas e saídas pessoais.  A perda de cérebros (brain drain) para o mundo desenvolvido é real.   Esta semana  em 31 de marco “comemora-se” 58 anos da intervenção militar que era celebrada com canhões e presidentes fardados.  O atual presidente Bolsonaro fará sua comemoração, trocando cadeiras entre os comandantes.  O ex-Presidente Lula e a oposição lembrarão dos anos de repressão.  A população geral gostaria de encontrar algo para comemorar (1 de abril?) mas em vez disto, enfocará  na “nova” inflação galopante  e dificuldades em todos os cantos.

Recebi a foto acima de um grande amigo,um pequeno empresário, que teve seu padrao de luz arrancado da parede, por um ladrão que roubou a fiação e o medidor.  E esta não é a primeira vez.  Será que meu amigo está se preocupando com eleição ou golpe?  Não creio. Ele só quer trabalhar com uma certa segurança e previsibilidade. 

A falta de recursos basicos define a pobreza e o subdesenvolvimento.  Há milhoes de pessoas que trabalham, que querem trabalhar, que querem estudar e que desejam coisas fundamentais como andar na rua sem ser molestado ou ter dinheiro suficiente para comprar pão, leite, arroz e feijão.

Para meu amigo, não adiantara chamar a policia.  Pelo menos não foi um assalto violento, o que tambem ocorre, e o prejuizo ele vai conseguir reparar.  O problema, entretanto, reside  na natureza correiqueira do evento.  E pior,  eventos desagradaveis de todo tipo continuam ocorrendo aparentemente com uma frequencia cada vez maior.

Critica-se tudo e todos mas não ha uma reação coletiva, que altere a situação.  A direita pode pedir a volta dos militares e armar a populacao toda, num faroeste de cada um por si e sem Deus no pedaço.  A esquerda pode contemporizar e culpar o governo, mas o fato é que a mesma situacao pendurou e piorou durante seu periodo de governo. 

A polarização política e a acomodação acabam sendo o resultado.  Entretanto, não adianta fazer revolução e nem golpe.  Em vez disto, a única alternativa é a de recomeçar.  No caso do meu amigo, ele vai comprar um novo padrão e fios.  No caso do Brasil, todo mundo vai ter que levantar e procurar como sobreviver.  Na política, vai ter a eleição e o resultado, embora mais ou menos previsivel, não vai resolver o problema, mas é o único passo que existe e vamos ter que arcar com o resultado.  Enquanto isso, ao poucos as pessoas vão tentando dificultar a vida dos ladrões tentando se proteger mais e aos seus bens, até mesmo um padrão de luz, que nao e facil de se roubar.  Ao mesmo tempo, tem-se que lutar para por os filhos na escola e reclamar por um ensino decente.  Tem-se que lutar pelo SUS, tem-se que preservar o que funciona e continuar acreditando nos centros de excelência, empresas sólidas e íntegras , que fucionam e produzem e indivíduos  sérios e honestos

Entretanto, apesar deste contexto negativo,  há condicões de mudancas positivas, embora trabalhosas..   Será necessária  a reversão de tendencias, e talvez  também  da revisão da prática politica,  com significativa participação democrática, pois sem ela, nada é possivel.  Então vale lembrar-se bem de 1964, de suas consequencias, para entao procurar um projeto ou um político, sabendo que tudo tem consequencias mesmo que imprevisiveis e não antecipadas.  Recordamos também dos eventos mais recentes, incluindo a corrupcao, que quase afundou a Petrobras, atingiu politicos e quebrou empresas “campeãs”.  Há que se lembrar ainda dos acertos e fracassos na abordagem legal, e da minima evolução cultural, dentro de uma estrutura institucional precária e incompleta.

Logo virá a eleição e, embora exista o cinismo corriqueiro, o voto com consciencia (em evolução também) torna-se fundamental, para a construção das possibilidades e a redução dessa polarização, que nada traz de positivo.

Existe todavia, um consenso geral, onde acredita-se que:

  1. O Brasil tem que melhorar a educação;  
  2. A economia tem que ser  mais competitiva e aberta a concorrencias;
  3. O Brasil tem que proteger o meio ambiente e a Amazonia no curto e  longo prazo e
  4. O Brasil precisa de reduzir a miseria e atenuar a desigualdade.

Se o Brasil conseguir ao menos canalizar o desejo coletivo em torno de 2 ou 3 destes argumentos, podemos garantir que, com o tempo, meu amigo deixará de ser vitima de roubos e pequenas agressoes,  estancando aos poucos a roubalheira e corrupcao de escala,  que não serão mais aceitas com tanta resignação.  Será que isto é pedir demais?

Nao Precisava!

Será que é possível fugir do destino?  Tragédias acontecem e muitos dizem que são fatalidades e impossíveis de evitar.  Um país, um povo, uma família, um individuo pode fugir e alterar o seu futuro? Pode-se evitar algo que está previsto ou fadado?

Olhando a destruição de Petrópolis, chegam as indagações.  Mas por que questionar e debater se os desastres são sequenciais, acontecendo com frequência? Será que são nada mais que manchetes do dia sem ação consequente?  Uma reportagem demonstra que segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas quase 4 mil pessoas foram mortas em deslizamentos de terra no Brasil nos últimos anos.  Aqui esta o link: https://www.dm.com.br/brasil/2022/02/desde-1988-brasil-soma-quase-4-mil-mortes-em-deslizamentos/#:~:text=Quase%204%20mil%20pessoas%20j%C3%A1%20morreram%20por%20causa,Petr%C3%B3polis%2C%20na%20semana%20passada%2C%20nem%20entram%20nesta%20conta.

Em vez de simplesmente aceitar as tragédias, não seria o caso de pelo menos questionar, com o intuito de remediar ou evitar.  Mas no Brasil, as coisas acontecem e as pessoas processam as perdas sem reclamar ou revoltar.  A logica disso é que não adianta “dar murro em ponta de faca” e assim os sem recursos acomodam, choram suas perdas e por vezes sentem uma revolta interior.   Por outro lado, os com recursos lamentam mas não fazem nada ou simplesmente fecham os olhos.

Veja que além dos deslizamentos causadas pelas chuvas, há os desastres causados diretamente por atividades econômicas.  Os mais notáveis, mas não os únicos, foram as minerações de Mariana e de Brumadinho.  Ambas em Minas Gerais e cada vinculada ao uso de tecnologias de represamento ultrapassadas que resultaram em centenas de morte diretas e milhares indiretas com a devastação quase total do meio ambiente e de vidas ribeirinhas em grandes áreas geográficas.

Pode-se adicionar ainda as mortes pela pandemia.  Já são mais de 600 mil e talvez atingem 700 mil ainda em 2022.  A morbidade poderia ter sido menor se houvesse mais agilidade no reconhecimento da importância da vacinação e mais eficiência na compra e distribuição das vacinas.

Tratando do Brasil, pode-se construir fácil o muro de lamentações.  Nem mencionamos a violência, crime, e agressões diárias que ocorrem.  Nas reportagens e mesmo nos estudos mais analíticos, é comum apontar a responsabilidade do governo ou da administração publica.  Claro que o cidadão deve cobrar dos governantes mas como os eventos dramáticos são recorrentes, temos que questionar o por que?  Por que que o individuo sem nada, sem recursos e sem instrução pode ou deve exigir algo de um prefeito, deputado, governador ou politico ou administrativo qualquer?  A resposta de quem detém as chaves geralmente é bater a porta na cara do pedinte, chamar a policia ou mandar preencher um formulário.  Conclusão: pouco adianta reclamar.

Em termos de extrema simplificação, o problema reside no subdesenvolvimento.  Detalhando um pouco mais, pode-se dizer que é a falta de recursos ou pobreza.  Mas no Brasil, os recursos são abundantes e comparando o Brasil com digamos Coreia do Sul, o Brasil continua subdesenvolvido por opção.  A cultura elitista aceita e promove a ignorância.  A educação de base e a educação para o trabalho sempre ficaram em segundo lugar aos interesses de quem quer empregadas domesticas e mão de obra para lavar o carro.  O “povão” até que quer educação e enxerga a escola e instrução como meio de ascensão.  Entretanto, o acesso é difícil e a qualidade, para quem não pode pagar, não existe. 

De forma semelhante, enquanto existem algumas normas e padrões que organizam as cidades e o espaço urbano, elas não são observadas na vida dos pobres.  Há anos existem estudos que demonstram a precariedade geológica, a intensidade das chuvas e os perigos de deslizamentos.  Entretanto, a cultura de elitismo, desleixo, transferência dos problemas, e a ignorância construída resulta de forma recorrente em tragédias que são aceitas ou descritas como fatalidades.  A verdade é que são criadas e construídas mas plenamente evitáveis.

Toma-se o caso das minerações.  Em Brumadinho e Mariana as grandes companhias Vale, BHP, Samarco e outras agem na extração e venda de ouro, ferro, bauxita, nióbio, diamantes e outros produtos.  Embora propagam que são verdes, sustentáveis e exemplares de segurança, os eventos dramáticos demonstram justamente o contrario.  Como as empresas pagam grande fatia de impostos, sendo contribuintes principais para os cofres públicos, elas têm uma influencia desproporcional e as entidade do povo, do cidadão e de cidadania não tem recursos para concorrer ou contestar.  O rompimento das barragens, os deslizamentos, e grande parte das mazelas refletem um desleixo e falta de interesse, não só das empresas, mas da sociedade.

As desigualdades criadas no mercado, a falta de mobilização politica e de comunidades, a ignorância de como lidar com a burocracia e mais as dificuldades rotineiras de simples sobrevivência impedem que os pobres e os marginalizados conseguem os recursos necessários para melhorar.  A iniciativa individual e até coletiva acaba sendo atolada pelas estruturas de poder.

A mistura de um estado captado por interesses financeiros, agros e industrias, com uma sociedade civil de baixa grau de instrução e preparação e mais uma cultura patrimonial que ainda tem um certo poder de cooptação constitui a formula para a perpetuação de desastres previsíveis.

No Brasil, falta entre os poderosos a noção de nação e coletividade.  Reina a ideia que as coisas não devem mudar e que a mudança representa uma ameaça.  E assim continua a resignação, a acomodação, a preguiça, a falta de iniciativa e claro as tragédias e vidas perdidas.  Não adianta procurar heróis entre a elite, os políticos e os poderosos.  Triste destino!

Previsões e Justificativas – Brasil 2022

Recentemente postei minhas previsões anuais para o Brasil em 2022.  (https://allabroadconsulting.wordpress.com/2022/01/21/11-predictions-for-brazil-in-2022/.

As Ideias projetadas aqui, poderao ser confirmadas ou não no desenvolver do ano.

Assim ficou previsto no blog:

Previsão 1:  Lula deve ganhar a eleição, em segundo turno, pelo seguinte: Lula comunica melhor do que qualquer outro candidato e tem base e partido organizado.  Ele tem carisma e apesar de ser idoso, possivelmente corrupto ou muito corrupto, mordido pela mosca azul e com tendências e pressões dos Petistas mais “radicais”, ainda é o politico mais popular.  Claro que ele tem um nível alto de rejeição, talvez em torno de 40%, mas Bolsonaro também tem e além disso, lhe falta popularidade por se apresentar como um machão tipo canalha que agrada apenas talvez 25% da população.  Portanto, ganhará quem o povo gosta mais.

Previsão 2: Alckmin como Vice.  Não está totalmente confirmado ainda mas ser vice encanta o ex-Tucano que tem gosto pelo poder.  E ele ainda representa politicamente, mais ou menos o equivalente a “Carta ao Povo” de 2002, que equilibra um pouco o excesso de estatismo e esquerdismo do Lula e a pressão do PT com o projeto de poder hegemónico.  Porem Lula, normalmente pragmático e cartesiano, especialmente em se tratando de sua eleição, usará seu domínio sobre os quadros do PT, para impor sua vontade.

Previsão 3: Trata-se da família Bolsonaro.  Basicamente o Capitão estará fora do poder, mas seus filhos continuarão em cargos eletivos.  Carlos como vereador ou outro cargo, Flavio no Senado e Eduardo como Deputado Federal.  Mais importante será a continuação do “Bolsonarismo” como movimento pautado numa suposta moralização, apoio as milícias e elementos da policia militar, uma agenda de segurança publica pautando armas para a população, e a utilização de recursos naturais, sem muita preocupação com o futuro ou o meio ambiente e as populações indígenas.  Um fracasso (repetição tipo Dilma) de um governo pós Bolsonaro abrirá caminho para a volta da família e/ou seus representantes.

Previsões 4 e 5: Não haverá golpe.  Bolsonaro fez muita coisa material para os militares.  Eles foram preservados na reforma da previdência, seus saldos foram reajustados, na media, mais do que o resto dos servidores públicos, não perderam vantagens conquistadas como a aposentadoria para as filhas solteiras.  Ademais, ainda há entre os oficiais mais graduados a noção das FFAAs como instituição de Estado e não de Governo.  O alto comando manterá a instituição e conseguirá se defender e se aprumar sem o custo da intervenção direta, e isso, mesmo num governo de “esquerda”.  Assim os militares vão aceitar um governo Lula como tão ou mais previsível do que o governo Bolsonaro, assim engolindo o sapo, mas cozinhando ele antes.

Previsões 6 crescimento, 7 inflação e 8 juros:  Conjuntamente pode-se justificar da seguinte forma: a. O país não vai crescer, porque não tem investimentos; b.  O governo, que é o principal motor, está quebrado; c.   O orçamento para 2022 está voltado para atividades de sustentação (folha de pagamento, seguro social, aposentadorias, pagamento de juros, etc.) e o pouco que sobra de investimento está sendo direcionado aos políticos basicamente do Centrão para obras locais. Veja o comentário de Paulo Paiva, ex-Ministro de Trabalho: “O orçamento público é um espelho refletindo o descompromisso das políticas públicas com o crescimento econômico. Políticos, corporações públicas e empresas privadas disputam entre si os recursos públicos, sem nenhuma preocupação com o impacto da ação do Estado no bem-estar da população.”

A ideia do Bolsonaro é conseguir os votos para sua reeleição.  A iniciativa de conquistar ou comprar políticos nada mais é clientelismo e não gera um efeito multiplicador na economia.  Haverá leiloes para obras publicas e tentativas de privatização mas os atrativos são pequenos e as resistências do setor publico são imensas.  Sem duvida, com o crescimento da economia mundial e a instabilidade politica, já ha o aumento do preço de petróleo que também contribuirá para uma inflação alta.  Isso indica um bom ano para Petrobras, embora ela ainda esteja se recuperando, depois do desastre do governo Dilma, portanto grande parte do dinheiro que entrara terá que ser aplicado para sanar dividas e não investimentos.  Com isso a previsão e de crescimento de 1% do PIB e inflação a 10% ou mais, ou seja: “Estagflação”: inflação da moeda, estagnação da economia.

Bolsonaro está usando manobras políticas e econômicas para fingir que não está rompendo o teto de gastos, mas os aumentos concedidos com fins políticos para os militares, o setor publico, policiais e políticos não têm lastro.  É verdade que o tesouro teve uma receita recorde mas grande parte do aumento da arrecadação deve-se a inflação, com um efeito cascata de custos e preços.  O Banco Central elevou os juros de 2% para 9.25% no ano 2021.  Assim o país voltou para os “bons tempos” da Dilma e taxa de inflação de dois dígitos.  Nos EUA, os juros da FED (Banco Central Americano) também vão aumentar a partir de março. Isso terá impacto negativo no Brasil e implicara na desvalorização do Real e a importação de inflação vinda de fora.  O aumento dos juros eleva o custo da divida interna e assim alimenta mais a inflação.  O filme passa em reprise e o Brasil sabe que o mercado, para se resguardar, transfere o peso da inflação para quem não tem como se defender. 

Previsão 9 investimentos: Diante da eleição e a dificuldade de prever o resultado, os investidores preferem esperar pela definição e saber para que lado andara a politica.  Assim os investimentos estrangeiros  entrarão para as atividades de empresas já existentes e com pouca atividade nova ou “green field”.  Por exemplo, os Chineses, continuarão investindo em linhas de transmissão ou atividades extrativas ou primarias.

Finalmente, itens 10 e 11: COVID e Diáspora.  O negacionismo do governo continua e, apesar disso, a população procura os postos de saúde e se vacina.  O que parece é que a população preza o SUS e lembra de campanhas bem sucedidas de vacinação com resultados positivos.  Assim quase 70% da população tem 2 vacinas e a grande maioria quer o “booster” e apoia a vacinação de crianças.  Além disso, a expectativa é que a energia do vírus acabara, uma vez que, não tenha mais a massa critica a infetar.  Espera-se que, até os meados do ano, pode-se viver sem o vírus ou pelo menos conviver com ele já com seus efeitos atenuados e administrados.

Enquanto isso, o Brasil com a população de 220 milhões participa das correntes migratórias mundiais.  As pessoas mais pobres nos países mais pobres querem ir em direção às oportunidades e recursos.  Atualmente, só nos EUA, há algo em torno de 2 milhões de brasileiros imigrantes legalizados ou não.  Com isso, a migração vai continuar por corrente onde os amigos e parentes puxam os novos.  Ao mesmo tempo, os problemas previstos nos itens acima “empurram” outros imigrantes para fora do pais, que tentarão uma vida tida como mais promissora.  Consequentemente, outros milhares serão novamente detidos nas fronteiras dos EUA.

Enfim, 2022 será mais um ano sofrido e inquietante.  Faltou prever aqui como o Brasil terminará a Copa Mundial em Qatar.  A ver, fica para os mais sábios e “espertos”.